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A Argentina criou uma série de restrições cambiais nos últimos anos que limitam o acesso da pessoa física e das empresas ao dólar, mas esses dias estão contados, segundo o ministro Luis Caputo, que esteve nesta segunda-feira (2) em São Paulo
Os argentinos estão cada vez mais próximos de comprar dólar sem amarras. O ministro da Economia do país, Luis Caputo, disse em visita a São Paulo nesta segunda-feira (2) que o cepo — como as restrições cambiais são conhecidas por lá — deve acabar em 2025. No entanto, há condições para que isso aconteça.
A primeira delas é que a base monetária ampla se estabilize, isto é, que haja demanda para o excesso de pesos argentinos em circulação e que as emissões sejam contidas, ao que o governo de Javier Milei já colocou em prática.
A segunda condição é a desaceleração da inflação. Vale lembrar que o índice saiu de 25,5% no final do ano passado, para 2,7% agora.
E a terceira está ligada às reservas do banco central que, hoje, são negativas. A expectativa do governo é de que a renegociação do acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que está em andamento, ajude na recomposição dessas reservas.
A Argentina criou uma série de restrições cambiais nos últimos anos que limitavam o acesso da pessoa física e das empresas ao dólar.
Com isso, os governos do país foram estabelecendo cotas para a compra da moeda norte-americana, que fariam de acordo com a finalidade da transação.
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O problema é que cada finalidade tem uma cotação diferente para o dólar e compras em volumes maiores dependem de aprovação do governo.
Além de complicar a vida do cidadão argentino, que viu o poder de compra despencar, também dificultou a vida de empresas e do agronegócio do país.
“Sem dúvida, isto [o fim das restrições cambiais] vai acontecer em 2025. O timing é muito difícil de assegurar porque as negociações com o fundo levam tempo”, afirmou Caputo na apresentação a empresários da indústria paulista.
Quando Milei assumiu a presidência da Argentina, em dezembro de 2023, o dólar blue — como os argentinos chamam o dólar livre, ou de mercado, a principal referência de preços no país — atingiu uma alta de 25%.
Os sinais de alerta começaram a soar e os mais pessimistas previam que o presidente argentino não estaria no cargo ao final do ano e que o país reviveria os traumas de 2001-2002 — os anos das piores explosões econômicas, políticas e sociais.
Menos de um ano após a posse de Milei, nenhum destes cenários pessimistas se concretizou: a inflação desacelerou para 3,5% ao mês — o nível mais baixo em quase três anos — e o dólar paralelo, que atingiu o recorde de 1.500 pesos em julho, está em níveis semelhantes aos de janeiro.
Apesar disso, não há dúvida de que a Argentina atravessa um momento difícil: a pobreza deu o maior salto em duas décadas, o consumo despencou e o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,4% em comparação com o primeiro semestre do ano anterior.
O próprio Caputo disse nesta segunda-feira (2) que o PIB da Argentina vai cair aproximadamente 2,8% neste ano, basicamente em razão do carregamento estatístico das contas nacionais.
Apesar disso, o ministro argentino assinalou que, como resultado do programa de ajuste feito para reequilibrar as contas públicas, a Argentina será o país que mais vai crescer nos próximos 30 anos.
Após herdar o que chamou "pior situação econômica da história", Caputo disse que cortes de 30% dos gastos públicos e o fim das emissões de moeda fizeram com que a inflação mensal na Argentina caísse de 25,5% para 2,7% desde o início do mandato.
"Agora as coisas vão bem, e continuarão indo bem, porque existe uma política econômica muito mais responsável", afirmou.
*Com informações da BBC e Estadão Conteúdo
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