Intelbras (INTB3): ação ainda pode subir 22%, mas JP Morgan já não recomenda compra; confira os motivos
Banco rebaixou a recomendação da ação para neutra, mas manteve preço-alvo de R$ 18,50; veja o que explica a cautela

O JP Morgan decidiu pisar no freio com a ação da Intelbras (INTB3). O banco rebaixou nesta sexta-feira (4) a recomendação dos papéis de compra para neutra, diante de uma perspectiva mais fraca para os resultados nos próximos meses.
O banco norte-americano também reduziu o preço-alvo de R$ 19 ao fim de 2026 para R$ 18,50 ao fim de 2027. Ainda assim, o novo alvo representa um potencial de valorização de 22,3% em relação ao fechamento de quinta-feira (3), quando a INTB3 terminou o pregão a R$ 15,13.
A cautela vem depois de uma recuperação expressiva dos papéis em 2026. Após um desempenho fraco na bolsa em 2025, a Intelbras acumula retorno total de 32% neste ano, mais que o dobro dos 15% registrados pelo Ibovespa, segundo o JP Morgan.
Na avaliação dos analistas, a melhora refletiu a normalização do crescimento da receita e das margens Ebitda — indicador usado pelo mercado para acompanhar o potencial de geração operacional de caixa de um negócio.
A margem chegou a 14,7% no segundo trimestre (2T26), com avanço sequencial em todos os trimestres desde o início de 2025.
Agora, porém, o banco vê sinais de que esse movimento pode perder força.
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Intelbras (INTB3) pode perder ritmo no segundo semestre?
O JP Morgan projeta crescimento de receita de 3,1% para a Intelbras no segundo semestre de 2026, abaixo dos 4,2% registrados na primeira metade do ano.
Segundo os analistas, a principal pressão deve vir do segmento de ICT, ligado a soluções de comunicação e infraestrutura de redes.
A Intelbras vem reduzindo gradualmente as vendas de equipamentos utilizados na transmissão de internet por fibra, enquanto o negócio de fibra teria atingido sua capacidade máxima no primeiro semestre.
O cenário também aparece em uma pesquisa do próprio banco com revendedores da companhia, que mostrou uma deterioração das expectativas em todos os segmentos de atuação da Intelbras.
As margens devem acompanhar essa perda de ritmo. Segundo o JP Morgan, o pico de rentabilidade ocorreu no 2T26, quando a companhia conseguiu repassar preços em um ambiente de câmbio mais favorável, enquanto ainda se beneficiava de estoques comprados anteriormente a custos mais baixos.
Esse efeito, contudo, tende a desaparecer à medida que esses estoques sejam renovados. Por isso, o banco estima margem Ebitda de 13,9% no segundo semestre, abaixo dos 14,7% registrados entre abril e junho.
E os benefícios fiscais da Intelbras?
Se o cenário operacional pede mais cautela, os benefícios fiscais continuam funcionando como um ponto de apoio para as contas da Intelbras — pelo menos por enquanto.
O JP Morgan destaca que R$ 336 milhões dos R$ 480 milhões de lucro antes de impostos (EBT) registrados pela companhia em 2025 estavam relacionados a benefícios de ICMS sobre os quais não houve recolhimento de imposto de renda.
Essa vantagem, porém, não deve durar para sempre. A reforma tributária prevê a substituição gradual do ICMS pelo IBS entre 2029 e 2033, o que tende a reduzir a importância desse benefício para a companhia.
Ainda assim, o banco avalia que a Intelbras possui outros mecanismos capazes de manter a carga tributária próxima de zero por vários anos.
Entre eles estão o incentivo da SUDAM para a produção em Manaus, benefícios fiscais ligados a pesquisa e desenvolvimento, uma maior distribuição de juros sobre capital próprio, a amortização do ágio fiscal da Renovigi e a utilização de prejuízos fiscais acumulados.
Mesmo com o encerramento gradual de parte desses incentivos, o JP Morgan projeta que a alíquota efetiva de impostos da Intelbras deve chegar a apenas cerca de 8% a partir de 2033.
*Com informações do Money Times.
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