“Sem recursos para despesas básicas”: Braskem (BRKM5) diz à Justiça que dívida de R$ 2,7 bi poderia virar R$ 54 bi
Companhia conseguiu suspender cobranças por 60 dias e diz que quitar R$ 2,7 bilhões em julho comprometeria sua liquidez

A Braskem (BRKM5) recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão que suspende temporariamente a cobrança de parte de suas dívidas. Em comunicado ao mercado na noite desta sexta-feira (26), a petroquímica detalhou os motivos do pedido e alertou para o impacto que teria de arcar com os pagamentos.
Segundo a companhia, o vencimento de R$ 2,7 bilhões em dívidas previsto para julho poderia desencadear cláusulas de vencimento antecipado de aproximadamente R$ 54 bilhões em obrigações financeiras. A cobrança foi iniciada pelo Banco Safra.
Nos documentos apresentados à Justiça, a Braskem afirma que o desembolso colocaria em risco sua liquidez, comprometendo recursos necessários para custear despesas operacionais e até o pagamento de salários, o que inviabilizaria qualquer tentativa de reestruturação financeira.
A empresa também atribui o agravamento de sua situação financeira a uma combinação de fatores, incluindo o prolongado ciclo de baixa da indústria petroquímica global, o elevado passivo relacionado ao evento geológico de Alagoas e as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A medida concedida pela Justiça não configura um pedido de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar que suspende, por 60 dias, cobranças e execuções de determinados credores, permitindo que a companhia negocie uma reestruturação de sua dívida.
O plano para resolver o problema da dívida
A blindagem judicial faz parte de uma estratégia mais ampla para reorganizar a estrutura financeira da petroquímica.
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Paralelamente à mediação, a Braskem tenta convencer outros credores a aderirem ao Projeto Catalyst, plano de recuperação extrajudicial que busca reorganizar mais de US$ 3 bilhões em vencimentos concentrados entre julho deste ano e dezembro de 2027.
A proposta prevê a extensão dos prazos de pagamento em cinco anos, redução das taxas de juros e a possibilidade de quitar os encargos por meio do mecanismo PIK (Payment-in-Kind) até o fim de 2028, preservando caixa durante um momento apertado para a indústria petroquímica global.
A resposta dos credores, porém, esteve longe de ser positiva. O grupo ad hoc de credores classificou o plano como "totalmente insatisfatório" e chamou de "inaudita" a proposta de reduzir os juros em uma reestruturação corporativa.
A contraproposta dos investidores prevê remuneração maior, restrições ao uso de caixa e uma participação dos acionistas no esforço para reduzir o endividamento.
Por sua vez, a Braskem rejeitou os termos apresentados pelos credores, afirmando que a proposta não atende aos interesses da companhia nem de seus stakeholders.
Ações da Braskem caem após revisão do Citi
As ações BRKM5 chegaram a despencar quase 15% nesta sexta-feira, movimento intensificado após o Citi rebaixar sua recomendação para venda.
“Nossa tese anterior, de recomendação neutra, baseava-se na expectativa de uma recuperação cíclica do setor e de uma resolução clara sobre o controle acionário da empresa. No entanto, esse cenário deixou de ser sustentável”, afirmou o banco.
Na avaliação do Citi, a perspectiva financeira da Braskem segue pressionada por spreads mais fracos e maior necessidade de capital de giro, o que deve resultar em fluxo de caixa livre (FCF) negativo e ampliar a pressão sobre o balanço patrimonial.
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