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BB Seguridade (BBSE3) ou Caixa Seguridade (CXSE3): qual é a melhor ação para quem busca renda passiva com dividendos?

Olhar apenas para o dividend yield pode esconder diferenças importantes entre BBSE3 e CXSE3; analistas revelam onde estão os riscos e oportunidades

Caixa Seguridade (CXSE3) ou BB Seguridade (BBSE3), qual a melhor ação para dividendos?
Caixa Seguridade (CXSE3) ou BB Seguridade (BBSE3), qual a melhor ação para dividendos? - Imagem: Canva PRO / Divulgação / Montagem Seu Dinheiro

Para quem monta uma carteira de renda passiva, o desafio não é encontrar apenas a ação que paga os maiores dividendos hoje. É descobrir qual empresa tem mais condições de continuar colocando dinheiro no bolso do acionista amanhã. É nesse ponto que BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) entram em uma disputa interessante.  

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As duas têm controladores bancários fortes, modelos de negócio resilientes e histórico de distribuição de proventos — mas oferecem combinações diferentes de renda, crescimento e risco. 

O histórico ajuda a explicar por que ambas chamam a atenção. Desde o IPO, em 2013, a BB Seguridade entregou retorno total anualizado de 14%, superando o Ibovespa, que rendeu 8% no mesmo período, e o CDI, com 10%, segundo o BTG Pactual.  

Já a Caixa Seguridade, que abriu capital em 2021, teve retorno total anualizado de 21%, acima do Ibovespa (+5%) e do CDI (+10%) no período. 

É por isso que, para o BTG, há um argumento “bastante convincente” para manter pelo menos uma das duas em uma carteira de ações brasileiras voltada ao longo prazo. 

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Mas a semelhança termina em parte aí. A BB Seguridade carrega uma exposição maior ao agronegócio, enquanto a Caixa Seguridade está mais ligada ao crédito imobiliário. 

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Daí nasce o dilema do investidor: vale mais o yield maior da BBSE3 ou a combinação de previsibilidade e crescimento da CXSE3? 

As opiniões dos especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro divergem. Mas concordam que olhar apenas para o dividend yield pode esconder justamente o que mais importa para quem pretende viver de renda — a sustentabilidade desse pagamento. 

BB Seguridade: dividendos maiores vêm com um desconto 

A BB Seguridade já sente os efeitos de um ambiente mais difícil para o Banco do Brasil, já que ela opera com exclusividade no balcão do Banco do Brasil.  

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Desde 2025, a desaceleração da originação de crédito, especialmente rural, afeta produtos como seguro prestamista, seguro rural e penhor rural. 

“A crise de originação de crédito, sobretudo rural, no Banco do Brasil tem provocado uma forte diminuição na venda de seguros rurais na BB Seguridade”, avalia Milton Rabelo, analista da VG Research. 

O BTG reconhece que a seguradora surpreendeu positivamente no primeiro semestre de 2026, mas vê um cenário mais desafiador daqui para frente.  

A expectativa do banco é de que o lucro de 2027 fique praticamente estável, refletindo um ambiente mais fraco para o agronegócio e maiores dificuldades de crescimento para o Banco do Brasil. 

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Há ainda uma questão estrutural: o contrato de exclusividade com o BB vence em 2033. Para o BTG, a proximidade desse prazo pode levar a uma “descompressão de múltiplos” da BB Seguridade. 

Isso não significa, porém, que a tese tenha perdido força. Para Rabelo, a BB Seguridade continua apresentando resultados mais resilientes do que os do próprio Banco do Brasil, graças à diversificação de receitas, estrutura de custos enxuta, margens elevadas e forte geração de caixa. 

E existe um fator que ajuda a equilibrar os riscos: o preço da ação. “Por questões de valuation especificamente, nos preços atuais, preferimos a BB Seguridade”, afirma o analista. 

Na visão de Rabelo, parte dos problemas já está refletida na cotação. Isso faz com que o investidor encontre um yield maior e, consequentemente, uma margem de segurança mais confortável. 

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Mas é justamente aí que entra a ressalva. Para Alexandre Pletes, diretor de renda variável da Faz Capital, escritório de investimentos credenciado à XP, a BB Seguridade apresenta hoje um risco maior na comparação com a Caixa, especialmente pela exposição a negócios corporativos e ao agronegócio. 

“Neste momento, a Caixa Seguridade possui uma carteira mais resiliente, mas os negócios de BB Seguridade são de uma magnitude maior”, diz o diretor. 

Caixa Seguridade paga menos hoje por uma tese mais previsível 

A Caixa Seguridade está em uma posição diferente. Seu principal motor está ligado ao ecossistema da Caixa Econômica Federal, especialmente ao crédito imobiliário. 

Essa exposição ajuda a dar mais visibilidade aos resultados, segundo os analistas. 

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O BTG destaca que a companhia conta com um acordo de distribuição mais longo com a Caixa, com vencimento em 2041, e com um negócio de seguros imobiliários que continua crescendo em ritmo forte. No 2T26, os prêmios desse segmento avançaram 14%. 

Mais importante: esses prêmios são reconhecidos ao longo de mais de dez anos, o que cria uma receita mais previsível para os próximos períodos, segundo os analistas. 

A companhia também tem uma enorme base de clientes e espaço para ampliar a penetração de seguros. “Existem evidências que a Caixa Seguridade possui maiores avenidas de crescimento de receitas”, afirma Rabelo. 

A própria Caixa ainda vê espaço para expandir a carteira de crédito imobiliário em ritmo de dois dígitos em 2026 e 2027 e de um dígito alto ao longo de cinco anos. 

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Com isso, o BTG projeta crescimento dos resultados de cerca de 10% ao ano ao longo do ciclo, um payout próximo de 90% e um dividend yield acima de 8%. 

“Essa representa uma combinação muito atraente de crescimento, rendimento em dividendos e previsibilidade”, afirma o banco. 

Qual tem o melhor valuation? 

O mercado cobra por qualidade. Como há maior espaço para crescimento e uma resiliência maior, a CXSE3 negocia com um valuation superior ao da BBSE3 e, por isso, entrega um dividendo menor. 

Na prática, o investidor da Caixa pode estar abrindo mão de parte da renda de hoje em troca de uma expectativa maior de crescimento amanhã. 

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É justamente essa troca que faz a Faz Capital preferir a CXSE3. “No conjunto de critérios, a gente acha que o todo da Caixa Seguridade é mais interessante”, diz Pletes. 

A escolha não elimina o risco de valuation: se o crescimento esperado não aparecer, a ação pode sofrer uma correção maior. Ainda assim, para a Faz Capital, a previsibilidade compensa o yield menor. 

Mas a BBSE3 ainda tem quem defenda seu desconto 

Já Rabelo reforça que, apesar dos atributos positivos de Caixa Seguridade, as “as ações da BB Seguridade possuem mais margem de segurança” para quem quer investir. 

O BTG também destaca a diferença entre as duas seguradoras. Enquanto a BBSE3 oferece yield de aproximadamente 10,5%, a CXSE3 combina yield de cerca de 8% com expectativa de crescimento de aproximadamente 10% no lucro por ação nos próximos 12 meses. Para a BB Seguridade, a projeção é de queda de cerca de 4% nos lucros no mesmo período. 

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“Em outras palavras, os investidores estão sendo mais bem remunerados para possuir a empresa de menor crescimento. Mesmo sob uma análise simples de crescimento mais carregamento, a CXSE3 parece mais atraente”, avalia o BTG. 

O banco também destaca que a Caixa Seguridade acumulou uma performance relativa cerca de 20% inferior à da BBSE3 na bolsa desde o pico observado no início deste ano, apesar de apresentar uma perspectiva de resultados mais favorável. 

Na avaliação de Bruno Oliveira, diretor de análise da Vida de Acionista, a BB Seguridade (BBSE3) é a melhor opção para quem busca renda passiva, combinando maior previsibilidade com uma remuneração mais elevada no curto prazo. 

Para o analista, o investidor de dividendos deveria olhar menos para a oscilação da ação na tela e mais para a capacidade da companhia de gerar e distribuir caixa ao longo do tempo.  

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“O meu conceito de caro ou barato não é em relação à cotação, mas o potencial de remuneração”, diz Oliveira.  

Sob essa ótica, a BB Seguridade continua “barata” mesmo próxima das máximas históricas, porque tem capacidade de gerar proventos crescente: em poucos anos, a companhia dobrou o lucro líquido mesmo mantendo um payout alto.  

Os riscos estão em lugares diferentes 

A diferença entre as duas fica ainda mais clara quando se olha para os riscos. Na BB Seguridade, o agronegócio é o principal ponto de atenção.  

Uma piora no ciclo agrícola pode aumentar a sinistralidade e pressionar os resultados. O cenário climático também adiciona incerteza, com a possibilidade de um El Niño mais forte no radar. 

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“Esse é o risco do negócio da BB Seguridade. O maior risco”, afirma Pletes. 

Rabelo, por sua vez, considera a renovação do contrato com o Banco do Brasil em 2033 um dos principais riscos estruturais da tese. 

“Existem evidências que levam a crer que o contrato será renovado, mas não se sabe em quais termos. Isso é um fator de incerteza e risco para a tese e para o pagamento futuro de dividendos”, avalia. 

Na Caixa Seguridade, o risco está mais ligado ao próprio mercado imobiliário. Uma eventual desaceleração forte do crédito da Caixa, juros reais elevados ou eventual redução de subsídios habitacionais poderiam diminuir a originação de financiamentos e, consequentemente, a venda de seguros. 

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E onde entra a Selic nessa história?

Embora os juros afetem as duas empresas, existe uma espécie de efeito duplo sobre as seguradoras.

De um lado, juros elevados comprimem a atividade econômica, dificultam a originação de crédito e podem reduzir a venda de seguros. De outro, o dinheiro recebido pelas companhias fica aplicado e se beneficia da remuneração elevada da renda fixa.

“Se a Selic tira poder de venda de prêmios no faturamento, ela oferece às seguradoras um ganho de tesouraria”, afirma Pedro Galdi, analista do AGF.

Esse mecanismo ajudou a compensar parte da pressão operacional recente, segundo o analista.

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Para Galdi, o cenário deve continuar relativamente parecido nos próximos meses: juros ainda elevados e seguradoras utilizando o resultado financeiro para amortecer uma eventual perda de ritmo nos novos negócios.

O ponto de atenção será a deterioração do crédito. Se a inadimplência aumentar e o poder de compra das famílias e empresas diminuir, a pressão pode aparecer na linha de cima das seguradoras.

Ainda assim, Galdi considera o setor defensivo e não vê, no cenário atual, uma mudança relevante no fluxo de dividendos das companhias.

Afinal, qual a melhor ação para dividendos: BBSE3 ou CXSE3? 

No fim, a escolha entre as duas seguradoras não tem uma única resposta correta. 

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A BB Seguridade oferece hoje um yield maior e, na avaliação da VG Research, um valuation mais descontado, que traz margem de segurança. Em contrapartida, está mais exposta ao ciclo do agronegócio, à originação de crédito do Banco do Brasil e à incerteza de longo prazo envolvendo o contrato de distribuição. 

A Caixa Seguridade entrega um yield menor, mas apresenta, na visão de parte dos analistas, maior previsibilidade, por ter a Caixa por trás, e mais espaço para crescimento. O preço dessa qualidade é um valuation mais elevado. 

Por isso, a Faz Capital e o BTG Pactual preferem CXSE3. A VG Research fica com BBSE3. O AGF mantém as duas na carteira e não vê necessidade de escolher uma única vencedora. 

Em outras palavras, o melhor investimento para sua carteira de dividendos... depende. Entre remunerações polpudas e incertezas no horizonte, cabe ao investidor escolher o que prefere carregar no bolso. 

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