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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

A FATURA DA FRAUDE

Investidores da Americanas (AMER3) cobram R$ 12,8 bilhões e tentam fazer ex-controladores pagarem a conta da fraude

Acionistas alegam prejuízos causados por demonstrações financeiras fraudadas e pedem responsabilização após o colapso da empresa, em 2023

Camille Lima
Camille Lima
3 de fevereiro de 2026
10:03 - atualizado às 9:36
Logo da Lojas Americanas com gráfico de cotação de ações no fundo
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

A Americanas (AMER3) já soprou três velas de aniversário desde a fraude multibilionária, mas os estragos seguem longe de serem superados. Nesta semana, um grupo de investidores da varejista levou adiante mais uma ofensiva judicial, com uma nova arbitragem de R$ 12,8 bilhões.

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O objetivo dos investidores é buscar reparação pelos danos causados após o rombo contábil de mais de R$ 25 bilhões, revelado no início de 2023.

A ação não mira apenas a companhia. No centro do processo estão também Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, acionistas de referência e antigos controladores da Americanas até 2021, além de ex-executivos e membros da alta administração. 

Segundo comunicado da própria Americanas, a arbitragem é liderada por Charles Xavier Gois Dantas, Fabiana dos Reis Saorin, Francisco Airton Duarte Filho, Francisco Rubens Leite Coringa e Naiguel Sassi.  

Trata-se da terceira iniciativa desse tipo movida por investidores desde a explosão do escândalo. 

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O que pedem os investidores na arbitragem

O grupo pede ressarcimento e indenização por perdas sofridas após a divulgação das inconsistências contábeis, que fizeram as ações da companhia despencarem cerca de 99% na B3 em relação à abertura de capital. 

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No pedido, os investidores afirmam ter sido induzidos a erro por demonstrações financeiras fraudadas e buscam a condenação da Americanas e de seus acionistas de referência ao pagamento de indenizações por prejuízos diretos. 

A tese central é de que, entre 2013 e o fim de 2023, os acionistas pagaram valores excessivos pelas ações, baseados em informações que não refletiam a real situação econômico-financeira da empresa.  

Segundo os investidores, o preço correto dos papéis teria sido significativamente menor se o rombo já fosse conhecido pelo mercado. 

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Além da companhia, o grupo pede que determinados acionistas de referência respondam solidariamente pelos danos, com a devolução de supostas vantagens indevidamente percebidas ao longo dos anos.  

Também pedem a responsabilização de membros do conselho de administração e do conselho fiscal. 

Três anos do caso Americanas (AMER3): como a fraude veio à tona 

O ponto de virada na Americanas ocorreu em 11 de janeiro de 2023, quando a varejista comunicou ao mercado a existência de “inconsistências contábeis” nos resultados.  

Após sucessivos adiamentos na divulgação do balanço, o tamanho do problema ficou claro: um rombo estimado inicialmente em R$ 25,2 bilhões. 

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O que havia sido anunciado como o “maior lucro da história” da empresa em 2021 se transformou em um prejuízo líquido superior a R$ 6 bilhões, com perdas adicionais se acumulando nos meses que se seguiram. 

A revelação levou a companhia à recuperação judicial, desencadeou uma fuga de investidores e expôs fragilidades profundas nos mecanismos de controle e governança da empresa. 

As investigações indicaram que a diretoria anterior teria manipulado demonstrações financeiras e ocultado informações relevantes tanto do conselho de administração quanto do mercado.  

Em março de 2025, a própria Americanas ingressou com um processo arbitral contra o ex-CEO e outros três executivos envolvidos diretamente na fraude. Em paralelo, o caso seguiu se desdobrando em diferentes frentes regulatórias e judiciais. 

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Mais de três anos depois, o caso Americanas permanece como um problema em aberto: investigações em andamento, disputas por ressarcimento, sanções ainda sem desfecho e uma empresa que tenta se reerguer em um setor cada vez mais competitivo. 

No fim de janeiro deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu dois novos inquéritos administrativos, aprofundando a investigação sobre responsabilidades no escândalo. 

O primeiro apura a atuação de bancos, administradores e intermediários que mantinham relações comerciais com a Americanas. O segundo foca no papel de membros dos conselhos de administração e fiscal, além de integrantes de comitês de assessoramento.  

Além de abrir novos inquéritos, a CVM concluiu uma investigação iniciada em 2023 sobre as inconsistências contábeis e abriu um processo administrativo sancionador, no qual a Americanas e ex-executivos, administradores e conselheiros passaram a responder formalmente por infrações no mercado de capitais. 

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