Wiz Co (WIZC3) quer transformar a carta de consórcio em passaporte para um mercado de R$ 500 bilhões
Ao Seu Dinheiro, Maurício Viotti revela os planos estratégicos por trás da nova operação de venda direta de consórcios ao consumidor

A Wiz Co (WIZC3) quer avançar para uma ponta da cadeia que, até agora, ficava principalmente nas mãos de seus parceiros: a relação direta com o cliente de consórcios.
Para isso, a companhia lançou oficialmente nesta semana a Wiz Consórcios, operação de venda direta ao consumidor que passa a complementar o negócio de distribuição já existente dentro do grupo.
Ao Seu Dinheiro, Maurício Viotti, diretor executivo da companhia, afirma que a aposta é construir uma corretora multimarcas independente, conectando o cliente às principais administradoras do país e ampliando a presença da Wiz em um mercado que movimentou mais de R$ 500 bilhões em cartas no ano passado.
Mas vender a cota é apenas uma parte da estratégia da Wiz.
À medida que a nova operação ganhar escala, a Wiz pretende abrir caminho para avançar sobre outra frente: o mercado secundário de consórcios, que envolve a negociação de cartas contempladas ou canceladas e ainda é pouco explorado.
“Ter um canal de venda direta voltado para o cliente final sempre foi uma ambição da Wiz”, afirma Viotti. “Acreditamos muito no valor da cadeia, pegando o mercado de consórcios como um todo.”
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Hoje, os consórcios representam cerca de 5% dos negócios da Wiz. A ambição é levar essa participação para dois dígitos no futuro.
Wiz Co (WIZC3) mira janela aberta pelos bancos
Segundo Viotti, a Wiz passou cerca de um ano estudando o mercado, conversando com diferentes participantes e avaliando modelos de expansão antes de optar pela construção de uma operação própria.
O momento de mercado, porém, também abriu uma janela. A digitalização e o fechamento de agências bancárias vêm mudando a forma como produtos financeiros chegam ao consumidor — e o consórcio está no meio dessa transformação.
Até 2024, entre 45% e 50% das cotas de consórcio eram comercializadas por canais bancários, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) citados pelo executivo. Em 2025, essa participação teria caído para cerca de 33%.
“Há um movimento relevante dos bancos em fechar agências. Isso está tendo uma migração tanto do crédito quanto do consórcio”, afirma.
É nesse espaço que a Wiz pretende colocar uma nova peça no tabuleiro. A Wiz Parceiros, que já atua na distribuição indireta, continuará atendendo seus parceiros.
Já a nova operação terá relacionamento direto com pessoas físicas e jurídicas, em um modelo híbrido que combina captação digital com atendimento consultivo de um time de vendas.
“A gente já era a maior empresa do mercado de venda indireta. Entrando no mercado de venda direta, aumentamos esse portfólio”, diz Viotti.
Oportunidade no mercado secundário de consórcios
A diferença entre os dois modelos vai além do canal de venda. Quando a Wiz depende de um parceiro para chegar ao consumidor, é esse parceiro que mantém a relação com o cliente. Na venda direta, a companhia passa a acompanhar essa jornada de perto — da aquisição da cota ao pós-venda.
Essa mudança ganha importância quando se olha para uma oportunidade que ainda está no radar da Wiz: o mercado secundário de consórcios.
“É um mercado pouco falado, pouco comentado e que tem um potencial muito grande”, afirma Viotti.
Hoje, uma cota de consórcio não necessariamente termina sua trajetória nas mãos de quem a comprou originalmente.
Uma pessoa pode ser contemplada e, por algum motivo, decidir não usar o crédito. Em vez de manter a cota até o fim do ciclo, ela pode negociá-la com outro interessado — criando um mercado de revenda de um ativo que já foi originado.
É justamente aí que a relação direta com o consumidor pode fazer diferença para a Wiz.
Ao originar a cota e acompanhar o cliente ao longo do tempo, a companhia passa a estar mais próxima das diferentes situações que podem surgir durante a vida daquele contrato.
Conforme a operação amadurecer, isso pode criar oportunidades para atuar também em transações no mercado secundário, como a negociação de cotas contempladas ou canceladas.
E isso também pode reforçar o modelo tradicional da Wiz. Uma oportunidade identificada na venda direta pode, por exemplo, voltar para a rede de parceiros. “Você começa a girar uma roda muito grande”, diz o executivo.
O tamanho da oportunidade da Wiz Consórcios
Para chegar lá, porém, a Wiz terá primeiro de provar que consegue transformar essa estratégia em volume.
Hoje, os consórcios representam aproximadamente 5% do grupo. A intenção é levar o negócio para uma participação de dois dígitos, mas Viotti reconhece que a venda direta exige um investimento inicial relevante.
Questionado sobre o potencial da nova operação e o prazo para atingir essa ambição, Viotti não abriu projeções.
O executivo ressalta, porém, que o foco inicial não está em fazer o negócio ganhar peso rapidamente no balanço, mas em construir uma estrutura comercial eficiente e capaz de crescer.
Por isso, os primeiros números ainda devem ser modestos diante da escala da Wiz. Neste momento, mais importante do que o volume absoluto será provar que a máquina funciona — e que pode ser acelerada à medida que os investimentos começam a trazer retorno.
A Wiz Consórcios começou com 23 pessoas na equipe comercial, em São José dos Campos (SP), cidade que se tornou um dos polos de venda direta de consórcios no país.
“Não temos um sonho de ser a maior. Trabalhamos muito a eficiência. A gente quer ser a mais eficiente”, afirma.
Novas frentes na mira
A proposta da Wiz Consórcios é aproveitar a independência de uma corretora multimarca para comparar produtos e direcionar cada cliente à alternativa mais adequada ao seu perfil.
O portfólio foi dividido em quatro grandes verticais. A principal é o consórcio imobiliário, voltado para compra, construção, reforma e quitação de financiamentos.
A operação também pretende explorar estruturas de alavancagem patrimonial para clientes de alta renda e empresas, incluindo estratégias envolvendo geração de renda com imóveis e, futuramente, o mercado secundário.
Há ainda a frente de veículos leves e seminovos, além de frotas, veículos pesados e agronegócio, segmentos que a companhia pretende desenvolver à medida que a operação ganhar escala.
A lógica é crescer sem transformar volume em um fim em si mesmo — especialmente em um negócio no qual entender a necessidade do cliente pode ser tão importante quanto fechar a venda.
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