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Lucro cresce pelo oitavo trimestre seguido e ROE supera o custo de capital, mas ADRs caem em Wall Street; veja os destaques do balanço
Depois de dois anos de ajustes e freios, o Bradesco (BBDC4) chega ao balanço de 2025 sob a de pressão de mostrar que a reconstrução como pode ganhar velocidade. O banco encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com um lucro líquido recorrente de R$ 6,51 bilhões, consolidando uma sequência de resultados que começa a dar corpo à narrativa de recuperação.
O montante representa uma alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5% frente ao trimestre imediatamente anterior. É o oitavo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.
O desempenho veio levemente acima do consenso de mercado, que apontava para um lucro médio de R$ 6,39 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
No acumulado do ano, o Bradesco registrou um lucro de R$ 24,65 bilhões, avanço de 26,1% em relação a 2024 — um sinal claro de que a estratégia de reconstrução começa a ganhar tração de forma mais consistente.
Apesar do resultado majoritariamente em linha com o esperado, a reação dos investidores é bastante negativa em um primeiro momento. Os ADRs (depósitos de ações) do Bradesco tombam 3,5% na primeira hora da divulgação do balanço, em meio ao after market em Wall Street.
Mais do que o lucro em si, o foco dos investidores segue concentrado na rentabilidade — o verdadeiro teste de maturidade do plano de transformação.
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No quarto trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco atingiu 15,2%, exatamente em linha com as expectativas do mercado.
O indicador avançou 0,5 ponto percentual na comparação trimestral e 2,5 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o ROE ficou em 14,8%.
Com esse desempenho, o Bradesco alcançou um marco simbólico: a rentabilidade voltou a superar o custo de capital próprio do banco — algo que não acontecia há tempos.
“Nosso ROE superou o custo de capital. É um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, em cada um dos próximos trimestres, de forma gradual e segura, step by step”, afirmou o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, em nota.
Apesar do avanço, o banco ainda opera abaixo de alguns pares privados. O Santander Brasil (SANB11), por exemplo, encerrou o trimestre com ROE de 17,6%. Ainda assim, o movimento recente sugere que a distância começa a diminuir.
Nos últimos trimestres, o Bradesco deixou claro que preferia errar pelo excesso de cautela a repetir erros do passado. O banco passou a priorizar operações com garantias e clientes de maior renda — uma decisão que protegeu a qualidade dos ativos, ainda que tenha limitado o crescimento em determinados momentos.
No quarto trimestre, a carteira de crédito expandida cresceu 11% na comparação anual e 5,3% frente ao trimestre anterior, encerrando o período em R$ 1,09 trilhão. A expansão foi puxada pelos segmentos de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e pessoas físicas, além de operações pontuais com grandes empresas no fim do ano.
Do lado da inadimplência, os indicadores permaneceram sob controle. O índice de atrasos acima de 90 dias recuou 0,3 ponto percentual na comparação anual e ficou estável frente ao trimestre anterior, em 4,1%.
Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) — o colchão que os bancos mantêm para cobrir eventuais calotes — escalaram 20,5% na comparação anual e 7,4% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,06 bilhões em perdas esperadas no crédito no trimestre.
O banco atribui o aumento ao crescimento da carteira, à maior eficiência nos processos de cobrança — que elevou as recuperações — e a menores despesas com PDD no segmento de atacado.
O custo de crédito, por sua vez, recuou levemente, de 3,3% no 3T25 para 3,2% no 4T25, reflexo, segundo o banco, da qualidade na concessão e do perfil mais equilibrado da carteira.
A fotografia das receitas também ajuda a explicar por que o Bradesco começa a ganhar confiança para acelerar o plano de transformação.
A margem financeira — que reflete a diferença entre as receitas com crédito e os custos de captação — somou R$ 19,2 bilhões no quarto trimestre, uma expansão de 13,2% em relação ao mesmo período de 2024 e de 2,9% frente ao trimestre anterior.
Já a margem financeira líquida, métrica preferida da administração por capturar melhor a qualidade da carteira, alcançou R$ 10,4 bilhões, com crescimento de 9,3% na base anual.
Dentro desse conjunto, a margem com clientes avançou 18,4% na comparação anual, totalizando R$ 19,1 bilhões. O dado reforça a estratégia do banco de priorizar segmentos com melhor perfil de risco e maior previsibilidade de retorno.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento do volume de crédito, melhora no mix de produtos, spreads mais favoráveis e evolução da margem com passivos.
O contraponto veio da margem com o mercado, ligada às operações de tesouraria, que encolheu 85% na comparação anual, embora tenha avançado 27,3% frente ao trimestre anterior, somando R$ 126 milhões.
Segundo o banco, as oscilações refletem, essencialmente, movimentos de ALM (gestão de ativos e passivos) em um ambiente de maior volatilidade e juros ainda elevados.
As receitas do Bradesco com tarifas e prestação de serviços somaram R$ 11,08 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 8% na comparação anual e de 4,6% frente ao trimestre anterior. O desempenho foi impulsionado por mercado de capitais, rendas de cartão e operações de crédito.
Do lado das despesas, o Bradesco registrou gastos operacionais de R$ 16,9 bilhões, uma alta de 3,3% em relação ao ano anterior e de 2,9% na comparação trimestral.
O banco atribui o avanço aos investimentos contínuos no plano de transformação e ao reforço do balanço com provisões para contingências.
Segundo a administração, o impacto nas despesas é temporário — e faz parte do custo de construir uma operação mais eficiente, competitiva e sustentável no médio e longo prazo.
“Terminamos 2025 um passo à frente do nosso cronograma de transformação. Em 2026, investiremos ainda mais na nossa transformação. Sabemos que esses investimentos pressionam temporariamente as nossas despesas, mas acreditamos que valem à pena por elevarem a nossa competitividade de médio e longo prazo”, afirmou Noronha.
Se há uma área que continua entregando previsibilidade e consistência, ela atende pelo nome de Bradesco Seguros.
No quarto trimestre, o lucro líquido da seguradora somou R$ 2,8 bilhões, alta de 10,6% frente ao mesmo período de 2024.
Já rentabilidade média do negócio atingiu 24,3%, uma leve retração de 0,8 ponto percentual na comparação anual, ainda em patamar elevado.
Junto com o balanço, o Bradesco divulgou seu guidance (projeções) para 2026, reforçando a mensagem de continuidade — sem atalhos.
“Para 2026, esperamos que, com o risco de crédito controlado, nossa rentabilidade evolua por meio do aumento das receitas. O forte desempenho nos dá espaço para investir mais e manter a transformação em ritmo acelerado”, escreveu o banco, em nota no balanço.
Segundo o CEO, o apetite ao risco seguirá moderado diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador, com juros elevados — hoje em 15% ao ano — e incertezas no horizonte político.
"Começamos 2026 em ritmo mais forte do que começamos 2025. Mantemos apetite ao risco moderado, porque o cenário macro ainda nos mostra desafios e incertezas, mas temos encontrado boas oportunidades e estamos otimistas com os nossos negócios”, disse Noronha.
Veja a seguir as projeções:
| Indicador | 2025 – Indicador Anual | 2025 – Realizado 12M25 vs 12M24 | 2026 – Indicador Anual |
|---|---|---|---|
| Carteira de Crédito Expandida | 4% a 8% | 11,0% | 8,5% a 10,5% |
| Margem Financeira Líquida (Margem Financeira Total – Despesa de PDD Expandida) | R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhões | R$ 40 bilhões | R$ 42 bilhões a R$ 48 bilhões |
| Receitas de Prestação de Serviços | 5% a 9% | 8,9% | 3% a 5% |
| Despesas Operacionais (Pessoal + Administrativas + Outras) | 5% a 9% | 8,5% | 6% a 8% |
| Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização | 9% a 13% | 16,1% | 6% a 8% |
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