Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz, mas EUA dizem que tráfego continua fluindo
Trump afirma que a hidrovia permanece acessível a embarcações comerciais, enquanto Guarda Revolucionária diz ter atingido um navio que tentou cruzar a passagem sem autorização

O Irã anunciou um novo fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, elevando mais uma vez a tensão no Oriente Médio e os riscos para o mercado global de petróleo e gás. Apesar da declaração de Teerã, autoridades dos Estados Unidos afirmam que a hidrovia continua aberta ao tráfego comercial e que a rota ao sul permanece operacional.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) informou no sábado (11) que nenhuma embarcação poderia atravessar a rota marítima “até novo aviso”. A força iraniana também afirmou ter atingido um navio que tentou cruzar a região sem autorização.
Segundo comunicado divulgado pela imprensa estatal, a restrição será mantida enquanto persistir o que Teerã classifica como “interferência americana” na região.
Neste domingo (12), porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou que o Estreito de Ormuz permanece aberto ao tráfego comercial, enquanto autoridades americanas intensificaram a contestação às declarações iranianas de que a hidrovia estaria sob controle de Teerã.
Em entrevista por telefone à NBC News, Trump afirmou que o estreito continua “acessível” para embarcações comerciais.
A situação da hidrovia tem mudado rapidamente nos últimos dias. Relatos de reabertura total ou parcial têm sido seguidos por novas restrições, o que aumenta a incerteza sobre a circulação de navios em uma das principais rotas de escoamento de energia do mundo.
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Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado globalmente passava pelo estreito. Mesmo sem uma interrupção prolongada, a instabilidade tende a elevar os custos de frete e seguro e a aumentar os riscos para o abastecimento global de energia.
EUA dizem que Irã não controla o estreito
Em comunicado divulgado pelo Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom), o governo norte-americano afirmou que Teerã “não controla o estreito” e garantiu que o tráfego de embarcações continua fluindo.
A nota, publicada na rede social X, informa que as forças americanas estão posicionadas para assegurar a liberdade de navegação na região. O Centcom também acusou o Irã de promover ações de intimidação, assédio e ameaças contra embarcações que transitam pela via internacional.
“O Estreito de Ormuz está aberto a todas as embarcações que buscam transitar legalmente por essa via navegável internacional. As forças dos EUA estão posicionadas e preparadas para garantir que a liberdade de navegação permaneça disponível, apesar da agressão, do assédio, das ameaças e das declarações arbitrárias injustificadas do Irã. O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo”, declarou o Centcom.
A manifestação acompanha a posição do Comando Naval das Forças Centrais dos Estados Unidos (Navcent, na sigla em inglês), que afirmou que o Estreito de Ormuz é “uma via navegável internacional e não está sujeito à coerção ou ao controle de qualquer país”.
Segundo o comando, apesar das alegações iranianas de fechamento da passagem, as forças americanas estão preparadas para “manter a liberdade de navegação e proteger o comércio lícito de acordo com o direito internacional”.
Rota sul segue aberta
Também neste domingo, o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC, na sigla em inglês) informou que a rota sul do Estreito de Ormuz permanece aberta à navegação, apesar do anúncio iraniano. O órgão reiterou que o nível de ameaça à segurança marítima na região continua classificado como “severo”.
Segundo o comunicado, a rota ao sul do estreito foi ampliada para permitir o tráfego de embarcações nos dois sentidos.
O centro orientou os comandantes a esperarem chamadas por rádio de forças navais e a permanecerem atentos às áreas com risco de minas próximas ao esquema tradicional de separação de tráfego.
O órgão também recomendou que os navios mantenham contato com a Cooperação e Orientação Naval para a Navegação Mercante (NCAGS, na sigla em inglês), da Marinha dos Estados Unidos, para receber informações sobre rotas consideradas seguras.
A coordenação, no entanto, “não é obrigatória”. Segundo o comunicado, as embarcações podem utilizar a rota sul sem autorização prévia.
O JMIC acrescentou ainda que “não há autoridade controladora que regulamente a passagem ou cobre taxas por qualquer rota”.
Irã diz ter atingido navio com míssil
A Guarda Revolucionária afirmou inicialmente ter disparado tiros de advertência contra uma embarcação que navegava por uma rota considerada irregular e estava com os sistemas de rastreamento desligados.
Posteriormente, a agência semioficial Fars informou que o navio foi atingido por um míssil de cruzeiro depois de ignorar ordens para recuar.
O Irã, porém, não revelou a identificação da embarcação, a bandeira, o tipo de carga transportada ou a situação da tripulação. Também não houve confirmação independente de que o navio tenha sido atingido pelo míssil.
O anúncio ocorreu poucas horas depois de o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, se reunir em Mascate com autoridades de Omã para discutir mecanismos de segurança para a navegação no estreito.
O governo de Omã informou que os dois países concordaram em manter conversas técnicas e políticas. Teerã, contudo, rejeitou a proposta de criação de duas rotas separadas para a passagem de navios.
- Leia também: Fim do cessar-fogo entre EUA e Irã é definitivo ou parte do processo? Veja o que diz analista da Empiricus
Ormuz vira carta de negociação
O Irã defende que o controle das rotas marítimas permaneça sob sua autoridade, em coordenação com Omã, e não seja determinado por potências estrangeiras.
A disputa transformou o Estreito de Ormuz em uma das principais cartas de Teerã nas negociações com Washington, ao lado das sanções e das exportações iranianas de petróleo.
Os Estados Unidos pressionam o governo iraniano a assumir publicamente o compromisso de manter a hidrovia aberta e interromper os ataques contra embarcações comerciais.
Trump declarou encerrado o cessar-fogo entre os dois países, mas afirmou que Washington continuará negociando com Teerã.
A crise se aprofundou após ataques contra três navios-tanque do Catar e da Arábia Saudita nesta semana. Os episódios foram seguidos por bombardeios americanos contra alvos no Irã e por ataques iranianos a bases militares dos Estados Unidos em países da região.
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