Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
As ações da Hypera (HYPE3) estão entre as poucas a registrar desempenho positivo no Ibovespa; balanço do terceiro trimestre de 2026 foi bem recebido pelo mercado

As ações da Hypera Pharma (HYPE3) operam entre as poucas altas do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (28), após a farmacêutica divulgar resultados do terceiro trimestre de 2026 e reforçar a visão de que a caneta para emagrecimento Semavy pode se tornar um importante motor de crescimento para a companhia.
Por volta de 13h20 (horário de Brasília), os papéis avançavam 1,82%, a R$ 21,84. Na máxima do dia, chegaram a subir 5,22%, em um pregão de forte aversão ao risco para o mercado brasileiro.
A Hypera reportou lucro líquido de R$ 527 milhões entre julho e setembro, alta de 16,1% na comparação anual. O Ebitda somou R$ 782,3 milhões, crescimento de 3,4%, enquanto a receita líquida avançou 9,4%, para R$ 2,44 bilhões.
No trimestre, dois fatores ganharam destaque em um balanço lido como sólido por analistas: dívida menor e o efeito da caneta emagrecedora no futuro da companhia.
BTG vê trimestre sem surpresas, mas destaca dívida menor
Para o BTG Pactual, os números vieram praticamente em linha com as expectativas. O principal ponto positivo ficou por conta da redução da dívida líquida, que encerrou o trimestre em R$ 5,61 bilhões e ficou ligeiramente abaixo do esperado pelos analistas.
Apesar dos avanços na desalavancagem e na gestão de capital de giro, o banco manteve postura cautelosa em relação à ação.
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"Embora reconheçamos os avanços recentes da companhia na gestão do capital de giro e na desalavancagem, continuamos com dificuldade para enxergar uma trajetória consistente de crescimento do Ebitda na Hypera, particularmente diante da limitada alavancagem operacional observada nos últimos trimestres", afirmam os analistas.
O BTG também cita riscos de execução relacionados ao processo de redução do endividamento, especialmente em um cenário de juros elevados por mais tempo.
Após atualizar seu modelo, o banco elevou o preço-alvo de R$ 24 para R$ 25 por ação e manteve recomendação neutra para os papéis.
Caneta emagrecedora no radar
Se o BTG preferiu destacar a desalavancagem, o Itaú BBA enxergou outro elemento ganhando relevância na tese: o avanço do Semavy.
Segundo os analistas, os primeiros sinais de contribuição da caneta para emagrecimento já aparecem nos indicadores de sell-out, que medem as vendas do varejo ao consumidor final.
A avaliação do banco é que o produto deve continuar impulsionando o desempenho da Hypera nos próximos trimestres.
Mesmo com o aumento das despesas de marketing associadas ao lançamento, a rentabilidade surpreendeu positivamente. A margem Ebitda ficou acima das projeções do BBA, enquanto as iniciativas de gestão de passivos, incluindo emissões de dívida mais baratas e resgates de debêntures, ajudaram a impulsionar o resultado final.
Outro destaque foi o FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista), que atingiu R$ 321 milhões e reforçou a trajetória de desalavancagem da companhia.
"Vemos uma tese de investimento sólida para a Hypera após um trimestre forte, com os primeiros sinais de contribuição positiva do Semavy tanto para o sell-out quanto para o crescimento das receitas, além de uma robusta geração de FCFE", avalia o banco.
Os dois gatilhos para a Hypera
Na visão do Itaú BBA, dois fatores devem concentrar a atenção dos investidores daqui para frente: o crescimento do mercado de medicamentos à base de GLP-1, categoria das chamadas canetas emagrecedoras, e a continuidade da desalavancagem financeira.
Com múltiplo de apenas 7 vezes lucro estimado para 2027, a casa considera a ação atrativa em relação ao histórico da companhia e mantém recomendação Outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 33.
A XP Investimentos segue linha semelhante. Para a corretora, o mercado deve acompanhar cada vez mais de perto o ramp-up da operação de GLP-1, considerado hoje o principal catalisador de curto prazo para a ação.
Os analistas acreditam que os dados mensais de vendas do Sindusfarma/IQVIA ajudarão a dar mais visibilidade à evolução do Semavy e podem sustentar uma aceleração nos resultados ao longo do quarto trimestre.
"Continuamos considerando a Hypera uma de nossas companhias preferidas entre as empresas sob cobertura e reiteramos nossa recomendação de compra", afirma a XP.
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