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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SETOR FINANCEIRO

CEO da Revolut detalha a estratégia para enfrentar Nubank e bancos na disputa por clientes no Brasil

Em evento, o CEO Glauber Mota afirmou que o país exige outro jogo e força adaptação do modelo global

Camille Lima
Camille Lima
29 de janeiro de 2026
12:15 - atualizado às 12:05
Revolut.
Revolut. - Imagem: Divulgação

Em boa parte do mundo, a Revolut cresceu explorando brechas. Mercados bancários pouco competitivos, serviços caros, experiência ruim para o cliente. No Brasil, o jogo é outro, e bem mais complexo, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil

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“O Brasil tem um sistema financeiro muito desenvolvido e competitivo. Diferente de outros países onde a Revolut cresceu rápido por falta de boas opções, aqui o brasileiro é exigente”, afirmou, em painel em evento organizado pelo UBS nesta quarta-feira (28). 

Em outras palavras, a Revolut não chega ao Brasil com vantagem estrutural. Ela entra nivelada com os grandes bancos e com as fintechs locais — todas brigando pelo mesmo cliente, com produtos parecidos.

Aqui, a disputa é muito mais sobre quem serve melhor. 

Produto antes do marketing: a aposta da Revolut no Brasil 

A estratégia da Revolut no Brasil passa por entregar benefícios que, até pouco tempo atrás, estavam restritos a cartões premium e clientes de alta renda. Isso inclui spreads de câmbio mais baixos e serviços diferenciados oferecidos por meio de modelos de assinatura. 

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“Como não investimos muito em propaganda, nosso desafio é atrair o cliente pelo valor real do produto”, disse o CEO. 

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A ideia é convencer o cliente a pagar pelo serviço porque ele percebe valor, e não porque foi capturado por uma campanha agressiva de marketing

Mas há um ponto em que o discurso global da Revolut precisa se adaptar à realidade brasileira: o crédito

Para ganhar escala no Brasil, ser bom em crédito não é opcional. É pré-requisito, reconhece Mota. "Pretendemos usar inteligência artificial para acelerar nossa capacidade de análise de crédito de maneira relevante”, afirmou. 

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Ainda assim, o CEO deixa claro que crédito não é o coração do modelo da Revolut — especialmente em um país onde o risco faz parte da equação, com uma economia tão volátil como a brasileira. 

“O Brasil é muito bom em fazer crédito justamente pelo risco que precisa correr. A Revolut foca em ser um negócio sustentável que não dependa exclusivamente do crédito para ter resultados; tratamos o crédito como um serviço adicional. No entanto, as Américas devem guiar o que o resto do mundo fará nesse sentido”, disse Mota.  

América Latina empurra a Revolut para o crédito 

No Brasil, a Revolut já opera cartão de crédito, e a intenção é expandir esse modelo para outros mercados. Afinal, na América Latina, o crédito é o eixo central da relação do cliente com o banco, disse o CEO. 

“Estamos virando essa chave porque entendemos que, nessas regiões, o usuário utiliza o crédito para o consumo do dia a dia”, afirmou Mota. 

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A Revolut desembarcou no Brasil há três anos. Nesta semana, a fintech anunciou oficialmente o lançamento das operações bancárias completas no México, no primeiro banco da companhia lançado fora do continente europeu. 

Nos últimos meses, a empresa também adquiriu um banco na Argentina, anunciou sua entrada no Peru e recebeu autorização para estabelecer um banco na Colômbia. 

--Um sistema global ainda obsoleto 

Para Mota, mesmo em economias avançadas, como a dos Estados Unidos, a indústria bancária global ainda opera sobre estruturas antiquadas. É aí que entra o grande diferencial da Revolut: a plataformização.  

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“Existe uma oportunidade enorme por meio da plataformização do produto, seja ele transacional ou premium”, afirmou. "Vejo um futuro muito promissor para os bancos digitais que têm a ambição de expandir para além de seus países de origem.” 

Essa visão sustenta a ambição global da fintech. Fundada em 2015, a Revolut alcançou seu quarto ano consecutivo de lucratividade em 2024.  

Hoje, a empresa está presente em 40 países, soma 70 milhões de clientes e adiciona cerca de 1 milhão de novos usuários a cada 17 dias, segundo o executivo. 

“Em 2026, nossa marca vai aparecer muito mais, entrando no dia a dia das pessoas. Nosso objetivo é atingir 100 países e 100 milhões de clientes ativos diariamente”, disse Mota. 

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A meta financeira acompanha o tamanho da ambição: US$ 100 bilhões em receita. 

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