Vale (VALE3) pode abraçar os panda bonds? Veja o que o CFO disse sobre a emissão de títulos na China
Vale (VALE3) avalia emitir panda bonds para captar em yuan e reforçar a presença na China, mercado que responde por cerca de 50% da receita

A Vale (VALE3) pode se aproximar ainda mais da China, dessa vez por meio de pandas. Não estamos falando dos mamíferos fofos, mas sim dos panda bonds, os títulos de dívida emitidos no país asiático.
Esses papéis são emitidos por governos, empresas ou instituições estrangeiras no mercado chinês e na moeda oficial do país, o yuan.
Por causa da importância do mercado chinês para a mineradora, o diretor financeiro disse que seria natural para a empresa acessar o mercado financeiro daquele país. A informação é do diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, em entrevista à Bloomberg.
"O que estamos fazendo é preparar a companhia para isso", disse Bacci, acrescentando que a emissão pode sair ainda neste ano.
Pouco depois, a companhia divulgou um fato relevante informando que não foi tomada qualquer decisão pela companhia acerca da emissão de títulos de dívida.
“Como parte de sua gestão financeira e planejamento estratégico, a companhia avalia continuamente alternativas de financiamento e oportunidades que possam contribuir para a criação de valor de longo prazo e para o desenvolvimento de seus negócios”, disse a empresa no comunicado.
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A dependência da mineradora do mercado chinês é bastante relevante. Cerca de 50% da receita da companhia vem da China, principal mercado consumidor do minério de ferro, seu principal produto.
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Projeto do governo brasileiro
Em junho, o governo brasileiro afirmou que pretendia captar cerca de 10 bilhões de yuans, ou US$ 1,48 bilhão, em panda bonds. A previsão é de que uma emissão ocorra ainda neste ano.
Em viagem à China, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou a carta de apresentação do país, o primeiro passo para essas emissões.
O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 já prevê a possibilidade de operações em diferentes moedas. O Brasil fez uma emissão internacional em euros em abril, segundo a Agência Brasil.
A iniciativa busca reduzir a dependência do mercado norte-americano e fortalecer as relações entre os dois países. Isso também reduz a dependência da dívida denominada em dólar.
Além do governo brasileiro, empresas nacionais também devem seguir esse movimento.
Para exportadoras com receitas ligadas à China, como Vale, Weg, JBS e Embraer, essas emissões podem fazer sentido. Agora, a Vale pode ser a primeira da fila.
A importância da diversificação com a Vale Base Metals
Ao mesmo tempo em que está de olho na China, a empresa busca diversificar seus negócios e fontes de receita.
Hoje, a concentração excessiva em um único produto e em um mercado chinês cujo crescimento já não inspira a mesma confiança trazem seus riscos.
Isso porque o país asiático já não compra minério de ferro como antes, por conta de uma crise imobiliária e transição para um modelo menos dependente da construção civil e infraestrutura, setores que mais consomem aço.
Por isso, a Vale Base Metals (VBM), que reúne os negócios de cobre, níquel e outros metais considerados estratégicos para a transição energética, passou a ocupar o centro dos planos de crescimento da Vale.
Para destravar valor, a Vale chegou a vender vendeu uma participação na unidade. Desde então, os preços desses minerais continuaram subindo.
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Isso fez acionistas considerarem a possibilidade de a companhia realizar um IPO da divisão. No entanto, essa não é a prioridade no momento, diz o CFO.
Na mesma entrevista à Bloomberg, Bacci diz que essa abertura de capital não é a prioridade para os próximos um a dois anos da mineradora.
Já em fato relevante divulgado nesta semana, a empresa diz que não há "qualquer decisão da administração da Vale ou da VBM envolvendo potencial oferta pública de ações ou qualquer outra transação específica relacionada à estrutura de capital da VBM". Ou seja, nem o IPO foi engavetado, nem deve sair no curto prazo.
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