Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%
O banco gosta da empresa, mas projeta que boa parte da alta já foi incorporada no papel; entenda a tese por trás das mudanças

Quem já pegou estrada em feriado prolongado sabe que a hora de partir muda tudo: quem sai cedo encontra a pista livre, quem deixa para depois encara fila no pedágio e anda bem mais devagar. E foi mais ou menos isso que aconteceu com a Motiva (MOTV3).
Para o Citi, o trecho mais tranquilo da viagem as ações da maior operadora de rodovias pedagiadas do país ficou para trás. Depois da alta recente dos papéis com as eleições, o banco cortou a recomendação de compra e passou para neutra.
Tem um detalhe curioso. Na mesma revisão, o Citi aumentou o preço-alvo da antiga CCR de R$ 16,60 para R$ 20,40. Parece contraditório, mas não é: a empresa vale mais, só que a ação subiu tanto que o espaço para novos ganhos encolheu.
Os juros e o preço-alvo da Motiva
O terceiro trimestre de 2026 não foi dos melhores para a concessionária. O tráfego nas rodovias foi mais fraco e o Citi passou a esperar um Produto Interno Bruto (PIB) menor, o que reduziu um pouco as projeções de lucro.
O que puxou o preço-alvo para cima foi a queda dos juros. Para chegar aos R$ 20,40, o banco calculou o valor da empresa com base nos fluxos de caixa de todos os contratos de concessão até o vencimento, sem valor residual.
O cálculo usa um custo de capital próprio de 13,5%.
Leia Também
O que pesou na recomendação da Motiva
O Citi continua otimista com a Motiva. O banco elogia os fundamentos e vê espaço para a empresa seguir melhorando o portfólio. A questão é o preço.
Hoje, a ação oferece um retorno real estimado de 8,2% ao ano. É só 1,3 ponto percentual acima dos juros reais dos títulos públicos, uma diferença perto das mínimas históricas.
Em outras palavras, o investidor ganha pouco a mais para assumir o risco da ação em vez de ficar no título do governo.
Além do preço, o Citi aponta outros dois motivos para frear o otimismo.
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
Quando ser bom pagador limita os ganhos
O primeiro motivo é, curiosamente, uma qualidade da empresa. A Motiva tem dívida menor do que as outras concessionárias de rodovias, e deve cair ainda mais com a venda da divisão de aeroportos. A operação deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026 e render R$ 5,2 bilhões em caixa.
Com as contas em ordem, a empresa consegue pegar dinheiro emprestado mais barato do que os concorrentes. Isso ajudou bastante nos tempos de Selic alta.
Agora que os juros caem, porém, Motiva tem pouco a ganhar trocando dívidas antigas por novas mais baratas, porque já paga pouco.
Segundo o Citi, só 21% da dívida atrelada à inflação da Motiva paga taxa igual ou maior que os juros de longo prazo dos títulos públicos, considerando operações de swap.
Por isso, a ação reage menos aos juros do que a de outras concessionárias — cai menos quando as taxas sobem, mas também sobe menos quando elas caem.
Aditivos atrasados e com novas contas
Os aditivos contratuais das concessões SPVias e AutoBAn e das Linhas 5 e 17 do metrô de São Paulo são o segundo motivo citado pelo Citi.
Quando colocou a Motiva na lista de compras, o banco apontou esses acordos como uma possível fonte de valor para o acionista.
Agora o cenário mudou. O dinheiro extra que a empresa recebe com os aditivos é calculado com base no custo da dívida, mais exatamente na média de 60 dias dos juros reais dos títulos públicos.
Com juros mais baixos, as condições dos acordos devem ser revistas para menos.
Também há atraso. A aprovação dos aditivos está demorando mais do que o banco esperava, e parte deles deve ficar para o primeiro semestre de 2027.
Refeitas as contas, o Citi concluiu que o valor gerado pelos aditivos ficou parecido com o da análise anterior: a empresa recebe menos, mas também gasta menos para se financiar.
Só que, com a ação mais cara, o potencial de alta diminui, e o retorno adicional segue apertado mesmo com todos os aditivos na conta.
O que pode dar errado (ou certo)
Entre os riscos que podem impedir a ação da Motiva de chegar ao preço-alvo, o Citi lista:
- Decisões desfavoráveis de governos federal ou estaduais;
- A gestão não cumprir as metas de retorno aos acionistas;
- Pagar caro demais por novos ativos;
- Alta no custo de materiais como asfalto e concreto;
- Uma economia fraca ou com juros muito altos.
Por outro lado, aquisições que gerem valor, ajustes vantajosos no portfólio, uma economia mais forte e juros ainda mais baixos podem levar a ação além dos R$ 20,40.
A Motiva de hoje
Desde a mudança parcial no grupo de controle em 2022, a Motiva deixou de crescer comprando ativos. O foco agora é cuidar bem do que já tem: cortar custos, ajustar contratos e devolver mais dinheiro aos acionistas.
Além das rodovias, a companhia opera trens de passageiros e aeroportos no Brasil e tem participações em aeroportos no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.
TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?
Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%
20 de outubro de 2026 - 16:25Saiu caro demais?
Ânima (ANIM3) fecha parceria com o Einstein, mas preço acende alerta entre analistas e ações caem mais de 11% na B3; entenda
20 de outubro de 2026 - 16:09PRÉVIA DOS BALANÇOS
Nem todo bancão vai sair ileso: o que esperar dos balanços de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil no 3T26
20 de outubro de 2026 - 6:12CONTA EM ABERTO
Raízen (RAIZ4): recuperação extrajudicial avançou, mas credores estão longe de saber quanto vão recuperar no fim do processo, diz BB Investimentos
17 de outubro de 2026 - 15:02NOVA FASE
Tem ações da Braskem? Nova oferta da controladora permite venda dos papéis, mas nem todo acionista pode participar; entenda
17 de outubro de 2026 - 11:01FIQUE POR DENTRO
A noite na bolsa: os anúncios de Cosan (CSAN3), Rede D´Or (RDOR3), XP(XPBR31) e mais
16 de outubro de 2026 - 19:51APOSTA RENOVADA
O Itaú (ITUB4) quer mais energia: bancão injeta mais R$ 1,77 bilhão em subsidiária da Eneva (ENEV3)
16 de outubro de 2026 - 11:09FORA DE CIRCULAÇÃO
Banco Central decreta liquidação da cooperativa de crédito Credipaiva após “grave violação” de regras
16 de outubro de 2026 - 9:26MERCADO EM EXPANSÃO
Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
15 de outubro de 2026 - 17:10DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS
Black Friday 60% maior: como o iFood quer provar de vez que não é mais um aplicativo de entregas de refeições
15 de outubro de 2026 - 16:35ATENÇÃO, INVESTIDOR