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Teerã proibiu a passagem de navios “até novo aviso” e condicionou a reabertura da rota ao fim do que classifica como interferência dos Estados Unidos na região

O Irã anunciou um novo fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, elevando mais uma vez a temperatura no Oriente Médio e os riscos para o mercado global de petróleo e gás. Apesar da declaração de Teerã, a rota ao sul da passagem continua aberta à navegação, segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC, na sigla em inglês).
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) informou no sábado (11) que nenhuma embarcação poderá atravessar a rota marítima “até novo aviso”. A força iraniana também afirmou ter atingido um navio que tentou cruzar a região sem autorização.
Segundo comunicado divulgado pela imprensa estatal, a restrição será mantida enquanto persistir o que Teerã classifica como “interferência americana” na região.
Neste domingo (12), porém, o JMIC informou que a rota sul do Estreito de Ormuz permanece operacional, apesar do anúncio iraniano. O órgão reiterou que o nível de ameaça à segurança marítima na região continua classificado como “severo“.
A situação do Estreito de Ormuz tem mudado rapidamente nos últimos dias. Relatos de reabertura total ou parcial da hidrovia têm sido seguidos por novas restrições, o que aumenta a incerteza sobre a circulação de navios em uma das principais rotas de escoamento de energia do planeta.
Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado no mundo passava pelo estreito. Mesmo que o bloqueio não seja prolongado, a instabilidade tende a aumentar os custos de frete e seguro e a reforçar os riscos para o abastecimento global.
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A Guarda Revolucionária afirmou inicialmente ter disparado tiros de advertência contra uma embarcação que navegava por uma rota considerada irregular e estava com os sistemas de rastreamento desligados.
Posteriormente, a agência semioficial Fars informou que o navio foi atingido por um míssil de cruzeiro depois de ignorar ordens para recuar.
O Irã, porém, não revelou a identificação da embarcação, a bandeira, o tipo de carga transportada ou a situação da tripulação. Também não houve confirmação independente de que o navio tenha sido atingido pelo míssil.
O anúncio ocorreu poucas horas depois de o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, se reunir em Mascate com autoridades de Omã para discutir mecanismos de segurança para a navegação no estreito.
O governo de Omã informou que os dois países concordaram em manter conversas técnicas e políticas. Teerã, contudo, rejeitou a proposta de criação de duas rotas separadas para a passagem de navios.
O Irã defende que o controle das rotas marítimas permaneça sob sua autoridade, em coordenação com Omã, e não seja determinado por potências estrangeiras.
A disputa transformou o Estreito de Ormuz em uma das principais cartas de Teerã nas negociações com Washington, ao lado das sanções e das exportações iranianas de petróleo.
Os Estados Unidos pressionam o governo iraniano a assumir publicamente o compromisso de manter a hidrovia aberta e interromper os ataques contra embarcações comerciais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou encerrado o cessar-fogo entre os dois países, mas afirmou que Washington continuará negociando com Teerã.
A crise se aprofundou após ataques contra três navios-tanque do Catar e da Arábia Saudita nesta semana. Os episódios foram seguidos por bombardeios norte-americanos contra alvos no Irã e por ataques iranianos a bases militares dos Estados Unidos em países da região.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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