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Decisão judicial impede tentativa de Trump de destituir a primeira mulher negra a integrar o conselho do Federal Reserve; entenda o confronto
O embate entre Donald Trump e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) acaba de ganhar um novo revés. Um tribunal federal de Washington decidiu na última terça-feira (9) que a diretora do Fed, Lisa Cook, pode permanecer no cargo enquanto luta contra os esforços do republicano para demiti-la.
A juíza determinou que o presidente do Fed, Jerome Powell, e o conselho da instituição estão preliminarmente proibidos de tomar alguma medida para efetivar a remoção de Cook até que o litígio seja resolvido. Isso inclui tratar a diretora como se já tivesse sido destituída do cargo e obstruir seu acesso aos benefícios e recursos a que tem direito.
A decisão vem na esteira de uma série de eventos que marcaram o confronto entre Trump e o Fed. No final de agosto, Trump divulgou uma carta em sua rede social, Truth Social, anunciando a demissão de Lisa Cook, sob a acusação — sem provas — de fraude hipotecária relacionada à aquisição de duas propriedades em 2021, antes de ingressar no Fed.
A decisão não foi exatamente surpresa, já que o republicano havia informado que demitiria a diretora caso ela não deixasse o cargo. Na carta, Trump afirmou não ter "confiança na integridade de Cook" e garantiu que havia "causa suficiente para removê-la de sua posição".
Os advogados de Cook argumentaram que a demissão era ilegal porque presidentes do país só podem demitir diretores do Fed "por justa causa" — o que significa ineficiência, negligência no cumprimento do dever ou má conduta no cargo.
“Não vou renunciar. Continuarei a desempenhar minhas funções para ajudar a economia americana”, disse a diretora. Ela ainda afirmou que Trump não possui autoridade para destituí-la do cargo.
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Mas, afinal, quem é a diretora do banco central norte-americano que está disposta a desafiar a ordem do atual homem mais poderoso do mundo?
Lisa Cook é a primeira mulher negra a integrar o conselho do Federal Reserve, um marco histórico na instituição. Confirmada pelo Senado em 2023 para um mandato que se estende até 2038, ela se juntou ao banco central em 2022, vinda de uma carreira como pesquisadora acadêmica.
Indicada pelo ex-presidente Joe Biden, ela também ocupa um dos sete assentos no Conselho de Diretores, que compõem o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que define a taxa de juros no país.
Anteriormente, Cook atuou no Conselho de Assessores Econômicos do ex-presidente Barack Obama e trabalhou no Tesouro dos Estados Unidos.
Desde que se juntou ao Federal Reserve, Lisa Cook geralmente manteve um perfil discreto, com sua atuação descrita como “causando impacto – e não gerando notícias”.
Contudo, essa descrição foi interrompida, e a governadora do Fed foi lançada para o centro do debate público por conta das acusações de fraude e da pressão para sua saída.
*Com informações do Estadão Conteúdo e da Associated Press.
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