É o fim dos planos de celulares de R$ 20? Por que as operadoras estão deixando ofertas ultrabaratas para trás
TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3) têm voltado atrás em promoções muito baratas; Bank of America acredita que a Claro pode ser a próxima

Os planos de celular mais baratos estão ficando para trás. As empresas de telefonia, que há anos vivem uma guerra de preços para conquistar clientes, vêm desistindo de ofertas agressivas e dão sinais de uma mudança de estratégia.
Tanto a Vivo (VIVT3) quanto a TIM (TIMS3) lançaram, recentemente, planos híbridos anuais: uma opção intermediária entre o pré-pago e o híbrido, que permite o pagamento em 12 parcelas mensais com cartão de crédito e em valores menores do que os oferecidos normalmente. O objetivo era acelerar a aquisição de assinantes.
No caso da TIM, o plano híbrido anual seria de R$ 20 por mês. Porém, a empresa voltou atrás e descontinuou a promoção.
Se antes as empresas de telefonia viam as ofertas agressivas como uma forma de atrair mais clientes, parece que agora passaram a perceber os efeitos dessas promoções nos números da companhia.
Na visão do Bank of America, a desistência da Vivo e da TIM desses planos ultrabaratos sugere que as empresas estão entrando em um cenário “mais racional” de preços. A expectativa do BofA é que os players reduzam cada vez mais as promoções agressivas e haja espaço para reajustes de preços daqui frente.
O que está por trás da mudança
Segundo os analistas do BofA, a retirada dessas ofertas representa uma tentativa das empresas de corrigir distorções que surgiram no mercado de telefonia.
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As operadoras disputam clientes com promoções agressivas, planos de entrada baratos e benefícios adicionais, em uma estratégia que, na visão do banco, afeta a rentabilidade das companhias.
No caso desse plano da TIM que estava sendo oferecido por R$ 20, por exemplo, havia pacote de internet de 20GB por mês, ligações e SMS. Agora, o plano mais em conta da operadora é R$ 30 por mês.
O WhatsApp grátis pode ser o próximo alvo
Na visão dos analistas, outro benefício que pode estar com os dias contados é o WhatsApp gratuito, oferecido nos planos pré-pagos da Claro.
O acesso ao aplicativo sem descontar do pacote de internet é usado como atrativo para os novos planos da Claro, porém, a estratégia já foi eliminada pela Vivo e pela TIM.
Para o banco, a retirada desse benefício seria mais um sinal de que as empresas estão dispostas a abrir mão de vantagens comerciais para preservar margens e elevar a receita por cliente.
Os planos de celular vão ficar mais caros?
Embora os analistas afirmem que ainda é cedo para dizer que os planos vão passar por uma onda de aumento de preços, o BofA acredita que o ambiente pode abrir espaço para reajustes.
Os analistas destacam que os reajustes podem acontecer principalmente nos planos pré-pagos e os híbridos de entrada, que são justamente os mais populares entre os clientes de menor renda e onde a competição costuma ser mais intensa.
A tendência é que os custos sejam repassados aos clientes por meio de preços mais altos ou de pacotes com menos benefícios incluídos.
Por enquanto, o banco ressalta que os movimentos da Vivo e da TIM ainda são insuficientes para representar um ciclo amplo de aumento de preços. Porém, a recomendação é acompanhar os próximos passos das empresas para entender se a mudança veio para ficar.
Mudança não foi suficiente para animar o banco
Apesar de considerar as mudanças recentes na TIM e na Vivo um “primeiro passo rumo à racionalidade”, o Bank of America se mantém pessimista sobre as ações das companhias listadas na bolsa.
Os analistas têm recomendação de venda para TIMS3 e VIVT3. “Continuamos a ver as ações como esticadas”, afirmaram.
Na visão do banco, os papéis estão sendo negociados a preços bastante elevados e já incorporam expectativas otimistas de crescimento dos resultados nos próximos anos.
Desde o início de 2026, as ações da TIM acumulam queda de 10,4% e as da Vivo desvalorizam 7,76%.
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