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2ª OBRA MAIS CARA DA HISTÓRIA

Roubado por nazistas e quase destruído em um incêndio: a incrível história por trás do quadro de mais de R$ 1 bilhão

Tela de pintor austríaco Gustav Klimt se consagra como a segunda obra de arte mais cara já vendida em leilão; conheça a história por trás da tela

Retrato de Elisabeth Lederer
Imagem: Reprodução/Montagem Seu Dinheiro

Uma obra de quase dois metros de altura. Cores vibrantes e um fundo repleto de detalhes inspirados na arte chinesa. Ao centro da tela, uma jovem judia com olhos hipnotizantes e uma beleza suave, trajada com um manto imperial chinês branco. Quem olha para esta tela já consegue imaginar por que ela é tão valiosa… Mas a sua história vai muito além da sua estética. 

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O Retrato de Elisabeth Lederer (1914–1916) é um quadro de Gustav Klimt (1862-1918), renomado artista austríaco conhecido principalmente por sua obra O Beijo (1907–1908). Na semana passada, o retrato atraiu todos os holofotes no mundo da arte ao ser leiloado por US$ 236,4 milhões — o equivalente a mais de R$ 1,25 bilhão.

Assim, o Retrato de Elisabeth Lederer se tornou a segunda obra de arte mais cara já leiloada na história, perdendo apenas para Salvator Mundi, quadro de Leonardo da Vinci vendido em 2017 por US$ 450 milhões (mais de R$ 2,4 bilhões de reais na cotação atual).

Mas foi por pouco que a tela de Klimt não teve um destino trágico. Isso porque ela foi uma das milhares de obras de arte vítimas da pilhagem nazista, isto é, do roubo sistemático de arte e bens culturais praticado pelo regime de Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial. 

O mesmo pode se dizer em relação a Elisabeth Lederer, a musa judia da obra, que precisou reescrever a sua própria história para ter a chance de sobreviver em Viena. 

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Retrato de Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt
Retrato de Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt

O que aconteceu com Elisabeth Lederer e seu retrato

O Retrato de Elisabeth Lederer foi encomendado em 1914 pelo casal August e Serena Lederer para eternizar sua única filha, Elisabeth. Aqui, estamos falando de uma das famílias mais ricas de Viena, que tinha um catálogo notável de obras de arte — muitas delas do próprio Gustav Klimt, inclusive, que era próximo da família (guarde essa informação). 

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A tela, finalizada em 1916, foi considerada símbolo da “era de ouro” da cultura de Viena e reafirmava o prestígio da família dentro da elite da cidade. O quadro foi colocado na sala da mansão Lederer, e ficou lá, em posição de destaque… Até 1938, quando a cidade foi invadida pelos nazistas e a Áustria foi incorporada ao Terceiro Reich.

A maioria das obras dos Lederer foi confiscada pelos nazistas — com exceção daquelas consideradas “judias demais para serem roubadas”. Posteriormente, foram levadas para o Castelo de Immendorf, onde os nazistas abrigavam as obras de arte apreendidas. 

Enquanto isso, fora das telas 

Mesmo diante da tomada dos nazistas na Áustria, Elisabeth Lederer se recusou a fugir de Viena. 

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Seu cenário era delicado: ela era uma mulher judia que se encontrava sozinha. Divorciada, seu único filho havia morrido ainda jovem. Seu pai havia morrido anos antes. E sua mãe fugira para sobreviver à perseguição nazista, assim como seus demais parentes.

Foi então que, em 1939, Elisabeth recorreu a uma estratégia nada convencional: alegou ser filha ilegítima de Gustav Klimt, e portanto, “portadora de seu sangue ariano”. 

Gustav Klimt, em 1917. Fonte: Reprodução/WikiCommons

A narrativa “fazia sentido”: quando vivo, o pintor tinha várias amantes e recebia a fama de “mulherengo”. Além disso, Klimt tinha uma forte ligação com a família Lederer (lembra disso?), e tanto Elisabeth quanto sua mãe, Serena, foram musas importantes do artista.

Serena, inclusive, assinou um documento reconhecendo a paternidade de Klimt sobre a filha —  e os nazistas “compraram” a ideia, o que garantiu certa proteção a Elisabeth até 1944, quando morreu devido à complicações de saúde, aos 48 anos.

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De volta ao seu retrato e à sua (quase) destruição

Em 1945, as tropas nazistas se retiraram da Áustria — mas sem antes colocarem fogo no Castelo de Immendorf

O objetivo? Garantir que as obras de arte jamais caíssem nas mãos dos Aliados. Estima-se que 140 obras de arte foram perdidas nesse desastre, incluindo onze obras do acervo dos Lederer, sendo várias de Gustav Klimt. 

Porém, o Retrato de Elisabeth Lederer não foi uma delas. Afinal, os nazistas não tinham interesse em exibir publicamente uma mulher judia no Castelo. Paradoxalmente, foi esse pensamento que manteve o quadro a salvo da destruição. 

Além dele, escaparam do incêndio o retrato de Serena Lederer, também pintado por Klimt, e o retrato do meio-irmão de Elisabeth, Erich Lederer, feito por Egon Schiele.

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Os 3 retratos da família Lederer que sobreviveram ao incêndio; Retrato de Elisabeth Lederer e Retrato de Serena Lederer, de Gustav Klimt, e o Retrato de Erich Lederer, de Egon Schiele
Os 3 retratos da família Lederer que sobreviveram ao incêndio. Da esquerda para a direita: Retrato de Elisabeth Lederer e Retrato de Serena Lederer, de Gustav Klimt; e o Retrato de Erich Lederer, de Egon Schiele. Reprodução/Montagem Seu Dinheiro

Em 1948, o Retrato de Elisabeth Lederer foi encontrado e devolvido a Erich Lederer, permanecendo com ele por toda a vida.

Depois, passou a fazer parte da coleção privada do bilionário Leonard A. Lauder, herdeiro da Estée Lauder, até a sua morte, em junho deste ano.

Agora, em novembro, o retrato voltou ao mercado internacional e fez história, entrando para o grupo das pinturas mais valiosas do mundo.

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