BofA corta apostas em bancos, mas vê espaço para alta em Itaú, BTG e mais 3 ações; veja quais
Bank of America reduziu as projeções de lucro para o setor, mas manteve algumas ações entre as preferidas para 2027; confira a lista

Menos crédito, mais provisões — mas também uma possível retomada dos mercados de capitais. Essa é a nova leitura do Bank of America (BofA) para o setor financeiro brasileiro, depois que o banco revisou suas projeções para a economia e para as empresas do segmento.
Os economistas do BofA passaram a projetar um crescimento mais fraco da economia brasileira, mas, ao mesmo tempo, uma trajetória mais rápida de queda dos juros em 2026 e 2027.
Essa combinação muda a conta para cada pedaço do setor financeiro.
Para os bancos e seguradoras, o cenário ficou mais apertado. O BofA reduziu as estimativas de lucro para a maioria das instituições, diante da expectativa de crescimento mais lento do crédito e de custos de risco mais elevados.
Já na outra ponta, empresas ligadas aos mercados de capitais, como B3 (B3SA3) e XP (XPBR31), ganharam espaço nas projeções. Na avaliação do banco, a queda dos juros pode ajudar a destravar a negociação de ativos e dar novo fôlego à atividade financeira.
O resultado é uma estratégia que combina ações mais defensivas com nomes que podem capturar uma eventual melhora do ambiente de mercado.
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Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) estão entre os preferidos do BofA, enquanto B3 e Bradesco (BBDC4) aparecem como alternativas mais sensíveis ao ciclo de queda dos juros.
A aposta vem depois de uma arrancada recente do setor na bolsa. As ações financeiras acumulam alta de 14% nos últimos 15 dias, acima dos 10% de avanço do Ibovespa no mesmo período.
Mas o banco vê espaço para mais oscilações pela frente. Com as eleições no horizonte, o BofA espera que a volatilidade continue elevada — o que ajuda a explicar a preferência por uma combinação de nomes defensivos e ações mais expostas à melhora do ciclo.
Menos PIB, mais cortes de juros: a nova conta do BofA para os bancos
O ponto de partida para a revisão foi uma mudança nas premissas macroeconômicas.
Os economistas do BofA agora projetam crescimento do PIB de 1,8% em 2026 e 0,9% em 2027, abaixo das estimativas anteriores de 2,3% e 1,3%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, esperam uma taxa Selic mais baixa nos dois anos: 13,25% em 2026 e 11,25% em 2027, contra 13,75% e 12,75% nas previsões anteriores.
Para os bancos, o primeiro efeito dessa combinação é negativo, segundo os analistas. Uma economia crescendo menos tende a limitar a expansão da carteira de crédito, enquanto um ambiente de maior risco mantém as provisões sob pressão.
Por isso, o BofA cortou suas estimativas de lucro para os bancos em 2% e 4% para 2026 e 2027, respectivamente. Ainda assim, o setor deve manter crescimento de lucros de 14% neste ano e 10% no próximo.
As fintechs continuam sendo uma exceção, segundo o banco. Mesmo após cortes nas projeções para PicPay e Inter, o BofA espera que essas empresas mantenham um ritmo de expansão superior ao dos bancos tradicionais: crescimento de 26% nos lucros em 2027, contra 9% dos bancões.
Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) sofrem cortes
Dentro do setor bancário, o Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) foram os que sofreram os maiores cortes nas estimativas.
No caso do BB, o BofA passou a projetar lucro líquido de R$ 17,6 bilhões em 2026, abaixo até do piso do guidance (projeção) da própria administração, de R$ 18 bilhões.
A mudança reflete principalmente a necessidade de provisões (o colchão dos bancos contra eventuas calotes) maiores, à medida que a deterioração da qualidade dos ativos deixou de estar restrita ao setor rural.
Para 2027, os analistas esperam uma recuperação relevante, com lucro líquido de R$ 23,6 bilhões. Mesmo assim, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) seria de apenas 12,2%, abaixo do custo de capital estimado pelo BofA.
Parte da incerteza está na reestruturação das dívidas rurais prevista pela Medida Provisória 1.376, que entrou em vigor no fim de agosto.
O BofA estima que o Banco do Brasil possa renegociar cerca de R$ 30 bilhões dos R$ 100 bilhões previstos no programa, mas considera difícil dimensionar o efeito sobre provisões e receitas de juros.
O banco também alerta que um eventual El Niño severo poderia adiar a melhora esperada para o segmento rural.
Com isso, o BofA manteve recomendação underperform, equivalente à venda, para o BB e reduziu o preço-alvo de R$ 21 para R$ 20, considerando agora o fim de 2027. A nova cifra implica uma desvalorização potencial de 10% frente ao último fechamento.
No Bradesco, a projeção de lucro para 2026 ficou praticamente inalterada, mas a estimativa para 2027 caiu 8%.
A expectativa é de que a recuperação dos resultados continue, porém em ritmo mais lento, diante de uma expansão mais moderada da carteira de crédito e da geração de receitas.
O banco espera uma aceleração no segundo semestre de 2027, quando as incertezas eleitorais diminuírem e os efeitos da queda dos juros começarem a aparecer com mais força.
Ainda assim, a ação é negociada a 1,03 vez o valor patrimonial — nível que, na avaliação do BofA, deixa uma relação de risco e retorno favorável.
Por isso, o banco manteve recomendação de compra, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 26 para R$ 23. O novo valor ainda representa potencial de alta de 30%.
Itaú e BTG escapam da tesoura
Enquanto isso, o Itaú Unibanco (ITUB4) e o BTG Pactual (BPAC11) passaram praticamente ilesos pela mudança de cenário.
No Itaú, a avaliação é de que a postura mais conservadora do banco na concessão de crédito, combinada ao balanço robusto e à carteira diversificada, deve limitar surpresas negativas e sustentar uma distribuição de capital consistente.
O BofA espera crescimento de lucro entre 8% e 9% ao ano e mantém recomendação de compra. O preço-alvo foi elevado de R$ 50 para R$ 51, alta potencial de 22%, refletindo a extensão da projeção para o fim de 2027.
No BTG, a expectativa também é de rentabilidade próxima de 25% em 2027.
Para os analistas, o modelo diversificado do banco e as sinergias que ainda estão por vir de aquisições recentes devem ajudar a compensar um ambiente mais difícil para Investment Banking, Sales & Trading e crédito.
Por isso, o preço-alvo subiu de R$ 68 para R$ 70, expansão de até 19% frente ao último fechamento, com recomendação de compra.
E as fintechs?
Entre os nomes digitais, a visão do BofA ficou mais seletiva.
As estimativas para o Nubank (ROXO34) permaneceram praticamente inalteradas. Os resultados do segundo trimestre vieram acima do esperado, com uma margem financeira ajustada ao risco mais forte, parcialmente beneficiada pelo programa Desenrola.
A administração também sinalizou que espera manter essa margem próxima de 12% nos próximos trimestres, o que ajudou na recuperação das ações, segundo os analistas.
Ainda assim, o BofA mantém cautela com o Nubank. A preocupação está na possível deterioração do custo de risco, dada a exposição elevada a crédito sem garantia para consumidores de baixa renda no Brasil, além de uma eventual desaceleração da carteira.
Os investimentos para construir a marca global também podem limitar ganhos de eficiência. Por isso, a recomendação continua sendo de venda, embora o preço-alvo tenha subido de US$ 10 para US$ 12, uma queda potencial de 23%.
No Inter, o banco reduziu as estimativas, principalmente por um crescimento mais lento da carteira e provisões maiores.
Ainda assim, o BofA espera que a instituição cresça mais de 20% ao ano em lucro, apoiada por uma expansão de dois dígitos do crédito, ganho de participação de mercado e alavancagem operacional.
Com as ações negociadas a 6,1 vezes o lucro estimado para 2027, o BofA considera o valuation atrativo e manteve recomendação de compra. O preço-alvo passou de US$ 10,40 para US$ 11,60, potencial de alta de 101%.
Já no PicPay (PAGS34), o banco manteve a recomendação de compra, mas reduziu o preço-alvo de US$ 27 para US$ 24, diante de uma visão mais conservadora para o volume de transações e de maiores despesas com provisões.
Apesar do corte, a expectativa ainda é de forte crescimento dos lucros, de 113% em 2026 e 107% em 2027, puxado pela expansão do crédito, maior venda cruzada e ganhos de eficiência.
Queda dos juros muda o jogo para B3 e XP
Se o cenário de crescimento mais fraco pesa sobre os bancos, a outra metade da equação — juros menores — abre espaço para alguns vencedores.
É o caso dos mercados de capitais. A expectativa é de que a volatilidade provocada pelo ambiente macroeconômico continue favorecendo empresas como a XP (XPBR31) e a B3 (B3SA3), enquanto a queda gradual dos juros ajuda a recuperar o volume de negociações.
Nos pagamentos, a história é um pouco mais equilibrada. Maiores provisões, crescimento de apenas um dígito baixo no volume total de pagamentos e competição intensa continuam pressionando os resultados de PagBank e Stone.
Por outro lado, a redução do custo de financiamento em um ciclo de afrouxamento monetário deve compensar parte dessas dificuldades.
As seguradoras, por sua vez, ficam em uma posição menos confortável com juros menores. A redução da taxa tende a pressionar a receita financeira e limitar o crescimento dos lucros.
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