BB Seguridade (BBSE3) pode subir pouco, mas cair muito: o risco que fez o Citi recomendar a venda das ações
Banco corta preço-alvo para R$ 35 e vê assimetria pouco favorável para BBSE3; entenda o que está por trás do rebaixamento

Há pouco espaço para a BB Seguridade (BBSE3) subir, mas muito chão para cair — pelo menos na conta do Citi. É essa assimetria que levou o banco a mudar de vez a leitura sobre a ação e rebaixar a recomendação de neutra para venda.
O Citi também reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 35, o que representa um potencial de queda de 14,4% em relação ao fechamento de ontem.
Para os analistas, o grande problema da tese pode estar justamente onde hoje parece haver mais conforto: na relação com o Banco do Brasil (BBAS3).
Os contratos que dão à seguradora acesso à rede de distribuição do banco ainda sustentam boa parte da operação, mas a próxima rodada de renovações pode mudar essa equação — e é aí que o Citi enxerga um risco que ainda não está devidamente refletido no preço da ação.
Os analistas avaliam que manter tudo como está não acrescentaria tanto valor à ação da BB Seguridade, enquanto uma mudança nas condições dos contratos poderia destruir uma fatia muito maior desse valor.
No cenário mais otimista, os analistas veem a ação chegando a R$ 45 na bolsa, uma alta de apenas cerca de 6% sobre o preço atual. Já no cenário negativo, a avaliação despenca para R$ 19 por ação, um tombo de 55%.
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Onde está o risco para a BB Seguridade?
Para o Citi, o mercado pode estar subestimando justamente o risco de a próxima rodada de negociações com o BB exigir concessões econômicas relevantes.
Em outras palavras, o problema não seria apenas renovar ou não os contratos, mas em quais condições isso aconteceria. Para os analistas, o possível custo de uma renovação menos favorável pode ser muito maior do que o ganho ainda disponível caso tudo permaneça como está.
No cenário positivo, o banco considera a renovação de todos os contratos-chave nos termos atuais, sem pagamentos antecipados e sem mudanças na economia do acesso da BB Seguridade à rede de distribuição do Banco do Brasil.
Com isso, seria preservado o valor integral de BB Corretora, Brasilseg e Brasilprev, sem transferência de parte dessa economia para os parceiros. O resultado seria uma avaliação de R$ 45 por ação.
“Consideramos esse desfecho improvável”, afirma o Citi.
No outro extremo, o banco trabalha com a hipótese de que nenhum dos contratos seja renovado. Nesse caso, as operações seriam reduzidas gradualmente conforme os acordos chegassem ao fim.
O valor da companhia viria dos fluxos de caixa gerados até o vencimento dos contratos, do chamado run-off — a redução progressiva das operações — de Brasilseg, Brasilprev e BB Corretora e, ao final, da liquidação da holding e dos ativos remanescentes.
A conta chegaria a R$ 19 por ação, uma queda de 55% ante o preço atual e de 45% em relação ao cenário-base do Citi.
BBSE3 e a diferença para a Caixa Seguridade
O Citi também não vê um debate parecido sobre renovação de contratos envolvendo a Caixa Seguridade, apesar de a estrutura das duas companhias ser bastante semelhante.
A diferença, segundo os analistas, está nas características dos acordos das seguradoras com seus controladores e, principalmente, na duração dos negócios: os contratos-chave da Caixa têm prazos significativamente mais longos e, em geral, se estendem para perto de 2050.
Outro ponto levantado pelo Citi é a possibilidade de um pagamento antecipado da BB Seguridade ao Banco do Brasil em junho de 2027, hipótese considerada em um dos cenários analisados.
Uma operação desse tipo poderia ajudar a reforçar o capital do banco em um momento em que essa continua sendo uma questão relevante.
O Citi não vê o mesmo incentivo na Caixa Econômica Federal. O banco estatal tinha um índice de capital principal (CET1) de 13,4% em junho de 2026, o que, na avaliação do Citi, reduz a probabilidade de uma transação semelhante envolvendo a Caixa Seguridade.
Ação da BB Seguridade ficou mais cara
Além dos riscos dos contratos, o Citi destaca a própria valorização recente da ação BBSE3. O papel da BB Seguridade ganhou tração desde meados de agosto e acumula um retorno na casa de dois dígitos médios desde então.
Com a alta, a BB Seguridade passou a ser negociada a 9,5 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, acima da média de 8,2 vezes desde 2024.
Na visão do banco, os múltiplos ficaram mais exigentes justamente em um momento em que a principal variável para determinar o valor futuro da ação — as condições dos contratos que sustentam a operação — ainda está indefinida.
Veja também: O erro que pode destruir sua renda com dividendos na bolsa
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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