Vai dar para ir para a Argentina de novo? Peso desaba 12% ante o dólar no primeiro dia da liberação das amarras no câmbio
A suspensão parcial do cepo só foi possível depois que o governo de Javier Milei anunciou um novo acordo com o FMI no valor de US$ 20 bilhões

Se você desistiu de ir à Argentina porque o câmbio não estava mais tão favorável aos brasileiros como já esteve no passado, aqui pode estar uma boa notícia: o peso argentino chegou a se desvalorizar 17% nesta segunda-feira (14) com a suspensão parcial do cepo, como é conhecido o controle cambial no país.
O dólar oficial e o dólar Banco Nación chegaram ao fim da tarde com valorização de 12%, cotados a 1233,36 e 1230,00 pesos argentinos na venda, respectivamente. Já o dólar blue, negociado no mercado paralelo, recuou mais de 6%, para 1285,00 pesos argentinos, de acordo com o Ámbito Financiero.
A queda do peso argentino, no entanto, era esperada depois que o banco central do país desfez o chamado crawling peg e mudou para uma faixa de negociação mais ampla, de 1.000 a 1.400 pesos por dólar, permitindo que a moeda flutue livremente dentro dessa faixa.
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- O crawling peg ou paridade cambial progressiva é um regime cambial no qual o valor de uma moeda é ajustado gradualmente — e não de forma abrupta — em relação a outras divisas. Isso permite que a moeda de um país se deprecie ou valorize lentamente, geralmente como parte de um regime de câmbio fixo.
O peso argentino havia fechado em 1.074 por dólar na sexta-feira (11), embora as taxas paralelas, usadas por argentinos e empresas locais para acessar dólares devido aos rígidos controles de capital em vigor na Argentina desde 2019, estivessem próximas de 1.350 por dólar.
O fim dos controles cambiais na Argentina é visto como um passo crucial para o país caminhar para uma normalização depois de anos de profunda crise econômica.
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Segundo economistas, sem o cepo, o governo de Javier Milei poderá atrair mais investimento estrangeiro e promover um crescimento mais rápido.
A suspensão do controle cambial, no entanto, tem efeitos colaterais: as pressões inflacionárias no curto prazo.
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FMI abriu caminho para o câmbio livre na Argentina
A suspensão parcial dos controles cambiais na Argentina foi possível depois do anúncio feito na última sexta-feira (11) de um novo socorro do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O empréstimo está avaliado em US$ 20 bilhões e tem duração de 48 meses e é o 23º acordo do FMI com a Argentina.
Do valor total, US$ 12 bilhões serão desembolsados de imediato. Em junho, o Fundo deve fazer uma revisão e, caso o governo Milei cumpra os pré-requisitos, terá acesso a mais US$ 2 bilhões. Em novembro, está previsto mais US$ 1 bilhão.
O acordo veio na esteira da visita do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, à Argentina nesta segunda-feira (14).
Em reunião com Milei, um dos homens fortes do governo de Donald Trump afirmou apoio total dos EUA às reformas econômicas do presidente argentino e elogiou o novo socorro do FMI e do Banco Mundial.
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