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A companhia tem uma dívida considerada impagável, de R$ 2,7 bilhões, praticamente o dobro do seu valor de mercado
O Grupo Pão de Açúcar (GPA, PCAR3) foi na contramão do Ibovespa e caiu forte nesta quinta-feira (19): -9,82%, a R$ 3,03. O principal índice da bolsa brasileira, por sua vez, subiu 1,15%, depois de renovar máximas intradia, terminando a sessão aos 188.156,92 pontos.
Segundo o Brazil Journal, a varejista de alimentos precisa de uma injeção de capital para se manter de pé, entre R$ 500 e R$ 700 milhões, mas isso ainda não deve ser discutido pela diretoria.
Isso porque ela tem uma dívida considerada impagável de R$ 2,7 bilhões, praticamente o dobro do seu valor de mercado, de R$ 1,5 bilhão.
Esse reforço diluiria a participação da francesa Casino na varejista, que tenta vender sua fatia na brasileira e reduzir seu próprio endividamento.
A empresa teve três CEOs em pouco mais de quatro meses. O atual, Alexandre Santoro, assumiu em janeiro, no lugar de Rafael Sirotsky Russowsky, o diretor financeiro e de relações com investidores que ocupava a posição interinamente desde outubro, quando Marcelo Pimentel renunciou ao cargo.
Pouquíssimos dias depois, Sirotsky Russowsky renunciou ao cargo, passando as funções de CFO para o novato Santoro.
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Santoro deixou o cargo de CEO na Internacional Meal Company (IMC) — dona das redes Frango Assado, Pizza Hut, KFC e outras — para assumir o comando do GPA. Ele herda bombas financeiras, dívidas impagáveis e necessidade de injeção de mais dinheiro, já que Russowsky liderava o processo de desalavancagem e as negociações tributárias com o fisco.
Com queima de caixa acumulada por diversos trimestres, as dívidas foram se avolumando e, hoje, são descritas como “impagáveis”. Esse valor ficou em R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, dado mais recente da companhia.
Para lidar com essa bomba, a varejista contratou a unidade de “melhoria de performance” da consultoria Alvarez & Marsal, conhecida por recuperar empresas em dificuldade.
Entre os objetivos do GPA está a redução do investimento neste ano para entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões ante R$ 693 milhões desembolsados nos 12 meses até o final de setembro de 2025. O plano também prevê um corte de despesas operacionais de pelo menos R$ 415 milhões em 2026.
As mudanças na alta liderança no Pão de Açúcar ocorrem em meio ao avanço da família Coelho Diniz na companhia, diante da aparente intenção do grupo mineiro — sem qualquer relação com o bilionário falecido e ex-controlador Abilio Diniz — de priorizar a nomeação de executivos de confiança na empresa da qual agora é o maior acionista.
Em agosto do ano passado, eles elevaram a participação para 24,6% do capital do GPA, tornando-se os maiores acionistas do GPA, superando a francesa Segisor, com pouco mais de 20% do capital. Aliás, o Casino está tentando deixar de vez a participação na varejista, em recuperação judicial na França.
Cabe lembrar que, em seu auge, o GPA detinha controle sobre uma série de marcas relevantes no varejo brasileiro. Entre elas, destacam-se Pão de Açúcar, Extra, Assaí, Minuto Pão de Açúcar, Drogaria Extra e a participação na Via Varejo, que reunia Casas Bahia e Ponto Frio.
Tudo isso foi sendo vendido para tentar conter a sangria do então controlador francês da marca, o Casino, que mergulhou em dívidas lá fora e foi usando os ativos brasileiros para pagar a conta.
Assim, o Pão de Açúcar, que já sofria com a concorrência forte de hortifrutis e da própria Oxxo diante da bandeira Minuto, foi ficando de escanteio nas vendas e acumulando problemas que antes eram do grupo como um todo.
As mudanças na estatal ocorrem por conta das eleições de outubro, já que quem for se candidatar precisa deixar os cargos no Executivo até hoje (4)
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