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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

VELHA NOVA ORDEM

Ato simbólico ou um aviso ao mundo? O que está por trás do ‘Departamento de Guerra’ de Donald Trump

Donald Trump assinou na sexta-feira uma ordem executiva para mudar o nome do Pentágono para ‘Departamento de Guerra’

Ricardo Gozzi
6 de setembro de 2025
13:38 - atualizado às 13:44
Silhueta de Donald Trump pegando fogo com bandeira dos EUA no fundo.
Imagem: iStock

Se Donald Trump ainda alimentava alguma espécie de aura de "pacificador" entre seus apoiadores, ela perdeu um pouco de resplendor na noite de sexta-feira (5). Em mais um sinal de volta ao passado, o presidente dos Estados Unidos resolveu "rebatizar" o Pentágono. Em um ordem executiva assinada ontem à noite, Trump determinou que o Departamento de Defesa volte a se chamar Departamento de Guerra.

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Inicialmente, o Pentágono ostentará o novo nome como um "título secundário". Isso porque o governo ainda precisa da aprovação do Congresso para tornar a mudança permanente.

Ainda não há uma estimativa de custo do rebranding do Pentágono. No entanto, a mídia norte-americana estima que o preço poderia chegar à casa do bilhão de dólares.

Só a troca das placas do departamento governamental em milhares de instalações nos EUA e em dezenas de países ao redor do mundo custaria muitos milhões de dólares. Isso sem levar em consideração uniformes e outros materiais.

O fato é que, por meio do decreto, Trump dá mais um passo no estabelecimento de uma velha nova ordem mundial.

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Se com a guerra comercial, a Casa Branca parece buscar uma reorganização global em torno de uma ordem pré-capitalista, o restabelecimento do "Departamento de Guerra" é um passo de volta ao entreguerras.

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Uma viagem ao passado

O nome original remonta ao rescaldo da Independência dos EUA. O Departamento de Guerra surgiu em 1789, já com status ministerial. A troca do nome ocorreu na esteira do fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 1949, o nome foi oficialmente alterado para "Departamento de Defesa".

A mudança coincidiu com a reorganização dos sistemas militares e da consolidação do Pentágono como sede do poder militar norte-americano.

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"As missões militares devem ser direcionadas não à guerra, não à conquista, mas à paz", argumentou o então presidente Harry Truman em 1947 ao defender a mudança de nome do Departamento de Guerra perante o Congresso.

Para muitos analistas, porém, isso nunca parou de retórica.

O constante envolvimento dos EUA em guerras e intervenções militares ao redor do mundo nas últimas décadas deixa pouco espaço para constestação.

De qualquer modo, no que depender de Trump, a retórica pacifista do pós-guerra acabou.

Ele considera que o termo "defesa" soa "passivo demais" para uma estrutura que também deve assumir postura ofensiva. O objetivo é "projetar força e determinação".

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Ainda segundo o atual presidente norte-americano, a mudança para Departamento de Guerra refletiria melhor a natureza do braço do governo norte-americano.

Trump já vem chamando seu secretário de defesa, Pete Hegseth, de "secretário de guerra", reforçando seu posicionamento de que o órgão deve adotar uma postura mais agressiva e ativa no cenário internacional.

O significado da decisão de Trump

O fato é que o esforço de Donald Trump para renomear o Departamento de Defesa vai além de uma escolha subjetiva de palavras.

A mudança de nome explicita uma histórica incompatibilidade entre palavras e ações do próprio Trump e de muitos de seus predecessores quando o assunto é guerra e paz.

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Além disso, assim como ocorreu com o tarifaço, Trump impõe um novo desafio à ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Tudo isso em um momento no qual o nome de Donald Trump figura em diferentes bolsas de apostas como um dos favoritos ao Prêmio Nobel da Paz de 2025, que será conhecido em outubro.

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