Warren Buffett diz que deixará comando da Berkshire Hathaway no fim deste ano
Megainvestidor disse que pedirá que conselho eleja Greg Abel para seu lugar no fim de 2025

Já era esperado que, mais cedo ou mais tarde, o lendário investidor Warren Buffett, 94, anunciasse sua saída de cena da Berkshire Hathaway. Pois este dia chegou, bem neste sábado (3), data em que acontece a tão esperada conferência com investidores da holding do “Oráculo de Omaha”.
Segundo Buffett, ele deve deixar o cargo de CEO ao fim deste ano, e pedirá que o conselho eleja Greg Abel como novo comandante da Berkshire Hathaway.
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“Amanhã, teremos uma reunião do conselho da Berkshire, e temos 11 diretores. Dois dos diretores, que são meus filhos, Howie e Susie, sabem do que vou falar lá. Para os demais, isso será novidade, mas acho que chegou a hora de Greg se tornar o CEO da empresa no final do ano”, disse Buffett, nos minutos finais da reunião.
“Eu ainda estarei por perto e serei útil em alguns casos, mas a palavra final será dada por Greg em qualquer assunto. Greg não sabia disto até agora. Ele será o CEO e ponto”, disse Buffett.

O megainvestidor afirmou, ainda, que não venderia nenhuma das ações da Berkshire. “A decisão de manter todas as ações é uma decisão econômica, porque acredito que as perspectivas da Berkshire serão melhores sob a gestão de Greg do que as minhas”, disse Buffett.
Seus comentários foram seguidos de um longo aplauso, com o público de pé.
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Buffett e Abel disseram à rede norte-americana CNBC, após a reunião de acionistas, que a dupla discutiria na reunião do conselho de domingo (4) qual será o papel formal de Buffett no próximo ano. Buffett também é atualmente presidente do conglomerado. Portanto, não está claro se Abel também assumirá o cargo de presidente.
Visão de Buffett sobre EUA e tarifas de Trump
Como Buffett vinha se mantendo em silêncio sobre os últimos acontecimentos que abalaram os EUA e o mercado financeiro global, a reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway atraiu os olhares atentos de milhares de investidores querendo descobrir o que o “Oráculo de Omaha” pensa sobre as tarifas de Donald Trump e a economia norte-americana.
Pois ele fez valer a pena. Na sessão de perguntas e respostas, Buffett falou pela primeira vez sobre o tema. Primeiro, sem mencionar Trump, criticou a ideia de tarifas e protecionismo comercial, afirmando que "o comércio não deve ser uma arma".
"Nos Estados Unidos, devemos buscar negociar com o resto do mundo. Devemos fazer o que fazemos de melhor, e eles devem fazer o que fazem de melhor", disse Buffett.
Sorte de ter nascido nos EUA
Um pouco mais adiante, o megainvestidor disse que continua apostando tudo nos EUA, apesar da crescente preocupação dos investidores com a direção da economia do país e sua posição no cenário mundial.
“Mencionei que começamos como uma sociedade agrícola. Começamos como uma sociedade com grandes promessas, e não as cumprimos muito bem”, disse ele.
“Estamos sempre em processo de mudança. Sempre encontraremos todo tipo de coisa para criticar no país, mas o dia mais sortudo da minha vida foi o dia em que nasci, [porque] nasci nos Estados Unidos.”
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“Passamos por grandes recessões, passamos por guerras mundiais, passamos pelo desenvolvimento de uma bomba atômica com a qual nunca sonhamos na época em que nasci, então eu não ficaria desanimado pelo fato de não parecer que resolvemos todos os problemas que surgiram”, continuou ele.
“Se eu nascesse hoje, continuaria negociando no útero até que me dissessem que posso ficar nos Estados Unidos.”
EUA: catedral anexa a um cassino
Durante a tarde, ainda respondendo a perguntas da audiência, Buffett chamou os EUA de “exemplo brilhante de capitalismo”, fazendo a analogia de uma catedral anexa a um cassino.
“O capitalismo nos Estados Unidos teve um sucesso como nunca visto antes. É uma combinação desta magnífica catedral, que produziu uma economia como nenhuma outra que o mundo já viu, e ainda tem este enorme cassino anexado”, disse ele.
“Nas catedrais, eles basicamente estão projetando coisas que produzirão bens e serviços para cerca de 300 milhões de pessoas como nunca foi feito antes na história.”
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Embora a tentação de concentrar todo o seu tempo e energia neste cassino metafórico seja bastante alta, Buffett alertou que manter o equilíbrio é de extrema importância.
“No cassino, todos estão se divertindo e há muito dinheiro trocando de mãos e tudo mais, mas é preciso garantir que a catedral também seja alimentada”, disse ele.
“É muito importante que os Estados Unidos, nos próximos 100 anos, garantam que a catedral não seja tomada pelo cassino.”
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