Inter chega à Argentina com conta em dólar e acesso a Wall Street; veja o que está por trás da estratégia
Banco inicia operação nesta terça-feira em parceria com o Grupo BIND e aposta em investimentos internacionais como porta de entrada

O Inter poderia entrar na Argentina pela porta mais óbvia: disputar a conta bancária do consumidor local. Mas o banco escolheu começar por outro caminho — e, desta vez, o ponto de partida está nos dólares.
O banco anunciou nesta terça-feira (8) o início da operação no país vizinho em parceria com o Grupo BIND.
A primeira oferta combina uma conta local com acesso a investimentos internacionais e uma conta em dólares, permitindo que os clientes argentinos invistam em ativos dos Estados Unidos diretamente pelo aplicativo.
A proposta inclui ações, fundos de índice (ETFs) e títulos do Tesouro norte-americano, além de serviços como cartão de débito, transferências internacionais e eSIM.
O cliente também poderá adicionar pesos à conta por meio de um CVU local, usando a infraestrutura do BIND.
A estratégia permite ao Inter testar sua tese de expansão internacional sem precisar, neste primeiro momento, replicar na Argentina todo o modelo bancário que construiu no Brasil.
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“Nosso propósito é criar um mundo em que as interações entre as pessoas gerem mais valor. Na Argentina, isso significa conectar mais pessoas a oportunidades financeiras globais e tornar o investimento nos Estados Unidos cada vez mais simples”, afirmou João Vitor Menin, CEO global do Inter, em nota.
Segundo o executivo, a intenção é ampliar gradualmente a oferta no país.
“Nossa chegada à Argentina é um passo fundamental nessa trajetória. Queremos desenvolver uma oferta cada vez mais completa, que permita aos clientes gerenciar sua vida financeira de maneira intuitiva a partir de um único aplicativo, com acesso a soluções globais”, diz.
Inter vai atrás do dinheiro argentino em dólar
A conta global vem se tornando uma das principais peças da estratégia internacional do Inter.
No Brasil, o produto já ultrapassou 5 milhões de usuários. Agora, além de ampliar a base de clientes no exterior, o banco busca aumentar a quantidade de recursos que esses investidores mantêm fora do país.
É aí que a Argentina entra na estratégia. Para o Inter, o mercado argentino oferece uma demanda potencial por acesso a dólares e a investimentos internacionais.
A oportunidade, portanto, não está necessariamente em disputar de imediato a conta corrente do argentino com os bancos locais, mas em resolver uma necessidade financeira específica e, a partir dela, ampliar o relacionamento.
“Com nossa Conta Global de Investimentos, os argentinos poderão investir nos Estados Unidos de uma maneira muito mais simples, diretamente pelo celular”, afirma Santiago Stel, diretor financeiro (CFO) do Inter e country manager na Argentina.
- Confira aqui: Inter encontrou uma oportunidade bilionária ‘escondida’ na carteira dos próprios clientes — e ela está no exterior
Por que o Inter aposta em um parceiro local
Para colocar a operação de pé na Argentina, o Inter se associou ao Grupo BIND, instituição com atuação local em serviços financeiros e infraestrutura bancária.
O parceiro será responsável por fornecer a estrutura local necessária para conectar os clientes argentinos à plataforma internacional do Inter.
O BIND afirma processar transações de mais de 70% das carteiras digitais locais, alcançando mais de 20 milhões de usuários.
A parceria ajuda a enfrentar uma das principais dificuldades de levar uma plataforma financeira de um país para outro: adaptar a operação à regulação e à infraestrutura de pagamentos locais.
Para o Inter, a estrutura também permite testar a aceitação da proposta antes de ampliar o cardápio de produtos.
A Argentina passa, assim, a ser a segunda frente da estratégia global que o banco vem construindo depois dos Estados Unidos.
A operação internacional começou com foco nos brasileiros que vivem, viajam ou investem no exterior e agora ganha um novo mercado na América Latina.
Em entrevista anterior ao Seu Dinheiro, Stel já havia indicado que a Argentina seria um dos primeiros mercados para testar essa estratégia. A ideia, segundo o executivo, era fazer Estados Unidos e Argentina antes de pensar em outras geografias.
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