XP rebaixa ação da Sanepar (SAPR11) mesmo com potencial de 33% de alta na bolsa. O que está faltando para o papel?
Para a corretora, faltam catalisadores no curto prazo; recomendação para SAPR11 passou de compra para neutra

A conta que sustentava a tese de investimento em Sanepar (SAPR11) ficou mais difícil de fechar, na avaliação da XP Investimentos. De um lado, a chance de privatização, que poderia destravar valor para as ações, perdeu força. De outro, os dividendos que ajudariam o investidor a atravessar a espera por esse possível gatilho já não parecem tão atraentes.
Foi essa combinação que levou a corretora a retirar o selo de compra da companhia de saneamento do Paraná.
Os analistas rebaixaram a recomendação para SAPR11 de compra para neutra e fixaram o preço-alvo para o fim de 2027 em R$ 45,80 por ação — ainda um potencial de valorização de pouco mais de 33% em relação ao último fechamento.
Para a XP, não basta haver espaço entre o preço atual e o valor estimado. É preciso também haver catalisadores capazes de destravar esse potencial — e é justamente isso que a corretora não está enxergando agora.
A Sanepar negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 14,2%, nível considerado razoável pelos analistas. Mas o momentum dos resultados é relativamente modesto, enquanto os principais gatilhos da tese ficaram mais distantes, afirmam os analistas.
Os papéis SAPR11 operam em queda no pregão desta quarta-feira (16). Por volta das 10h55, o recuo era de 1,60% na B3, cotados a R$ 33,80. Desde o início do ano, as ações acumulam desvalorização de cerca de 17% na bolsa brasileira.
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Dividendos menos atraentes
A recomendação de compra da XP para a Sanepar estava apoiada, principalmente, em dois pilares.
O primeiro era a avaliação de que as chances de privatização ainda eram razoáveis. O segundo envolvia os R$ 4 bilhões em créditos tributários obtidos pela companhia: a expectativa era de que a Sanepar pudesse reter 25% desse valor, abrindo espaço para retornos com dividendos (dividend yields) atrativos em 2026 e 2027.
A ideia era que esses dividendos ajudassem a remunerar o investidor enquanto o potencial de valorização associado a uma eventual privatização não se materializasse.
Agora, porém, a XP entende que a possibilidade de a companhia ficar com 25% dos créditos tributários deve ser tratada mais como um cenário otimista do que como cenário-base. Com isso, a questão dos créditos passou a ser vista pelos analistas como uma opcionalidade mais distante.
Sanepar (SAPR11): privatização foi para a gaveta?
A privatização também perdeu força no radar da corretora. A XP afirma não enxergar, neste momento, a “configuração adequada” para que um processo de desestatização ganhe tração no curto prazo.
Para que uma privatização avance, segundo os analistas, é necessário haver “externalidades claras” capazes de impulsionar a agenda e mobilizar diferentes stakeholders.
A privatização da Sabesp, por exemplo, foi sustentada por uma estratégia que previa investimentos para antecipar a universalização para 2029. Já a desestatização da Copasa foi impulsionada pela necessidade do Estado de assegurar recursos para manter sua participação no PROPAG, além de preocupações relacionadas à qualidade dos serviços.
No Paraná, no entanto, a dinâmica é diferente. A XP considera difícil que a Sanepar avance em direção a uma privatização, entre outros motivos porque o Estado tem uma das situações fiscais mais favoráveis do país e sua participação na companhia equivale a apenas cerca de R$ 2 bilhões.
Além disso, o governo paranaense decidiu avançar na universalização dos serviços de esgotamento sanitário por meio de PPPs, em conjunto com o atual programa de investimentos que a Sanepar espera executar.
Para completar o quadro, a companhia também é percebida pela população como uma boa prestadora de serviços, o que poderia reduzir os incentivos de uma eventual privatização.
“Ainda não descartamos totalmente a possibilidade de uma privatização avançar, mas as chances são baixas e o timing permanece bastante incerto”, afirmam os analistas.
E sem privatização, o que sobra para SAPR11?
Sem um processo de desestatização no horizonte e com a distribuição de dividendos projetada de forma mais conservadora, a tese passa a depender mais dos próprios resultados operacionais da companhia.
E a XP vê pouco impulso no curto e médio prazo. Na avaliação da corretora, a Sanepar apresenta uma trajetória de custos crescendo em termos reais, enquanto os lucros devem permanecer relativamente estáveis nos próximos anos.
Os dividend yields também não seriam suficientes, sozinhos, para compensar a falta de catalisadores. A XP projeta uma média de apenas 3,4% entre 2026 e 2028.
Para a XP, esse conjunto de fatores torna SAPR11 menos atraente quando comparada a outros players do setor de saneamento.
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