B3 (B3SA3) deve distribuir R$ 6,3 bilhões em proventos neste ano, segundo o Citi; banco eleva recomendação e preço-alvo
Entrada de capital estrangeiro, volumes em alta e ganhos tributários levam instituição financeira a projetar lucros até 19% acima do consenso e margens robustas para a operadora da bolsa

A combinação de aumento de fluxo e a perspectiva de ampliar o pagamento de proventos ao acionista levou o Citi a melhorar significativamente sua visão sobre a B3 (B3SA3). O banco norte-americano elevou a recomendação de “neutra” para “compra” e aumentou o preço-alvo dos papéis de R$ 19 para R$ 23.
O novo target representa um potencial de valorização de cerca de 18% em relação ao fechamento desta sexta-feira (10), quando as ações da B3 encerraram o pregão cotadas a R$ 19,49.
“A revisão para cima é sustentada por significativas revisões ascendentes das projeções de lucros de 17% para 2026 e 13% para 2027”, afirmam os analistas do banco, em relatório.
Apesar da revisão positiva, o Citi avalia que as ações ainda negociam a níveis considerados atrativos. A expectativa é de um múltiplo de 15 vezes o lucro para 2026 e 14,5 vezes para 2027, com dividend yield estimado em 6,4%.
JCP maior, imposto menor
Parte relevante do otimismo está ligada a uma mudança no tratamento tributário dos juros sobre capital próprio (JCP).
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No fim do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que empresas podem deduzir JCP da base de cálculo do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) mesmo quando os valores se referem a exercícios anteriores.
Na visão do banco, isso abre espaço para uma distribuição maior de proventos, ao mesmo tempo em que reduz a carga tributária.
“Historicamente, a B3 distribuiu JCP abaixo do limite máximo, que permite payout de até 50% do lucro antes da incidência de impostos”, destaca o relatório.
Com isso, o Citi projeta que a companhia deve distribuir R$ 6,3 bilhões em JCP em 2026 e R$ 6,7 bilhões em 2027. De acordo com os analistas, isso reduz bastante o imposto pago: a alíquota efetiva cai para algo entre 20% e 24%, bem abaixo dos 37% padrão das empresas.
Fluxo estrangeiro impulsiona volumes na B3
A revisão de recomendação também vem em um momento de melhora no fluxo para a bolsa brasileira.
Com investidores estrangeiros reduzindo exposição aos Estados Unidos e voltando a olhar para mercados emergentes, a B3 tem registrado aumento relevante nos volumes negociados.
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No primeiro trimestre, o volume médio diário negociado (ADTV) ficou cerca de 60% acima da média de 2025, indicando uma tendência mais forte para o restante do ano.
Esse cenário levou os analistas a revisarem para cima suas estimativas de volume, com alta de 3% para 2026.
Lucro mais forte e margens elevadas
Com maior atividade e menor carga tributária, a expectativa é de resultados mais robustos. O Citi projeta lucro líquido de R$ 6,6 bilhões em 2026 e R$ 6,8 bilhões em 2027, números que ficam 19% e 13% acima do consenso da Bloomberg.
A receita da área de mercados deve crescer 25% na comparação anual no primeiro trimestre e 19% no acumulado de 2026, sustentando uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 71%.
Para o primeiro trimestre de 2026, a estimativa é de lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão, alta de 26% na comparação anual, com ADTV de R$ 39,8 bilhões.
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