CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
Venda da CSN Cimentos pode reduzir a dívida da CSN e destravar valor para a ação; Huaxin e Votorantim disputam o ativo, diz relatório

A CSN (CSNA3) deve assinar, nas próximas duas semanas, o acordo que formaliza a venda de sua divisão de cimentos. Segundo o jornal Valor Econômico, as negociações seguem sem exclusividade, e a companhia deve escolher a proposta de maior valor.
Entre os principais interessados estão a chinesa Huaxin e a Votorantim Cimentos, em consórcio com a italiana Cementir. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, as empresas estão na fase final de ajustes das propostas.
A expectativa é que as ofertas se aproximem de R$ 15 bilhões, valor inicialmente pretendido pelo ex-CEO da holding, Benjamin Steinbruch. No entanto, as estimativas para a transação chegaram a ficar entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, abaixo do montante desejado.
Apesar disso, a venda é vista como uma oportunidade para reduzir o endividamento da CSN, cuja dívida atingiu R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
Uma das fontes ouvidas pelo Valor afirmou que, caso o comprador escolhido solicite exclusividade, o prazo deverá ser curto e limitado aos dias necessários para a assinatura do contrato de compra e venda.
No início da semana, chegou a circular a possibilidade de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da divisão de cimentos. A hipótese, porém, foi descartada pela área de relações com investidores (RI) da companhia, conforme noticiado anteriormente pelo Money Times, site parceiro do Seu Dinheiro.
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Venda pode reduzir alavancagem da CSN
Em relatório assinado pelo analista de ações Luca Vello, a Genial Investimentos avalia que a venda da unidade de cimentos seria positiva para a CSN, principalmente pelo impacto na redução da alavancagem financeira.
Considerando uma transação de R$ 12 bilhões, a estimativa é que metade dos recursos seja destinada à quitação do empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, garantido pelos ativos de cimento.
Nesse cenário, a relação entre dívida líquida e Ebitda cairia de 3,49 vezes para 2,98 vezes, aproximando-se da meta estabelecida pela companhia para dezembro.
Caso o negócio alcance R$ 15 bilhões, o efeito sobre a alavancagem seria ainda mais expressivo, com o indicador recuando para 2,73 vezes.
Pelos cálculos da Genial, uma venda por R$ 12 bilhões acrescentaria R$ 2,44 por ação ao valuation da CSN.
Do ponto de vista do comprador, esse valor equivale a aproximadamente US$ 140 por tonelada de capacidade produtiva, cifra 41% superior aos US$ 100 por tonelada desembolsados pela holding na aquisição da Holcim Brasil, em 2021.
Identidade do comprador pode influenciar o negócio
A Genial também destaca que a identidade do comprador é relevante para a dinâmica competitiva do setor. As cinco maiores produtoras de cimento concentram cerca de 80% dos ativos do mercado brasileiro.
Uma eventual aquisição pela Votorantim Cimentos em parceria com a Cementir reuniria empresas de destaque no setor e poderia resultar em medidas por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), tornando o processo mais demorado.
Já a Huaxin, presente no Brasil desde 2025 por meio da Embu, passaria a ocupar a segunda posição entre as maiores produtoras de cimento do país com a aquisição, sem sobreposição de operações.
Por enquanto, a Genial mantém recomendação de manutenção para as ações da CSN e preço-alvo de R$ 7, o que representa um potencial de valorização de 22%.
Segundo a casa de análise, caso a venda da divisão de cimentos seja concluída por R$ 12 bilhões ou mais, o valuation da companhia poderá ser elevado em R$ 0,50 por ação.
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