Ainda tem fôlego? Por que a Eneva (ENEV3) virou a ação favorita do Itaú BBA mesmo após um rali de quase 100%
O banco elevou preço-alvo para as ações ENEV3 e vê gatilhos capazes de destravar valor mesmo após a forte alta recente; o que está por trás do otimismo?

Depois de um rali acelerado nos últimos meses, com ganhos de quase 100% em um ano, a pergunta que começou a ganhar força entre os investidores é: a Eneva (ENEV3) ainda tem fôlego para ir além? Para o Itaú BBA, a resposta é sim.
O banco elegeu a companhia como sua top pick para 2026 e elevou o preço-alvo da ação para R$ 23,80 até o fim de 2026 — um salto significativo frente à projeção anterior, de R$ 16,50 para dezembro de 2025 —, o que implica em uma valorização potencial de 11,8% em relação ao último fechamento.
Na leitura do Itaú BBA, a Eneva apresenta uma combinação de gatilhos claros de curto prazo com fundamentos estruturais que seguem jogando a favor.
“Acreditamos que a Eneva reúne dois atributos-chave que buscamos após a recente alta do setor de utilities: fortes vetores de crescimento de resultados e gatilhos de curto prazo capazes de destravar valor relevante para os acionistas”, afirmam os analistas, em relatório.
Por trás do otimismo com a Eneva (ENEV3)
O principal motor dessa virada de chave na tese é o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), que é visto pelo banco como um evento praticamente sem paralelo para a Eneva.
Em um sistema elétrico cada vez mais pressionado pela transição energética, pelo avanço da inteligência artificial e pela necessidade de flexibilidade operacional, a capacidade de resposta rápida virou um ativo valioso no mercado.
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E é justamente aí que a Eneva (ENEV3) aparece com vantagem competitiva.
Segundo o Itaú BBA, a companhia se antecipou ao mercado ao investir previamente na reserva de capacidade de fabricação de turbinas. Isso coloca a empresa alguns passos à frente dos concorrentes no leilão previsto para março de 2026, permitindo a apresentação de propostas mais agressivas para projetos greenfield.
Se o desenho final do leilão se confirmar conforme esperado, os analistas estimam que a Eneva pode destravar até R$ 6,70 por ação em valor adicional, apenas com os projetos que já estão no radar do banco.
Quando a chuva não ajuda, a térmica agradece
Mas não é só o leilão que sustenta o otimismo. O clima também entrou com força nas contas do Itaú BBA.
O Brasil se prepara para um período chuvoso extremamente difícil em 2026, com projeções de níveis baixos para a recomposição dos reservatórios.
Menos água significa maior dependência de geração térmica — e, nesse cenário, a Eneva tende a assumir um papel central.
“Como essa época do ano é determinante para a dinâmica de preços de curto prazo, esperamos que a Eneva seja chamada a despachar seus ativos durante a maior parte do ano, impulsionando os resultados diante da expectativa de chuvas fracas”, preveem os analistas.
O banco revisou suas estimativas operacionais e agora trabalha com um despacho médio próximo de 90% no Complexo Parnaíba ao longo de 2026 — um nível elevado mesmo quando comparado aos padrões históricos.
Na prática, isso se traduz em margens variáveis robustas, maior geração de caixa e revisões positivas nas projeções de lucro para a Eneva, impulsionadas pela necessidade crescente de energia térmica flexível para garantir a estabilidade do sistema elétrico.
Valuation: ainda há valor na mesa para a Eneva?
Mesmo após a forte alta recente, o Itaú BBA avalia que a ação da Eneva ainda não parece cara. No cenário-base, que incorpora a renovação dos ativos elegíveis no leilão e o desenvolvimento do projeto Celse 2, a ação negocia com uma taxa interna de retorno (TIR) real implícita em torno de 11%.
E o cenário pode melhorar. Caso a companhia avance em frentes adicionais — como Jandaia, a recontração da CGTF e o terminal de FSRU no Ceará —, a TIR estimada sobe para mais de 13,5%, levando o preço-alvo a R$ 27,50 por ação.
Nesse contexto, a Eneva passaria a figurar entre as utilities com os retornos mais atrativos do setor, na avaliação do banco.
"Com fundamentos favoráveis a um maior despacho térmico no curto prazo e eventos que podem elevar significativamente o valuation da companhia, acreditamos que a Eneva tem potencial para voltar a superar de forma consistente seus pares”, escreveram os analistas.
Para o Itaú BBA, a Eneva reúne hoje o melhor de dois mundos para os alocadores de capital: catalisadores visíveis no curto prazo e um pano de fundo macroeconômico que favorece sua operação.
"Reiteramos nossa visão da companhia como a ação para se ter em 2026", afirma o banco.
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