“Liquidem agora”, ordena Milei. A decisão da Argentina que deve favorecer o Brasil
A determinação do governo argentino pode impactar os preços globais de commodities agrícolas e beneficiar as exportações brasileiras no curto prazo

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou esta semana que, a partir de julho, as tarifas sobre as exportações do agronegócio – as chamadas retenciones – voltarão a subir após a redução temporária que está em vigor desde o final de janeiro de 2025.
“Avisem ao campo que se for para liquidar, que o façam agora, porque elas [retenciones] voltam em julho”, disse Milei em entrevista para rádio do país.
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A redução das tarifas foi implementada para acelerar a liquidação de dólares pelo agronegócio durante um período de valorização da moeda argentina, conforme números abaixo:
- Soja: 33% para 26%
- Milho: 12% para 9,5%
- Trigo: 12% para 9,5%
“É uma pena que a Argentina vá pelo caminho da volta das retenciones, indo contra o caminho lógico para recuperar o vigor que o país deveria ter e soube ter”, afirmou Diego Cifarelli, presidente da Federação Argentina da Indústria Moageira (Faim), em entrevista ao La Nacion.
Produtores e lideranças do agronegócio na Argentina revelaram espanto com o anúncio de Milei.
"Estamos surpresos. Não esperávamos essa medida sobre as tarifas de exportação neste momento. Insistimos que o produtor precisa de previsibilidade e políticas de longo prazo", afirmou Lucas Magnano, presidente da Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro), ao Clarín.
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A volta das retenciones: os impactos para o agro brasileiro
Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, acredita que a volta das tarifas aos patamares anteriores a janeiro tende a favorecer outros mercados exportadores de grãos, como o Brasil, na medida em que encarecem as commodities e seus derivados no mercado internacional.
“Porém, a partir de julho, já existe um cenário de exportações mais lentas por parte do Brasil para soja, com o pico dos embarques agora em abril. Então, essa questão pode favorecer o Brasil, mas há essa ressalva”, afirmou ao Money Times.
Bulascoschi também enfatiza que a decisão aconteceu em um momento de término do controle cambial na Argentina, resultando em uma forte queda do peso nesta semana. A desvalorização da moeda tende a beneficiar a comercialização de produtos de exportação do país, como grãos.
“O anúncio da volta das retenciones e um câmbio mais desvalorizado pode fazer com que a Argentina tenha um impulso exportador um pouco mais forte no curto prazo, antes de julho, aproveitando esse câmbio e os menores impostos.”
*Com informações do Money Times
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