Trump e Putin se preparam para negociar cessar-fogo na guerra da Ucrânia; republicano quer Zelensky na mesa, mas acordo preocupa Kiev
O encontro vem na esteira do fim do prazo de Trump para que Putin concordasse com um cessar-fogo; entenda o que está em jogo agora

No tabuleiro geopolítico, o Alasca virou a nova peça central. É lá que, na próxima sexta-feira (15), Donald Trump e Vladimir Putin devem se encontrar para discutir um possível cessar-fogo na guerra da Ucrânia.
O encontro reacendeu esperanças de uma trégua no conflito, mas também elevou a tensão em Kiev e entre os aliados europeus: o temor é que um acordo seja fechado sem a participação do presidente Volodymyr Zelensky — e, pior, que inclua concessões territoriais à Rússia.
A ideia de uma cúpula trilateral, incluindo Zelensky, está sobre a mesa, mas a Casa Branca ainda não deu detalhes do encontro e nem se o líder ucraniano faria parte das conversas.
Vale lembrar que a última vez que o Alasca sediou uma reunião diplomática de alto risco foi em março de 2021, quando funcionários do governo do ex-presidente Joe Biden se encontraram com executivos chineses.
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As propostas estão na mesa… basta saber quem vai aceitar
Apesar da falta de informações concretas, Trump já adiantou que uma solução “poderia envolver troca de territórios para benefício de ambos os lados”, comentário que gerou reação imediata em Kiev.
“O povo ucraniano não dará sua terra ao ocupante”, respondeu Zelensky no sábado. O presidente lembrou que a Constituição do país proíbe ceder territórios e alertou que decisões tomadas sem a Ucrânia seriam “contra a paz” e inviáveis na prática.
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Além do comentário de Trump, a proposta russa também preocupa Kiev. Isso porque o Kremlin estaria exigindo que a Ucrânia ceda formalmente as quatro regiões que Putin diz ter anexado — Luhansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson — além da Crimeia, tomada em 2014.
A proposta russa também exige que a Ucrânia aceite neutralidade permanente, sem poder ingressar na OTAN.
A presença de Zelensky nas negociações entre Trump e Putin
As negociações para o fim do conflito aceleraram após o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, se reunir com Putin em Moscou, na última quarta-feira (6).
Com a reunião entre Trump e Putin se aproximando, a participação — ou não — de Zelensky pode se tornar um ponto de atrito.
Enquanto a Casa Branca mantém silêncio sobre a presença do líder ucraniano, Kiev e seus aliados europeus já manifestam críticas à possível exclusão de Zelensky do encontro.
Porém, fontes do governo norte-americano afirmam que a participação do presidente ucraniano na reunião é “absolutamente possível”.
“Todos estão muito esperançosos de que isso aconteça”, disse uma autoridade dos EUA à CNBC.
Inicialmente, a Casa Branca chegou a impor um encontro entre Putin e Zelensky como condição para que a reunião entre Trump e o presidente russo ocorresse. Mas, posteriormente, o republicano recuou e disse que não era um pré-requisito.
Vale lembrar que Trump havia estabelecido a última sexta-feira (8) como prazo final para que Putin concordasse com um cessar-fogo. Caso o conflito não chegasse ao fim, a Rússia seria atingida pela metralhadora tarifária do presidente norte-americano, que ameaçou taxas de 100%.
O ultimato não assustou o líder russo, que segue com as ofensivas contra a Ucrânia.
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União Europeia em defesa da Ucrânia
Neste sábado (9), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, se encontrou com o secretário de Relações Exteriores britânico, David Lammy, em conjunto com representantes da Ucrânia e aliados europeus em Chevening House, em Londres, para discutir a iniciativa de Trump pela paz.
Os líderes de França, Itália, Alemanha, Polônia, Reino Unido, Finlândia e a Comissão Europeia divulgaram um comunicado apoiando a busca por uma solução pacífica e elogiando a iniciativa.
Porém, os líderes europeus reforçaram que as fronteiras não poderiam ser alteradas com o uso da força, uma vez que apenas incentivaria a agressão russa. Além disso, afirmaram que as negociações só seriam possíveis com cessar-fogo ou redução das hostilidades no conflito.
“Compartilhamos a convicção de que uma solução diplomática deve proteger os interesses vitais de segurança da Ucrânia e da Europa”, disseram.
Já o chefe de gabinete de Zelenskiy, Andriy Yermak, que participou das negociações com líderes europeus e as autoridades norte-americanas, afirmou que a Ucrânia estava grata pela abordagem do vice-presidente dos Estados Unidos e por “respeitar todos os pontos de vista”.
Ainda assim, reiterou a posição de Kiev de rejeitar quaisquer concessões territoriais à Rússia. “Um cessar-fogo é necessário, mas a linha de frente não é uma fronteira”, disse Yermak no X (antigo Twitter).
Representantes europeus apresentaram uma contraproposta, mas não foram fornecidos detalhes.
Por meio de publicações nas redes sociais, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron falaram sobre encontrar uma “paz justa e duradoura” na Ucrânia e “apoio inabalável” à Zelensky.
Macron ainda enfatizou a necessidade de a Ucrânia estar presente em quaisquer negociações. “O futuro da Ucrânia não pode ser decidido sem os ucranianos, que lutam por sua liberdade e segurança há mais de três anos”, escreveu ele no X.
“Os europeus também farão necessariamente parte da solução, pois sua própria segurança está em jogo”, completou.
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