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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

TOUROS E URSOS #263

O ‘rali mais odiado’ e a escassez de ações: o que esperar do Ibovespa em meio à guerra e às eleições no segundo semestre

Christian Keleti, sócio-fundador e CEO da Alphakey, avalia que o Ibovespa tem espaço para subir mais com o fluxo estrangeiro, mesmo diante do conflito no Irã

Monique Lima
Monique Lima
18 de março de 2026
13:48 - atualizado às 13:03

O mercado acionário brasileiro vive um paradoxo em 2026. Enquanto o Ibovespa registrou altas expressivas no início do ano, o clima entre os investidores locais não é de celebração, mas de ceticismo.

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De um lado, o investidor estrangeiro aportou cerca de R$ 45 bilhões na B3 nos dois primeiros meses do ano. Do outro, os fundos locais venderam R$ 35 bilhões, preferindo a segurança da Selic.

Christian Keleti, CEO da Alphakey, define a disparada do Ibovespa aos 200 mil pontos como o "rali mais odiado” da bolsa das últimas décadas, porque “ninguém tem bolsa”.

Esse descompasso entre o fluxo global e o desânimo doméstico só aumentou com a eclosão da guerra no Irã, e funcionou como um freio de mão para um índice de ações que parecia imparável.

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Antes do conflito, a percepção de Keleti era de que o mercado brasileiro estava em uma trajetória de aceleração técnica sem precedentes. Para o gestor, o Brasil se tornou um refúgio líquido para o capital internacional que busca ativos reais e proteção geopolítica.

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No entanto, a agenda eleitoral está no radar, e a bolsa brasileira deve se preparar para uma nova fase de volatilidade. A combinação entre geopolítica, política monetária e sucessão presidencial deve ditar o futuro e o potencial de novas máximas do índice daqui para a frente.

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Ibovespa e a escassez de ações

A visão de Christian Keleti para o futuro do Ibovespa é audaciosa: 300 mil pontos ainda em 2026.

Esse cenário baseia-se em um alinhamento dos astros na economia, positiva, que inclui a resolução dos conflitos no Oriente Médio, o início efetivo do ciclo de queda de juros e uma eleição com alternância de poder para a centro-direita ou uma terceira via.

Neste caso, o gestor acredita que os estrangeiros vão continuar comprando a tese do Brasil e que, possivelmente, o investidor local volte para a bolsa.

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Para o estrangeiro, o Brasil é uma oportunidade única nos emergentes, pois não depende do petróleo do Oriente Médio e possui as commodities que o mundo demanda.

A partir daí, o Ibovespa pode se deparar com outro problema: a escassez de ações.

No podcast, Keleti falou de um estudo da Alphakey em que os analistas avaliaram a disponibilidade de ações na bolsa, considerando uma possível migração dos investidores de renda fixa para renda variável.

Com a falta de IPOs, o aumento de fusões e aquisições (M&A) e as recompras de ações feitas pelas empresas nos últimos anos, o mercado ficou enxuto.

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“Já está faltando papel faz tempo. [A bolsa] precisa de muito IPO. E muito IPO só vem com estabilidade nos juros e na economia. Eventualmente isso vai acontecer em um cenário positivo, talvez lá para o meio de 2027, começo de 2028”, afirmou Keleti.

A estratégia da Alphakey

A postura da Alphakey é a mesma da maior parte dos fundos de ações: defensiva.

Segundo Keleti, a maior posição é de caixa, entre 20% e 25% do patrimônio do fundo, com rentabilidade da Selic. A gestora está focando em empresas com uma boa operação e, acima de tudo, boa governança.

O fundo utiliza estratégias de venda a descoberto (short) para se proteger de histórias de empresas com balanços desequilibrados ou gestão duvidosa.

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Na ponta comprada, a carteira da Alphakey prioriza ativos resilientes e geradores de caixa, com potencial de pagar dividendos. A Allos (ALOS3) é uma das principais apostas da gestora, vista como uma tese de retorno de quase 40% em três anos, via proventos.

No setor elétrico, as favoritas são Copel (CPLE3), beneficiada por uma revisão tarifária em um estado pujante, e Axia (AXIA3), que possui uma expectativa de resultados fortes devido ao preço da energia.

Touros e Ursos: os destaques da semana

No tradicional bloco de encerramento, o cenário de juros foi o grande destaque negativo da semana. A taxa Selic foi eleita o "urso" devido à frustração com o ritmo do ciclo de cortes.

O mercado, que esperava reduções maiores, viu a expectativa de magnitude dos cortes diminuir pela disparada do petróleo e pela incerteza da guerra no Irã. Esse ambiente de juros altos por mais tempo atua como um vento contrário para o Ibovespa e as ações, retardando a recuperação de setores mais sensíveis ao crédito.

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Por outro lado, o Tesouro Nacional figurou como um touro, pelo destaque positivo. Keleti elogiou a atuação técnica do Tesouro, que interveio de forma oportuna para regular o mercado e corrigir distorções nas taxas em dias de maior estresse.

Ainda na lista de destaques positivos, a Receita Federal trouxe uma surpresa no Imposto de Renda 2026, com o anúncio do cashback de IR. O programa irá fazer a restituição automática de imposto para cerca de 4 milhões de contribuintes de baixa renda que não são obrigados a declarar.

Confira o episódio completo do Touros e Ursos

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