Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
Veja como os indicadores de crédito se comportaram no 3T26 e o que eles revelam sobre a capacidade de o banco continuar avançando na recuperação

O Bradesco (BBDC4) vem reconstruindo seus resultados trimestre após trimestre, mas a recuperação do banco ainda precisa passar por um teste importante: provar outra vez que o lucro maior vem acompanhado de rentabilidade mais forte e de uma carteira de crédito saudável. No balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26), o mercado busca sinais de que o avanço dos ganhos será novamente corroído pelo custo da inadimplência.
O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no período, em linha com o esperado pelo mercado, de R$ 7,145 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg. Trata-se de avanço de 14,6% na comparação anual e de 0,8% frente ao trimestre passado.
“Nosso lucro líquido cresceu mais uma vez com expansão das receitas, controle das despesas e boa gestão de risco. Estamos mais capitalizados, aproveitando oportunidades e investindo na organização”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, em nota à imprensa.
Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), um dos principais termômetros da rentabilidade da operação, ficou em 16,1%, levemente acima das projeções, de 15,9%.
Com isso, o Bradesco completa o 11º trimestre consecutivo de melhora desde o início do turnaround.
Bradesco quer crescimento com qualidade
A carteira de crédito expandida do Bradesco cresceu 11,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 1,1% frente ao trimestre anterior, alcançando R$ 1,15 trilhão.
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No último trimestre, o crescimento do portfólio foi puxado por linhas garantidas, com crescimento da participação de empréstimos imobiliários, veículos, avais e fianças e títulos e valores mobiliários (TVMs).
“Apresentamos mais uma vez boa tração comercial e boa gestão de risco, que nos levaram a priorizar ainda mais o crédito com colateral, clientes com bons ratings e receitas não oriundas de crédito", diz o presidente do Bradesco.
No trimestre, Noronha cita como destaques positivos os produtos de tesouraria para clientes e as receitas de serviços, como gestão de recursos, mercado de capitais e consórcios.
"As iniciativas da transformação do banco estão aumentando a nossa competitividade; prova disso também foi o nosso desempenho na carteira de veículos”, acrescentou.
O preço dos calotes no balanço
A inadimplência continua entre os principais pontos de atenção para os investidores. Mesmo com uma postura mais conservadora na concessão de empréstimos, o Bradesco precisa mostrar que consegue expandir os negócios sem comprometer a qualidade da carteira de crédito.
O banco admite que a deterioração do cenário macroeconômico continua, com juros ainda elevados e economia desacelerando, comprometimento de renda das pessoas físicas alto e condições financeiras apertadas para empresas e pessoas.
"O mercado de crédito está mais restrito. A taxa de juros se mantém em patamar elevado e a economia desacelera. É cenário desafiador para todos. Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas”, disse o CEO.
Ainda assim, no terceiro trimestre, a inadimplência teve leve expansão. O índice de atrasos superiores a 90 dias avançou 0,5 ponto percentual na comparação anual e 0,3 p.p. em relação ao trimestre anterior, encerrando o período em 4,6%.
O indicador ajuda a dimensionar a parcela dos empréstimos vencidos há mais tempo. Mas a conta não termina aí: quando aumenta o risco de calote, o banco também precisa reservar mais recursos para cobrir perdas futuras, pressionando o resultado.
É nesse ponto que entram as despesas com provisões para perdas no crédito (PDD). No 3T26, elas dispararam 24,3% em relação ao mesmo período de 2025 e avançaram 6,6% na comparação trimestral, totalizando R$ 10,6 bilhões.
De onde vem o resultado do Bradesco
Além do risco de crédito, a evolução das margens ajuda a explicar o desempenho operacional do banco. A margem financeira do Bradesco, que reflete o resultado das operações financeiras, somou R$ 21,3 bilhões no trimestre, com alta de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Dentro desse total, a margem financeira com clientes, ligada principalmente às operações bancárias com a clientela, cresceu 10,1%, alcançando R$ 20,5 bilhões. A linha ajuda a acompanhar a contribuição dos negócios tradicionais do banco para o resultado.
Já a margem financeira com o mercado, relacionada às operações de tesouraria e à exposição a movimentos de mercado, somou R$ 875 milhões no trimestre. Trata-se de uma disparada de 783% na comparação com os R$ 99 mihlões registrados há um ano e de 30% frente ao trimestre anterior.
*Conteúdo em atualização.
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