Brasileiro gosta mesmo é de renda fixa: Tesouro Direto bate recordes de compra e venda de títulos públicos em dezembro de 2024
No ano, investimentos no Tesouro Direto totalizaram R$ 67,9 bilhões, enquanto resgates foram de R$ 36,9 bilhões; títulos indexados à inflação foram os mais demandados em dezembro

Entra ano, sai ano e a renda fixa continua sendo a queridinha dos investidores brasileiros. Os dados do Tesouro Nacional sobre as negociações de títulos públicos no Tesouro Direto divulgados nesta quarta-feira (29) não permitem contra-argumentação: as operações foram 28,8% maiores em 2024, em comparação com o ano anterior.
No total, os investidores fizeram 9,2 milhões de operações, totalizando vendas (do Tesouro para os investidores) de R$ 67,9 bilhões – valor 45,6% maior do que em 2023.
Os resgates antecipados – também chamados de recompras, já que o Tesouro recompra o ativo a preço de mercado na data da transação – atingiram o valor anual de R$ 36,9 bilhões, avanço de 27,6% em relação a 2023.
"O aumento nas recompras ocorre em um cenário de expansão do Tesouro Direto, abrangendo estoque, número de investidores e volume de operações, além do lançamento de novos produtos. Nesse contexto, é natural que tanto as vendas quanto as recompras aumentem", informou a Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
Dezembro teve números recordes de compra e venda de títulos públicos pelo Tesouro Direto
Em dezembro, o Tesouro Direto bateu uma série de recordes. O número de operações no mês foi de 1,3 milhão, maior valor da série histórica, totalizando R$ 8,55 milhões em vendas (do Tesouro para os investidores), outro recorde mensal.
Já os resgates (ou recompras) totalizaram R$ 3,8 bilhões, resultando em emissão líquida de R$ 4,76 bilhões, outro pico da série histórica.
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As aplicações de até R$ 1 mil representaram 61,4% das operações de investimento no mês. O valor médio por operação, por sua vez, foi de R$ 6.570,59, informou o Tesouro.
Em dezembro, o grupo de títulos mais demandado pelos investidores foi o indexado à inflação (Tesouro IPCA+, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+) que totalizou, em vendas, R$ 3,44 bilhões – 40,2% do total.
Os títulos indexados à taxa Selic (Tesouro Selic) somaram R$ 3,2 bilhões (37,7% das vendas), enquanto os títulos prefixados (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) totalizaram R$ 1,9 bilhão (22,1% do total).
O órgão ainda destacou a demanda pelos novos títulos:
- O Tesouro RendA+, com R$ 293,2 milhões em vendas, ou 3,4% do total; e
- O Tesouro Educa+, com R$ 119,6 milhões em vendas, ou 1,4% do total.
E os resgates?
Nas recompras (resgates antecipados), predominaram os títulos indexados à taxa Selic, que somaram R$ 2,3 bilhões (59,5%).
Os títulos remunerados por índices de preços totalizaram R$ 901,7 milhões (23,7%), e os prefixados, R$ 639,8 milhões (16,8%).
Em relação aos prazos, a maior parcela de vendas se concentrou nos títulos com vencimento entre 1 e 5 anos, que alcançaram 72,7% do total. As aplicações em títulos com vencimento acima de 10 anos representaram 21,6%, enquanto os títulos com vencimento de 5 a 10 anos corresponderam a 5,6% do total.
Entenda o novo modelo de cobrança da taxa de custódia do Tesouro
No final do ano, o Tesouro Direto e a B3 anunciaram uma nova forma de cobrança da taxa de custódia paga à bolsa pela guarda dos títulos públicos comprados pelo programa.
Com o início deste novo modelo, o desconto da taxa não será mais semestral, e a cobrança prevista para o dia 1º de janeiro de 2025 não foi realizada.
- Vale frisar que a nova regra vale apenas para os títulos públicos Tesouro Selic, Tesouro Prefixado, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.
Hoje, a taxa de custódia para esses títulos é de 0,20% ao ano, e os títulos Tesouro Selic contam com isenção até o estoque de R$ 10 mil por investidor (CPF), incidindo apenas sobre os valores investidos que superam esta marca.
A nova regra seguirá o modelo de "netting", com cobrança proporcional ao prazo de investimento sendo realizada em apenas três casos: no vencimento do título, nos pagamentos de juros (cupom) ou nos casos de venda antecipada (resgate do título antes do vencimento), o que ocorrer primeiro.
O valor de 0,20% ao ano e a faixa de isenção para o Tesouro Selic serão mantidos.
Leia na íntegra aqui e entenda o que muda para a sua carteira de investimentos.
* Com informações do Estadão Conteúdo.
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