Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
O Citi iniciou a cobertura para as ações da OceanPact, de olho na experiência da companhia para enfrentar um cenário complexo

A OceanPact (OPCT3), empresa brasileira especializada em serviços marítimos, entrou no radar do Citi. O banco iniciou a cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13 por ação, o que representa um potencial de valorização de 48,2% em relação ao fechamento da última segunda-feira (26).
Apesar de ainda enxergar desafios para o mercado de embarcações de apoio offshore, os analistas acreditam que a OceanPact está em uma posição privilegiada para atravessar esse cenário.
Na leitura dos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, trata-se de um setor no qual "um marinheiro experiente será capaz de navegar" — e esse é o caso da companhia.
A avaliação parte da divisão do mercado em dois grupos: de um lado, empresas com frotas envelhecidas e pouca capacidade financeira para reinvestir, de outro, operadores com escala e balanços mais robustos. É nesse segundo grupo que a OceanPact se destaca.
Vale lembrar que, após a combinação de negócios com a CBO, concluída em setembro, a companhia passou a deter a maior frota de embarcações de apoio offshore de bandeira brasileira, com 73 navios.
Mercado apertado pode jogar a favor da companhia
Na visão do Citi, a demanda por embarcações de apoio offshore (OSVs) deve continuar forte nos próximos anos, impulsionada pelos projetos de exploração, produção e descomissionamento da Petrobras (PETR4).
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Ao mesmo tempo, a oferta tende a permanecer limitada. Os analistas ponderam que as condições econômicas para novas construções seguem desafiadoras, enquanto as exigências de conteúdo local dificultam a entrada de novos concorrentes. O resultado é um ambiente favorável para reajustes de preços.
Como exemplo, a diária média das embarcações da CBO saltou de cerca de US$ 27 mil em 2020 para aproximadamente US$ 39 mil no segundo trimestre de 2026. Além disso, parte relevante da frota combinada ainda terá contratos reajustados até 2028, abrindo espaço para capturar tarifas mais elevadas.
Os três pilares da tese da OceanPact
Para o Citi, a recomendação de compra se apoia em três fatores principais. O primeiro é a existência de uma base contratada robusta, com potencial de aumento de receitas à medida que os contratos forem renovados em níveis de preços mais altos.
O segundo é a proteção oferecida pela bandeira brasileira. A barreira regulatória tende a limitar a entrada de embarcações internacionais, fortalecendo a posição dos operadores locais.
Os analistas também enxergam opcionalidade nos negócios de serviços submarinos e descomissionamento. A expectativa é que a companhia consiga capturar parte da demanda gerada pelo amplo cronograma de projetos da Petrobras nos próximos anos.
Fusão com a CBO reforça a tese
A fusão da OceanPact com a CBO, concluída em setembro deste ano, não passa despercebida pelo Citi.
Além de adicionar 45 embarcações à operação e ampliar significativamente a escala da companhia, a transação deve gerar sinergias estimadas em R$ 66 milhões em fluxo de caixa livre (FCF) em 2027.
Para o banco, a combinação cria uma empresa mais competitiva justamente em um momento em que a oferta de embarcações segue restrita e a demanda da indústria offshore continua crescendo.
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