A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
A pressão sobre as margens acende um alerta para quem investe na fabricante, já que os custos maiores devem persistir nos próximos meses; veja o que pode ajudar a WEG a proteger a rentabilidade

O avanço dos custos de matérias-primas, como cobre e aço, e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos pressionaram as margens da WEG (WEGE3) no terceiro trimestre de 2026. E o cenário não deve mudar tão cedo: segundo a administração, esses fatores continuarão no radar da fabricante de motores elétricos e equipamentos de geração de energia nos próximos meses.
Em teleconferência de resultados realizada nesta quinta-feira (22), o vice-presidente administrativo e financeiro da companhia, André Rodrigues, afirmou que, apesar da queda na rentabilidade em relação ao segundo trimestre, a margem permaneceu dentro das expectativas e em um patamar considerado elevado pela empresa.
“É sempre bom reforçar que as variações de margens entre trimestres ocorrem. Por isso, a gente sempre analisa o comportamento da margem por um período maior. […] Mesmo com a margem apresentando uma queda comparada com o segundo trimestre de 2026, ela está dentro da expectativa e num patamar que consideramos elevado”.
Entre julho e setembro, a WEG registrou lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, alta de 0,9% na comparação anual. O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 2,34 bilhões, avanço de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025. A margem Ebitda, por sua vez, recuou 0,6 ponto percentual, para 21,6%.
O mercado reagiu negativamente aos números, mas a avaliação de analistas foi de um trimestre neutro para a fabricante de motores elétricos e equipamentos de geração de energia.
Cobre, aço e tarifas dos EUA: o que pressiona as margens da WEG
Além do encarecimento das matérias-primas e das tarifas de importação, a rentabilidade da WEG foi afetada pelas despesas pré-operacionais das novas fábricas. Segundo a administração, esses fatores devem continuar pressionando os resultados no curto prazo.
A estratégia para amenizar os efeitos passa por ganhos de produtividade, eficiência operacional e redução de custos. A companhia também considera rever condições comerciais para repassar parte dos aumentos aos clientes, conforme as condições de mercado.
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“Todos esses ofensores que a gente enfrentou no terceiro trimestre vão continuar. Cabe à WEG trabalhar constantemente em ganhos de produtividade, melhorias de custo e operacionais para mitigar esses impactos. Eventualmente, considerando as condições de mercado, acordos comerciais podem ser reavaliados”, afirmou Rodrigues.
Frete mais caro e novas fábricas entram na conta
As oscilações dos custos de transporte estão no radar da administração, que chamou atenção para a instabilidade global, influenciada por questões geopolíticas e pela necessidade de mudanças nas rotas utilizadas para transportar matérias-primas e produtos.
Nesse cenário, os contratos de longo prazo com transportadoras ajudam a reduzir a exposição da WEG às variações do frete, embora não eliminem completamente seus efeitos.
“Isso acaba impactando, mas nós temos contratos de longo prazo com as empresas que transportam os nossos produtos, o que ajuda a mitigar um pouco esse cenário adverso”, disse Rodrigues.
A entrada em operação das novas unidades no México e na Colômbia, prevista para o primeiro trimestre de 2027, também faz parte do cenário acompanhado pela companhia. A expansão envolve despesas pré-operacionais, que tendem a se normalizar à medida que as fábricas avancem em sua operação.
A expectativa, no entanto, não é de que as pressões sobre os custos desapareçam imediatamente. A estratégia é buscar ganhos operacionais e adaptar as condições comerciais para preservar a rentabilidade ao longo do tempo.
Como está a demanda da WEG no Brasil
Olhando para o Brasil, a WEG sentiu fraqueza nos equipamentos de ciclo curto, em um ambiente marcado por juros elevados e incertezas relacionadas às eleições.
Os motores comerciais e os equipamentos destinados a eletrodomésticos registraram queda de 6,8% na comparação anual. A administração ressaltou, porém, que a visibilidade desse mercado é limitada, já que a carteira de pedidos costuma cobrir apenas um ou dois meses.
O cenário é diferente em outras frentes. Na geração, transmissão e distribuição de energia (GTD), os negócios domésticos avançaram 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda que a energia solar ainda apresente retração, a queda perdeu intensidade em relação ao primeiro semestre, enquanto a transmissão e distribuição continuaram mostrando desempenho robusto.
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