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Para os analistas, a desestatização não encerra a história da companhia mineira de saneamento, mas sim é o começo de um novo ciclo de geração de valor

O Itaú BBA resolveu subir a régua para a Copasa (CSMG3) — com um salto de quase 50% no preço-alvo em uma tacada só, de R$ 55,90 para R$ 82,50.
O banco já recomendava a compra dos papéis, mas agora vê um potencial ainda maior de valorização para a companhia de saneamento mineira. O novo target representa uma alta de 50,6% em relação ao último fechamento — enquanto CSMG3 já acumula ganhos de 27,6% na B3 no ano.
Por trás da revisão está uma aposta que vai além da privatização. Para o Itaú BBA, a mudança de controle não encerrou a história da Copasa; abriu uma nova etapa.
A tese combina três peças: um longo ciclo de universalização do saneamento, um arcabouço regulatório favorável e ganhos de eficiência. Juntas, elas podem sustentar crescimento e retornos elevados por mais de uma década, na avaliação dos analistas.
“Nossa principal conclusão é simples: a privatização não é o fim da história, mas o início de um novo ciclo de geração composta de valor”, afirmam.
O banco vê a Copasa entrando no que pode ser o ciclo de investimentos mais importante de sua história, mas com uma diferença: a expansão da base de ativos e os ganhos de eficiência também podem se transformar em valor para os acionistas.
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O resultado, na visão do Itaú BBA, seria uma companhia com mais ativos, geração de caixa mais robusta e espaço para se tornar uma relevante pagadora de dividendos.
Para os analistas, o principal motor dessa história é a universalização do saneamento.
O Itaú BBA estima que a base regulatória de ativos da Copasa pode quase dobrar até 2033, em termos reais, à medida que a companhia acelera os investimentos necessários para ampliar a cobertura dos serviços.
Mas há uma diferença importante em relação a um ciclo tradicional de capex: na visão do banco, a privatização cria condições para que a empresa capture simultaneamente parte relevante dos ganhos de eficiência.
Isso acontece porque o modelo regulatório da Copasa permite aos acionistas reter a maior parte dos benefícios das reduções de despesas operacionais (opex) até 2041.
Em outras palavras, a melhora da operação não seria apenas uma economia pontual, mas uma fonte recorrente de criação de valor ao longo de todo o período de universalização.
O Itaú BBA também vê na Copasa uma combinação regulatória particularmente favorável dentro do setor de utilities, que reúne empresas de serviços básicos, como saneamento e energia.
Segundo os analistas, a companhia conta com reconhecimento tempestivo dos investimentos, um dos maiores retornos regulatórios sobre o capital entre empresas reguladas e um sistema de incentivos ligado à universalização, à qualidade dos serviços e à execução operacional.
“Como resultado, a companhia está posicionada não apenas para expandir rapidamente sua base de ativos, mas também para gerar retornos acima da linha de base regulatória durante o período de maior alocação de capital”, afirma o Itaú BBA.
É essa combinação que sustenta a visão de um ciclo mais longo: a Copasa teria espaço para crescer os ativos e, ao mesmo tempo, capturar ganhos de eficiência ao longo do caminho.
E o ciclo pode não terminar em 2033. Na avaliação do Itaú BBA, a atual concessão da Copasa pode representar apenas a primeira fase da universalização do saneamento em Minas Gerais.
Isso porque um número relevante de municípios que hoje estão fora da área de atuação da companhia ainda precisa de investimentos para cumprir as metas de saneamento.
Para o banco, esses municípios representam uma oportunidade potencial de tamanho comparável ao atual ciclo de universalização.
Nas contas do Itaú BBA, eles podem representar cerca de R$ 34 bilhões em investimentos adicionais e estender a trajetória de crescimento da Copasa para além de 2033.
Além do cenário-base, o banco identifica outras possíveis fontes de valorização para a ação.
Entre elas estão a incorporação de economias atualmente não consideradas nas concessões existentes e eventuais aprimoramentos no mecanismo de reajuste tarifário, que poderiam ampliar o efeito dos incentivos ao longo do ciclo regulatório.
Mas a maior oportunidade pode estar fora do que já está contratado.
“Embora essas oportunidades estejam de certa forma ocultas dentro do arcabouço atual, a opcionalidade mais relevante provavelmente virá dos futuros leilões de saneamento em Minas Gerais”, avalia o Itaú BBA.
Na visão do banco, caso a Copasa seja bem-sucedida nesses processos, poderá alocar mais capital a retornos considerados atrativos, ampliar sua base regulatória de ativos e prolongar a trajetória de crescimento composto da companhia.
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