Fundo imobiliário com retorno de CDI + 0,94% ao ano é o favorito dos analistas para surfar a Selic alta por mais tempo; confira o ranking completo
Com mais de 549 mil cotistas e um patrimônio líquido de R$ 10,96 bilhões, o FII chama atenção por dar um retorno atraente para os cotistas

A bolsa brasileira não resistiu às pressões inflacionárias causadas pela guerra entre EUA e Irã e pelas eleições presidenciais. Os ativos de renda variável viveram seu pior mês do ano em maio, e os fundos imobiliários também não escaparam. O principal índice de FIIs, o IFIX, encerrou o período em queda de 1,33%, aos 3.877,52 pontos.
Enquanto o conflito no Oriente Médio segue impulsionando os preços do petróleo, o risco eleitoral adicionou uma camada a mais de cautela no mercado brasileiro. O resultado desse cenário veio nas perspectivas para a Selic, que deve seguir em patamar elevado por mais tempo.
Quem investe em FIIs, conhece essa história: juros altos tendem a pesar sobre a classe. Isso porque, como lembra Caio Araújo, analista da Empiricus Research, o mercado imobiliário não é simples.
“O setor exige capital intensivo, está sujeito a gargalos de custos de materiais e mão de obra e depende do cumprimento de acordos por diversos participantes da cadeia”, comenta em relatório deste mês.
São nesses momentos de tempestade que os investidores buscam ativos de segurança, que consigam aproveitar as oportunidades e garantir retornos atrativos mesmo em um mercado pressionado.
Os fundos de papel — ou seja, aqueles que investem em títulos de renda fixa atrelados ao setor imobiliário — podem ser esse colete salva-vidas. Porém, é preciso ter atenção redobrada, apostando em ativos com boa qualidade de crédito.
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É justamente isso que oferece o FII favorito dos analistas neste mês: o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11). Um dos maiores fundos do mercado, ele chama atenção por dar um retorno atraente para os cotistas, com rentabilidade implícita líquida equivalente a CDI + 0,94% ao ano.
Entre as dez casas de análise e bancos consultados pelo Seu Dinheiro para a série FII do Mês, o KNCR11 conquistou o pódio com três indicações em junho. Confira o ranking completo:

* Entendendo o FII do Mês: Todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 fundos imobiliários, os analistas indicam os seus três prediletos. Com o ranking nas mãos, selecionamos os que contaram com mais indicações.
Um gigante no topo: o fundo imobiliário KNCR11 no detalhe
Com mais de 549 mil cotistas e um patrimônio líquido de R$ 10,96 bilhões, o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) tem um portfólio composto predominantemente por ativos de renda fixa pós-fixados e com baixo risco de crédito (high grade), especialmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
O FII possui 89 CRIs lastreados em empreendimentos de alta qualidade e emissores com perfil sólido de risco, segundo analistas da Daycoval, que recomendou o KNCR11 para junho. Os principais devedores do fundo são Brookfield, JHSF, BTG Pactual, MRV e outros FIIs.
Além disso, os analistas destacam que a carteira de crédito possui boas estruturas de garantias, contando com alienação fiduciária ou cessão de recebíveis.
O KNCR11 também se destaca por ter 100% dos ativos indexados ao CDI, ou seja, ele é beneficiado pela Selic em níveis altos por mais tempo.
"O foco em títulos indexados ao CDI posiciona o fundo como uma alternativa defensiva dentro do mercado imobiliário, preservando renda em cenários de juros elevados e reduzindo volatilidade em momentos de estresse de preços no mercado de tijolo", avaliou a Daycoval em relatório.
Os analistas da casa ainda ressaltam que o KNCR11 apresenta um histórico consistente de risco de crédito controlado, de distribuição de dividendos e de elevada liquidez.
Recentemente, o FII captou R$ 3,18 bilhões em emissão de cotas, tornando-se a maior arrecadação já realizada no segmento pela Kinea Investimentos, gestora do fundo.
O Santander, que não recomendou o KNCR11 para junho no ranking do Seu Dinheiro, avaliou positivamente a operação em relatório. O banco estima um dividend yield (taxa de dividendos) de 12,5% nos próximos meses.
Porém, os analistas enxergam que, em um cenário de queda da taxa de juros, as receitas e rendimentos do fundo poderiam ser reduzidas.
A Daycoval, no entanto, vê o KNCR11 menos propenso à volatilidades. "Em um ambiente de queda gradual dos juros, o fundo segue competitivo frente a alternativas de crédito privado e tende a preservar atratividade", afirmou.
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