Problemas de Ambipar (AMBP3) e Braskem (BRKM5) podem contaminar títulos de dívida de outras empresas, indica Fitch
Eventos de crédito envolvendo essas duas empresas, que podem estar em vias de entrar em recuperação judicial, podem aumentar a aversão a risco de investidores de renda fixa corporativa, avalia agência de rating

Os problemas de crédito e alto endividamento de Ambipar (AMBP3) e Braskem (BRKM5), seguidos da forte desvalorização das ações e títulos de dívida dessas empresas, dominaram as manchetes nas últimas semanas e motivaram agências de classificação de risco a cortar as notas de crédito (ratings) das duas companhias.
E, na visão da Fitch, esses dois exemplos podem indicar apenas o começo de uma piora mais generalizada no mercado de crédito corporativo brasileiro.
Segundo a agência de rating, companhias brasileiras podem enfrentar problemas de liquidez e acesso ao financiamento nos próximos meses "se os recentes eventos de crédito erodirem a confiança dos investidores", ampliando a aversão a risco aos títulos de dívida de certas empresas — debêntures, por exemplo.
- VEJA TAMBÉM: LULA e TRUMP: A “química excelente” que pode mudar a relação BRASIL-EUA; assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube
Para a agência, os ratings podem se deteriorar à medida que o acesso ao capital encolher. "Companhias com necessidade de refinanciamento iminente e acesso limitado aos mercados internacionais, que correspondem a cerca de 10% do portfólio avaliado pela Fitch, podem ser as mais vulneráveis", diz a agência.
Segundo a Fitch, "diversos desenvolvimentos negativos ameaçam o mercado local de dívida brasileiro, que teve condições de liquidez fortes nos últimos 12 a 18 meses".
A agência cita então os dois rebaixamentos de nota de crédito que efetuou no fim de setembro: o da Braskem (para CCC+), depois que a companhia contratou assessores financeiros para buscar alternativas para a sua estrutura de capital, e o da Ambipar (para C), depois que a companhia entrou repentinamente em um processo similar ao de calote, buscando uma proteção judicial contra credores. Ambas as empresas podem estar em vias de entrar em recuperação judicial ou extrajudicial.
Leia Também
XP recomenda vender títulos do Tesouro Direto para comprar papéis isentos; veja as indicações na renda fixa
A Fitch cita ainda, como evento problemático, a rejeição, por parte do Banco Central, da compra do Banco Master pelo BRB, "revivendo preocupações quanto à estabilidade do financiamento do Master e capacidade de geração de lucros."
A agência observou ainda que o Master tem um papel-chave no mercado brasileiro de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), importante fonte de financiamento para algumas companhias, principalmente nos setores de varejo e consumo.
Em resumo, se tais eventos, que evidenciam a dificuldade dessas empresas de pagar suas dívidas, contaminarem a confiança do investidor de renda fixa corporativa, outras empresas brasileiras podem ser arrastadas, ficando com dificuldade de acessar crédito, além de verem os preços dos seus títulos recuarem no mercado. No caso do Master, as empresas que se financiam via FIDCs também poderiam ter problemas de acesso a financiamento.
Ameaça é maior a empresas que têm dívidas de curto prazo
Segundo a Fitch, um declínio drástico em acesso a capital poderia ser uma ameaça às empresas com necessidade de financiamento de curto prazo. Embora a maior parte das empresas cobertas pela agência tenha uma boa variação de vencimentos das suas dívidas, cerca de 10%, como já mencionado, podem vir a enfrentar problemas caso as condições de liquidez no mercado de dívida piorem.
"Essas companhias têm razões de caixa e dívida de curto prazo abaixo de 1 vez, e dívidas de curto prazo que excedem 30% da dívida total. Muitos desses emissores são empresas de saúde pequenas e pouco diversificadas, estando os demais espalhados por diferentes setores", diz a Fitch.
- SAIBA MAIS: Descubra o que os especialistas do BTG estão indicando agora: O Seu Dinheiro reuniu os principais relatórios em uma curadoria gratuita para você
Investidores podem buscar títulos de dívida empresas de maior qualidade
A Fitch diz que em junho deste ano, cerca de 23% da dívida local das empresas cobertas pela agência venciam em 2025 e 2026, mas fortes condições de liquidez possibilitaram a essas companhias refinanciarem seus débitos, com emissões de títulos que superaram os R$ 39 bilhões no terceiro trimestre.
"A reação do mercado continua limitada, com as blue chips de altos ratings mantendo forte acesso a financiamento. No entanto, vemos potencial para uma virada para a qualidade, que pode apertar as condições para créditos mais fracos", diz a agência.
Em outras palavras, as empresas consideradas high grade (grandes empresas com boas avaliações de crédito) continuam bem e seus títulos de dívida podem vir a ser ainda mais buscados num futuro próximo, caso o humor dos investidores com os emissores mais high yield (mais arriscados e com menores notas de crédito) de fato vire.
O risco de liquidez no mercado de dívida corporativa, no entanto, é mitigado pela alocação de capital conservadora das empresas brasileiras nos últimos dois anos, em resposta às elevadas taxas de juros, lembra a Fitch.
CARTEIRA RECOMENDADA
Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto
7 de outubro de 2026 - 16:02VISÃO DO GESTOR
A eleição já mudou a forma de investir? Gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações
6 de outubro de 2026 - 18:29CRÉDITO PRIVADO
A correção das debêntures incentivadas acabou? Sparta vê risco de nova onda de resgates
6 de outubro de 2026 - 15:58RENDA FIXA
Tesouro Direto: preços disparam e taxas caem após primeiro turno, com ‘otimismo Flávio’; veja quanto o Tesouro IPCA+ oferece agora
5 de outubro de 2026 - 15:49RENDA FIXA
Nove em cada dez debêntures passaram a pagar mais: entenda quem perde e quem ganha com isso
2 de outubro de 2026 - 18:00SD ENTREVISTA
O ESG saiu da moda? Para a Régia Capital, ele ficou ainda mais fundamental na análise de crédito
2 de outubro de 2026 - 6:00VISÃO DO GESTOR
As LCIs e LCAs realmente ajudam a economia? Gestora diz que renúncia de R$ 50 bilhões beneficia mais os bancões do que as empresas
1 de outubro de 2026 - 13:31TAG SUMMIT
Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa
29 de setembro de 2026 - 17:32CRÉDITO PRIVADO
Investidores abandonam fundos de crédito novamente; saídas já chegam a R$ 121 bilhões em 12 meses
28 de setembro de 2026 - 13:58Conteúdo Empiricus
Onde buscar oportunidades para ‘travar’ ganhos muito acima da inflação com a Selic a 13,75%?
27 de setembro de 2026 - 10:00Conteúdo Empiricus
Alerta na renda fixa: entenda como títulos com retornos de até IPCA + 11% ao ano correm o risco de ‘sumirem das prateleiras’ em breve
26 de setembro de 2026 - 9:00Conteúdo Empiricus
Perdeu o Tesouro IPCA+ 8%? Saiba que na renda fixa ‘premium’ ainda é possível buscar retornos reais de até 10,38% ao ano; veja os títulos
25 de setembro de 2026 - 11:00RENDA FIXA
Cadê as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Títulos isentos estão sumindo das prateleiras e oferecendo taxas menores
24 de setembro de 2026 - 6:02ESTRATÉGIA NA RENDA FIXA
É hora de comprar títulos prefixados no Tesouro Direto, diz XP; investimento deve bater o CDI nos próximos anos
23 de setembro de 2026 - 17:20PAGUE MENOS IMPOSTO
Reserva de emergência na bolsa de valores? Conheça os ETFs de renda fixa
23 de setembro de 2026 - 13:32CRÉDITO PRIVADO
3 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para comprar com a Selic em queda, segundo a Empiricus
22 de setembro de 2026 - 18:45DÚVIDA SOBRE ALÍQUOTA
Polêmica sobre imposto de renda de ETFs de renda fixa volta ao radar após XP suspender negociação de seis fundos de crédito
22 de setembro de 2026 - 8:38RENDA FIXA
Tesouro Direto também reagiu mal ao reajuste do Bolsa Família, mas reverteu movimento no fim do dia; veja como fecharam as taxas
17 de setembro de 2026 - 17:45SIMULAÇÃO
Renda fixa: quanto R$ 100 mil deixaram de render desde o início do ciclo de corte de juros?
17 de setembro de 2026 - 16:34INVESTIMENTO MAIS BARATO