Sucessor de Warren Buffett diz como Berkshire Hathaway vai ganhar dinheiro com IA (a resposta não está só na bolsa)
Uma das estratégias da holding para lucrar com inteligência artificial é investir no Google, enquanto a outra está fora do mercado de ações

A corrida da inteligência artificial tem movimentado trilhões de dólares nas empresas de tecnologia. Enquanto maior parte dos investidores se expõe a esse setor por meio de ações do segmento de chips, software e computação em nuvem, a Berkshire Hathaway, uma das companhias mais respeitadas do mundo, aposta no setor de duas formas — e uma delas é fora da bolsa de valores.
Em entrevista à CNBC, Greg Abel, CEO da holding desde o início deste ano e sucessor de Warren Buffett, afirmou que a Berkshire encontrou uma outra estratégia para ganhar dinheiro com a inteligência artificial.
Uma delas é a mais tradicional: parte do portfólio da companhia está exposto a uma companhia de tecnologia, a Alphabet (GOGL34), dona do Google.
Já a outra é menos óbvia e não passa pelo mercado de ações.
O investimento no Google
Segundo Abel, a Berkshire vem ampliando sua exposição à Alphabet, que tem investido dezenas de bilhões de dólares para fortalecer sua infraestrutura e suas plataformas de IA.
A Berkshire Hathaway afirma que já acreditava há algum tempo que a inteligência artificial teria impacto significativo sobre a economia americana e sobre os negócios em geral.
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Por isso, enxerga o Google como um dos principais candidatos a se beneficiar desse movimento.
Atualmente, a Berkshire possui cerca de US$ 36 bilhões investidos na Alphabet, em um processo de compra que começou ainda com Warren Buffet. Na cotação atual, o valor representa R$ 184,54 bilhões.
Só neste ano, a holding desembolsou mais US$ 10 bilhões para ampliar a posição na companhia.
O investimento ocorreu durante uma oferta de ações realizada pela própria Alphabet para levantar recursos que seriam direcionados à expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo Abel na entrevista ao portal de notícias norte-americano, ele recebeu uma ligação em um domingo pela manhã com a oferta de participar da operação.
A recomendação inicial recebida por telefone era investir cerca de US$ 10 bilhões. Antes de tomar a decisão, preferiu ir em busca do aval de Buffett.
"Eu liguei para Warren e disse que tínhamos uma oportunidade significativa de continuar investindo no Google com um bloco substancial de ações", relatou.
Com a aprovação, o investimento foi feito com um desconto de 6,5%, segundo Abel.
A aposta menos óbvia
Mas a Berkshire encontrou outra forma de capturar os ganhos da revolução da inteligência artificial: fornecer energia para sustentar esses avanços.
Segundo o CEO da holding, a Berkshire Hathaway Energy pode ser uma das beneficiadas pelo crescimento acelerado dos data centers, que são as estruturas que armazenam e processam os dados das ferramentas de inteligência artificial.
Cabe destacar que o braço de energia da Berkshire opera redes de distribuição, transmissão e geração elétrica para milhões de clientes residenciais, comerciais e industriais nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.
Para o executivo, o principal gargalo da expansão do setor de IA está justamente na capacidade de gerar energia suficiente para dar conta dessas operações.
O desenvolvimento da inteligência artificial tem provocado uma explosão na construção de data centers nos Estados Unidos, que consomem quantidades gigantescas de eletricidade.
Em alguns mercados, a demanda já começa a pressionar redes de transmissão e projetos de geração.
É justamente nesse ponto que entra a Berkshire. Devido ao tamanho da companhia, a Berkshire acredita que pode aumentar receitas ao fornecer energia para os gigantes da tecnologia que disputam espaço na corrida da IA.
Porém, Abel diz que esses contratos só serão fechados se não houver um aumento de tarifas para os consumidores tradicionais.
Portanto, a estratégia de IA da Berkshire tem dois caminhos: a holding ganha tanto como acionista se o Google tiver retornos expressivos com o setor quanto com o fornecimento de energia que tem sido demandada pelos gigantes da tecnologia.
*Com informações de CNBC
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