Sabesp (SBSP3) decepcionou no 2T26, mas ação ainda pode subir 40%; XP revela o que falta para destravar a alta
Analistas veem espaço para reprecificação da ação, mas dizem que próximos resultados serão decisivos para provar que os problemas são passageiros

A Sabesp (SBSP3) pode até ter frustrado o mercado com os números do segundo trimestre (2T26), mas a tese de investimento da companhia ainda está de pé, segundo a XP Investimentos. O problema é que, depois do tropeço, a empresa terá de voltar a entregar resultados para recuperar a confiança dos investidores.
Para a XP, se a Sabesp conseguir provar nos próximos trimestres que parte dos efeitos que pressionaram o balanço é realmente transitória, o mercado pode voltar a dar mais crédito à companhia.
E é justamente aí que está o potencial de alta da ação, na visão dos analistas.
Hoje, a Sabesp negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 11,7% e a 1,1 vez o valor de firma sobre a base de ativos (EV/RAB), patamar que, na avaliação da XP, ainda deixa espaço para uma reprecificação.
A corretora manteve a recomendação de compra para SBSP3 e estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 36,80 por ação para o final de 2027 — uma valorização potencial de 40,2% em relação ao último fechamento.
Sabesp decepciona no curto prazo, mas tese segue de pé
O segundo trimestre foi o primeiro teste mais recente dessa tese — e o resultado ficou aquém do esperado.
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O Ebitda ajustado, que ajuda a medir a capacidade de geração de caixa operacional do negócio, foi de R$ 3,5 bilhões, abaixo das expectativas. O desempenho foi pressionado por menor consumo de água, um mix menos favorável de clientes, aumento dos custos operacionais e maiores investimentos em atendimento e relacionamento com consumidores.
O efeito apareceu diretamente na rentabilidade: a margem Ebitda caiu para 58,3%, ante 63% no trimestre anterior.
Na época da divulgação do balanço, o Safra também chamou atenção para um detalhe importante: parte dos gastos que pesaram sobre a companhia teria caráter não recorrente.
Entram nessa conta despesas relacionadas à modernização dos sistemas de atendimento, investimentos na experiência do cliente e gastos decorrentes do incidente de Jaguaré.
Se esses efeitos extraordinários forem retirados, o Ebitda recorrente da Sabesp ficaria próximo de R$ 4 bilhões.
Ainda assim, a reação do mercado foi negativa. A ação teve desempenho 10 pontos percentuais (p.p) inferior ao do Ibovespa no mesmo período.
Para a XP, porém, o trimestre não é suficiente para mudar a visão construtiva de longo prazo sobre a companhia.
O que mudou foi a margem para erro: depois da decepção, a Sabesp terá de mostrar, trimestre a trimestre, que os problemas apontados no balanço não representam uma deterioração estrutural do negócio.
“Nossa visão é que o desempenho reflete mais do que apenas os impactos econômicos da frustração com os resultados, incorporando também um aumento na percepção de risco, que só deverá se dissipar por meio de resultados trimestrais sequenciais que comprovem que os efeitos mencionados pela companhia, R$ 600 milhões dos R$ 800 milhões em impactos esperados para 2026, são transitórios”, avalia a XP.
Por isso, os analistas entendem que a Sabesp não deve negociar com prêmio em relação aos pares brasileiros enquanto os riscos de execução ainda estiverem no radar.
“A frustração com os resultados de curto prazo começa a cobrar seu preço, e a execução será fundamental para recuperar o momentum da tese”, dizem os analistas.
O que pode destravar a ação da Sabesp (SBSP3) na bolsa
Para os analistas da XP, os próximos dois ou três balanços serão, portanto, uma espécie de prova de fogo para a tese de Sabesp (SBSP3).
É nesse período que o mercado poderá avaliar se os efeitos extraordinários apontados pela companhia realmente ficaram para trás e se a eficiência operacional começa a aparecer nos números.
Outro ponto de atenção será o reajuste tarifário deste ano, que ajudará o mercado a avaliar se serão necessárias novas revisões nas estimativas para o fim de 2027.
Embora o processo do ano passado tenha reduzido substancialmente as preocupações regulatórias, a XP acredita que a revisão deste ano terá papel importante na avaliação do desempenho da companhia no curto prazo.
Isso porque ainda existem algumas contas em aberto. Entre elas estão as incertezas sobre o reconhecimento de R$ 1,5 bilhão em pleitos relacionados às reformas e cancelamentos realizados entre 2021 e 2023, disputas judiciais que, segundo a Sabesp, deveriam ser incorporadas às tarifas, e a discussão em andamento sobre a tarifa social.
A alocação de capital também pode ajudar a recolocar a tese nos trilhos, na leitura dos analistas. A XP cita como potenciais catalisadores o processo de leilão do UniversalizaSP e uma eventual privatização da AySA, concessionária de água e esgoto de Buenos Aires.
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