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Entrada forte de capital estrangeiro e expectativa de queda de juros levam banco a recomendar compra das ações da operadora da bolsa
A B3 (B3SA3) anda se esbaldando com o fluxo de dinheiro gringo que chega ao Brasil como resultado de um movimento global de aversão a risco nos EUA. A migração de recursos impulsionou o Ibovespa — principal índice e melhor investimento de janeiro — e agora é um dos motivos por trás da revisão positiva do UBS BB para as ações da operadora da bolsa brasileira.
Por volta das 15h55, os papéis estavam entre as maiores altas do dia, com avanço de 4,55%, negociados a R$ 16,98. No mesmo horário, o Ibovespa estava praticamente no zero a zero, aos 182.265 pontos.
Em relatório, o UBS BB elevou a recomendação da B3 de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 16 para R$ 19,50 nos próximos 12 meses, um potencial de valorização de 19,9% sobre o preço de fechamento anterior.
Nas contas do banco, a B3 negocia com um desconto de 35% em relação a outras bolsas de países emergentes e de 31% na comparação com as bolsas globais — ante descontos históricos de 34% a 36%, respectivamente.
Para os analistas, a visão otimista é sustentada por uma combinação de fatores. Um deles é justamente o fluxo estrangeiro. Em janeiro, os gringos injetaram R$ 26,3 bilhões na bolsa brasileira no primeiro mês de 2026, marcando o melhor mês desde o início de 2022 e mais do que todo o valor que entrou em 2025.
Os investidores globais estão diversificando o portfólio para fora dos EUA por conta de uma expectativa sobre os juros, pelas políticas de Donald Trump e pelos receios de intervenções no Fed, o banco central do país.
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O mercado vê os países emergentes como os "beneficiários claros" do movimento de saída do dólar e esse deve ser o principal motor para o crescimento da B3 no ano.
Além disso, a operadora da bolsa também ganha com o aumento nos volumes negociados, o que deve ser impulsionado tanto pelo ciclo de afrouxamento monetário quanto pela maior instabilidade típica de um ano eleitoral.
Os economistas do UBS projetam a Selic a 11,5% no fim deste ano, abaixo das estimativas compiladas pelo Boletim Focus, de 12,25% ao ano.
A equipe do UBS BB vê o movimento recente como um “ponto de inflexão”, após três anos de baixos volumes de negociação. Além disso, os analistas destacam os benefícios fiscais dos juros sobre capital próprio adicional a ser distribuído nos próximos três anos.
“Vemos a B3 bem-posicionada para se beneficiar do momentum positivo, enquanto a concorrência permanece controlada e os outros segmentos (principalmente OTC, Dados e Tecnologia) continuam sustentando o crescimento”, escreveram, em relatório.
Para 2026, o UBS BB projeta que o volume médio diário de negociações com ações na bolsa fique em torno de R$ 31,5 bilhões, subindo para R$ 32,7 bilhões em 2027. As estimativas representam uma revisão para cima de 13% em relação às projeções anteriores.
O banco também espera que a B3 registre um lucro líquido de R$ 6 bilhões neste ano, crescimento de 10% em relação ao ano passado. Para 2027, a previsão é de lucro de R$ 6,4 bilhões, alta de 6%.
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