Não pagaram para ver: veja quais países já fecharam acordo para aliviar as tarifas impostas por Trump
Japão, UE e Vietnã estão entre os que conseguiram reduzir as tarifas; Brasil segue na lista vermelha de Trump

A ofensiva comercial de Donald Trump ganhou velocidade nas últimas semanas, e os governos que quiseram evitar o pior tiveram que correr (e abrir o bolso).
Com a ameaça de um tarifaço generalizado a partir de 1º de agosto, os Estados Unidos iniciaram uma série de renegociações bilaterais.
A estratégia, no entanto, vem com custo alto para os parceiros, e quem não se mexer a tempo deve enfrentar taxas que podem chegar a 50% — caso do Brasil, por enquanto.
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A menos de cinco dias da virada, veja quais países já conseguiram fechar acordos com os EUA para aliviar o impacto das novas tarifas.
União Europeia
O acordo mais recente foi fechado neste domingo (27). Após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente norte-americano anunciou uma tarifa de 15% sobre as exportações do bloco, em substituição à alíquota de 30% que vinha sendo praticada.
Em troca, a União Europeia prometeu investir US$ 600 bilhões nos Estados Unidos e gastar outros US$ 750 bilhões no setor de energia.
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Japão
Na terça-feira (22), Trump comunicou um acerto com o Japão: a tarifa sobre produtos japoneses caiu de 25% para 15%.
Em contrapartida, Tóquio se comprometeu a investir US$ 550 bilhões nos EUA e abrir o mercado a produtos agrícolas e automotivos norte-americanos. No entanto, o aço e o alumínio ficaram de fora do acordo e seguem com alíquota de 25%.
Em evento na Casa Branca, Trump afirmou que o pacto com o Japão “pode ser o maior da história” e prometeu a criação de centenas de milhares de empregos.
Indonésia
Também na terça (22), o governo norte-americano confirmou a assinatura de um acordo com a Indonésia. Pelo tratado, os EUA reduzirão a tarifa de 32% para 19% sobre os produtos indonésios.
Em troca, o país asiático se comprometeu a eliminar 99% das barreiras tarifárias para produtos norte-americanos, comprar US$ 15 bilhões em mercadorias dos EUA nos próximos dois anos, e derrubar exigências técnicas e sanitárias que limitavam o comércio bilateral.
Filipinas
O acordo entre Estados Unidos e Filipinas fixou a tarifa sobre produtos filipinos em 19%, abaixo da média de 25% a 50% aplicada a países sem negociação.
Já os produtos americanos exportados às Filipinas terão isenção total de tarifas, e os dois países reforçaram o compromisso de cooperação militar.
Vietnã
No caso do Vietnã, a tarifa sobre produtos importados caiu de 46% para 20%, enquanto produtos originários de terceiros países — mas que passam pelo território vietnamita — pagarão 40%.
O país asiático também ofereceu acesso total ao seu mercado para os produtos dos EUA e não cobrará tarifas sobre exportações norte-americanas.
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Reino Unido
O primeiro país a fechar acordo com Trump foi o Reino Unido, ainda no mês de maio.
O tratado estabelece uma tarifa-base de 10% sobre produtos britânicos, além de isenção total para itens aeroespaciais dentro de cotas específicas.
Em troca, o Reino Unido reduziu a alíquota média sobre bens norte-americanos de 5,1% para 1,8% e prometeu simplificação aduaneira nas exportações.
Trégua com a China
No caso da China, não houve um acordo definitivo, mas sim uma trégua de 90 dias.
A medida foi tomada após Trump anunciar que elevaria as tarifas a, no mínimo, 145% sobre produtos chineses, o que paralisou o comércio entre os dois países.
Durante a trégua, os Estados Unidos impõem uma tarifa-base de 30% sobre os produtos chineses, enquanto a China responde com uma alíquota de 10% sobre as exportações americanas.
As negociações serão retomadas nesta semana na Suécia, e a expectativa é de uma nova trégua de 90 dias.
Quem ainda está na fila
Trump afirmou a jornalistas, na sexta-feira (25), que espera concluir “a maioria, se não todos” os acordos tarifários até agosto.
Enquanto isso, vários países seguem em negociação com os Estados Unidos para tentar escapar das tarifas mais altas. Entre eles estão:
- Índia: negocia tarifa abaixo de 20% em troca de abrir o mercado agrícola;
- Coreia do Sul: prepara proposta com foco em construção naval;
- Argentina: busca isenção para 80% do comércio bilateral;
- Malásia: quer tarifa inferior a 20%;
- Taiwan: tem delegação em Washington;
- Bangladesh: encomendou 25 aviões da Boeing para evitar tarifa de 35%.
Brasil segue fora da lista (por enquanto)
O governo brasileiro ainda busca uma forma de evitar as tarifas mais pesadas, de 50%.
Durante as negociações, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou na quinta-feira (24) ter conversado com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e proposto dobrar o volume do comércio bilateral nos próximos cinco anos.
A aposta do setor privado era conquistar, ao menos, um adiamento do tarifaço previsto para 1º de agosto — o que abriria espaço para novas rodadas de negociação.
Mas esse cenário perdeu força no domingo (27), quando Trump declarou que não pretende reabrir conversas com outros países antes do próximo mês.
Com isso, o Brasil continua fora da lista de acordos e permanece entre os alvos das tarifas mais altas.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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