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Presidente dos EUA quer ampliar gastos com defesa e fronteiras, enquanto reduz verba de agências como NASA, CDC e Departamento de Educação em um dos orçamentos mais agressivos desde 2017
A necessidade de enxugar a máquina pública não é exclusividade brasileira. Uma das marcas registradas do segundo mandato de Donald Trump tem sido justamente passar a navalha no orçamento. E, nesta sexta-feira (2), o replanejamento orçamentário ganhou contornos ainda mais drásticos: o governo propôs um corte de US$ 163 bilhões nos gastos federais dos Estados Unidos para o próximo ano fiscal, segundo comunicado da Casa Branca.
Os cortes eliminariam mais de 20% das despesas não militares, desconsiderando os programas obrigatórios. A lógica é direta: cumprir promessas de campanha e ampliar os investimentos nas Forças Armadas e na segurança das fronteiras — enquanto reduz a burocracia federal.
As áreas mais atingidas incluem Educação, Saúde, Habitação, Energia, Agricultura e Pesquisa Científica. Instituições como a NASA, o Departamento de Educação, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD) e outros órgãos federais devem sentir o impacto.
De acordo com o Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca (OMB, na sigla em inglês), os gastos com defesa e segurança interna aumentarão em 13% e 65%, respectivamente, em comparação com 2025. Em contrapartida, os gastos discricionários não relacionados à defesa seriam cortados em 23%, atingindo o menor nível desde 2017.
Russ Vought, diretor do OMB, declarou que “neste momento crítico, precisamos de um orçamento histórico — que acabe com o financiamento de nosso declínio, coloque os americanos em primeiro lugar e ofereça apoio sem precedentes às nossas forças armadas e à segurança interna”.
Esta proposta surge em um contexto de dívida federal crescente, atualmente em US$ 36 trilhões. Segundo a Reuters, alguns conservadores fiscais e especialistas em orçamento temem que o projeto de lei de corte de impostos de Trump aumente essa dívida sem prever cortes suficientes nos gastos.
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Trump está pressionando o Congresso a estender os cortes de impostos de 2017, sua principal conquista legislativa no primeiro mandato, o que, segundo previsões não partidárias, poderia acrescentar US$ 5 trilhões à dívida do país.
O Senador Chuck Schumer, principal liderança democrata do Senado americano, criticou a proposta de Trump. De acordo com ele, “os dias em que Donald Trump fingia ser um populista acabaram”.
Schumer descreveu as políticas como um “ataque total aos americanos que trabalham duro”. Além disso, o senador alegou que Trump corta o sistema de saúde, a educação e programas essenciais, enquanto financia incentivos fiscais para “bilionários e grandes corporações”.
A segurança nas fronteiras é um dos focos centrais da proposta. O orçamento prevê US$ 500 milhões adicionais em gastos discricionários para reforçar a fiscalização e apoiar deportações em massa. Além disso, há US$ 766 milhões extras para tecnologia de segurança, manutenção de 22 mil agentes da patrulha e contratação de novos oficiais.
Do outro lado da balança, os cortes são amplos, mas seguem alguns destaques:
A promessa de Trump de extinguir ou reduzir drasticamente o Departamento de Educação dos EUA se traduz em um corte de cerca de 15% no orçamento da pasta. Ainda assim, o financiamento para crianças de baixa renda deve ser preservado.
No setor de habitação, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano deve perder quase metade de seu orçamento. Já na saúde, o corte proposto no Departamento de Saúde e Serviços Humanos é de 26%, com impactos severos: redução de 40% no NIH (Instituto Nacional de Saúde) e quase 50% no CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).
No campo da energia e meio ambiente, a proposta cancela US$ 15 bilhões destinados a iniciativas de energia renovável e captura de carbono. O Departamento de Agricultura (USDA) deve enfrentar corte de US$ 4,5 bilhões, enquanto a Agência de Proteção Ambiental (EPA) pode perder quase 55% de seu orçamento — incluindo a eliminação do programa de justiça ambiental.
Ainda que os números exatos não tenham sido divulgados para todas as áreas, o OMB sinalizou cortes drásticos também no programa lunar da NASA. Outras instituições de pesquisa devem seguir o mesmo caminho, como a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que está na mira de um corte de US$ 1,3 bilhão.
*Com informações do Money Times e Reuters
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