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"Apesar do bom desempenho operacional e avanços na Resia, a geração de fluxo de caixa fraca no Brasil deve pressionar a reação do mercado", disse o banco BTG Pactual em relatório.

A MRV (MRVE3) fechou o primeiro trimestre com geração de caixa de R$ 387 milhões, revertendo a queima vista na comparação anual. No entanto, a operação brasileira continua em dificuldades, o que levou investidores a venderem as ações nesta manhã.
A geração de caixa do trimestre veio principalmente da venda de ativos da operação nos Estados Unidos, a Resia, que está em processo de desalavancagem, e em parte pelo resultado da operação de incorporação brasileira, mostraram dados da construtora nesta segunda-feira.
Por volta as 12h30, as ações tinham queda de 6,05%. No ano, a queda já é de 4,36% e, em um mês, e 19,89%.
No Brasil, a operação ainda teve queima de caixa, em R$ 21 milhões no trimestre. Esse valor veio abaixo da expectativa de geração de caixa de R$ 100 milhões, impactado pela sazonalidade do trimestre e concentração de vendas em março, reduzindo repasses.
Isso porque a atividade de incorporação, que reúne as marcas MRV e Sensia, gerou um caixa ajustado de R$ 22,4 milhões, excluindo efeitos de cessão de recebíveis.
A divisão Urba, de loteamento, queimou R$ 28,5 milhões em caixa, e a Luggo, de multifamily, teve geração negativa de R$ 14,8 milhões. No total, a queima de caixa a operação brasileira foi R$ 20,9 milhões.
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A companhia ainda registrou um descasamento de 1.518 unidades entre produção (9.747 unidades) e repasse (8.229 unidades) no período. Os lançamentos, de R$ 2,91 bilhões, tiveram alta de 1% e vieram 13% acima das estimativas do BTG, concentrados em Minha Casa Minha Vida (MCMV) e média renda.
No caso da operação norte-americana Resia, a geração somou US$ 67 milhões (R$ 348 milhões) e foi determinada pela venda de ativos nos primeiros meses do ano — o empreendimento Tributary por US$ 73,3 milhões e os terrenos Marine Creek e Tucker por US$ 18,3 milhões.
A venda nos EUA, atualmente em 30% do total de US$ 800 milhões, é muito relevante para o plano de transformação da incorporadora.
“Já finalizamos o turnaround da companhia em 2025. Agora é hora de buscar novos objetivos: mais retorno, rentabilidade e maior otimização do capital empregado. Temos convicção absoluta que o ciclo será maravilhoso”, afirmou Rafael Menin, CEO do grupo no MRV Day, em março.
"Apesar do bom desempenho operacional e avanços na Resia, a geração de fluxo de caixa fraca no Brasil deve pressionar a reação do mercado", disse o banco BTG Pactual em relatório.
"Mantemos recomendação de compra, com P/L de 6x para 2026, diante do momento positivo no segmento de baixa renda e potencial de melhora futura dos resultados", afirma o banco.
De acordo com a prévia operacional, as vendas líquidas na MRV Incorporação cresceram 13,9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 2,469 bilhões, com a comercialização de 9.141 unidades e um tíquete médio de R$ 270 mil, ante 8.377 unidades e tíquete de R$ 259 mil um ano antes.
Na comparação com o quarto trimestre, porém, as vendas encolheram 10,5%, assim como houve queda no número de unidades vendidas, de 12,8%, mas o tíquete médio subiu 2,5%.
Os lançamentos nessa divisão, voltados em sua maioria para projetos do programa Minha Casa Minha Vida, totalizaram um valor geral de vendas (VGV) de R$ 2,915 bilhões, aumento de 0,9% ano a ano e de 2,4% na base trimestral, com um total de 10.386 unidades, declínio de 4,2% ano a ano e alta de 0,2% no trimestre.
De acordo com o diretor financeiro da MRV&Co, Ricardo Paixão, a companhia deu uma “caprichada” nos lançamentos no final do trimestre para começar abril bem abastecida e poder aproveitar a primeira arrancada gerada pela mudança nos parâmetros do MCMV.
No final de março, o Conselho Curador do FGTS ampliou a renda máxima de famílias que podem ser elegíveis ao programa habitacional do governo federal e os valores máximos de financiamento dos imóveis.
“Foram mudanças bem colocadas e assertivas”, afirmou Paixão em entrevista à Reuters, estimando que deve ocorrer um incremento de volume de vendas e afirmando que a companhia está animada com as alterações.
“Podemos esperar uma capacidade de compra dos clientes aumentando em função dessas alterações”, acrescentou.
Ao comentar sobre perspectivas para a margem bruta da companhia, Paixão não detalhou, mas adiantou que não vê “nenhum motivo para aquela tendência incremental de margem bruta deixar de existir…Deve ser uma repetição do que vem acontecendo”, acrescentou.
No quarto trimestre do ano passado, a margem bruta da MRV Incorporação cresceu 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, para 31%. Na base trimestral, mostrou acréscimo de 0,3 ponto.
Com Money Times
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