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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

O PREÇO DA PACIÊNCIA

Empresas chinesas não sabem o que fazer com a pilha de dinheiro que têm em caixa — e são seus acionistas que estão ganhando com isso

Com a crise econômica na China, Pequim vem estimulando uma mudança na política das empresas do país, que estão distribuindo dividendos recordes aos acionistas

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
11 de fevereiro de 2025
14:03 - atualizado às 13:34
Bam China
Imagem: Shutterstock

A economia chinesa vive um período de crise desde o fim da pandemia e, com a volta de Donald Trump à Casa Branca, as tensões geopolíticas devem adicionar pressão a um cenário já delicado para o Gigante Asiático. Porém, por mais contraditório que pareça, essa situação pode impulsionar o mercado de ações do país — e já vem atraindo investidores.

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As companhias chinesas tinham como tradição realocar o seu capital em projetos de expansão. Porém, em meio às incertezas econômicas, elas não estão sabendo onde colocar o dinheiro. Assim, em vez disso, elas têm optado por distribuir dividendos de peso.

No ano passado, empresas chinesas listadas pagaram um recorde de 2,4 trilhões de yuans (US$ 328 bilhões) em dividendos, de acordo com dados da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC).

 Além disso, as empresas fizeram a recompra de 147,6 bilhões de yuans em ações — o que também representa um recorde histórico no país, sendo esta uma outra forma de dar retorno aos acionistas.

A CSRC estima que mais de 310 empresas tenham distribuído dividendos superiores a 340 bilhões de yuans entre dezembro de 2024 e janeiro deste ano. O montante representa um aumento de nove vezes no número de empresas que pagam proventos.

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O rendimento de dividendos das ações chinesas também subiu para cerca de 3%, o nível mais alto em quase uma década, segundo dados do Goldman Sachs.

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As empresas chinesas não devem parar por aí. O banco estima que a distribuição de dividendos das empresas chinesas pode atingir 3,5 trilhões de yuans este ano, alcançando um novo recorde.

O analista Herald Van Der Linde, do HSBC, também concorda com a avaliação. “Acho que eles [dividendos recordes] vão continuar. As empresas não sabem onde colocar seu dinheiro. Elas não recebem muito do banco, então devolvem aos acionistas. Esta é uma mudança muito grande de mentalidade”, disse ao veículo norte-americano CNBC.

Uma questão de prioridade

A mudança de estratégia das empresas chinesas não é apenas um movimento natural do mercado. O governo chinês vem pressionando as companhias para aumentar a distribuição de dividendos.

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A medida é uma tentativa de reverter o cenário do mercado de ações local, que não tem vivido dias fáceis com a crise no país. Desde 2021, o índice de referência CSI 300, de Xangai, apresentou queda de mais de 27%. Já o S&P 500, índice de referência norte-americano, teve um aumento de 65% no mesmo período.

Desde o ano passado, o governo da China tornou o aumento dos retornos aos acionistas uma prioridade e vem oferecendo incentivos fiscais às companhias para promover pagamentos de dividendos e recompras de ações.

Em abril de 2024, os reguladores reforçaram os padrões de listagem de ações, reprimiram as vendas ilegais dos papéis e reforçaram a regulamentação dos pagamentos de dividendos.

Além disso, em outubro, o banco central da China lançou um programa de repasse direcionado de 300 bilhões de yuans para ajudar empresas listadas e grandes acionistas a recomprarem ações.

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Quanto vale a paciência? Os dividendos respondem…

Na visão do diretor de investimentos da Julius Baer, Bhaskar Laxminarayan, a estratégia de Pequim em pressionar a distribuição de dividendos recordes é um “pagamento pela paciência” dos investidores que optam por permanecer no mercado de ações chinês.

“A maneira mais simples de ver isso é que você deve receber dividendos suficientes, ou alguma outra ação comum, para suportar a dor do fato de que a recuperação pode não acontecer”, disse o diretor à CNBC. “Se não, então não vale a pena”.

Vale lembrar que, mesmo com as medidas do governo chinês, o cenário econômico do país continua incerto, pressionado pela crise imobiliária, o aumento do endividamento corporativo e a baixa demanda doméstica.

Porém, na visão de Shaun Rein, diretor administrativo do China Market Research Group, a pressão por altos dividendos em meio à crise deve impulsionar as ações chinesas no curto prazo.

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Isso porque, não há “nenhum outro lugar para os chineses guardarem seu dinheiro” além do ouro, afirmou o executivo à CNBC.

Dividendos de peso: A mudança cultural das empresas chinesas

As empresas estatais estão na linha de frente dessa mudança de cultura em relação ao pagamento de dividendos e às recompras de ações, segundo a Allianz Global Investors. 

Entre as gigantes à frente da nova política, a PetroChina se destaca com um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) de cerca de 8%. Além da petroleira, o CNOOC Group também chama atenção, com uma taxa de 7,54%.

Porém não são apenas as estatais que estão aderindo à tática. Empresas privadas também estão aumentando seus pagamentos de proventos. 

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A gigante do comércio eletrônico JD.com aprovou uma recompra de US$ 5 bilhões ao longo de três anos em setembro de 2024. Além disso, a taxa de retorno da empresa é de 1,9%.

No entanto, o dividend payout da China — que mede os dividendos distribuídos aos acionistas em relação ao lucro líquido da empresa — ainda fica atrás de algumas de suas concorrentes asiáticas.

A taxa da China ficou em 52,58% no final de janeiro deste ano, de acordo com dados da Reuters e LSEG. 

Embora maior do que os 36,12% do Japão e os 27,6% da Coreia do Sul, o número ainda fica atrás de Cingapura, que ficou em 78,13%.

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*Com informações da CNBC e da Reuters

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