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Maria Eduarda Nogueira

Maria Eduarda Nogueira

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Comunicação e Marketing Digital na ESPM. Atualmente, está baseada em Paris, onde faz mestrado em comunicação e mídias digitais na Sorbonne e cobre temas como luxo, turismo e arte.

MANTENDO A META

China não quer pisar no freio: país asiático mantém meta de crescimento do PIB ‘em torno de 5%’, mesmo com guerra comercial de Trump

Anúncio da meta veio junto ao de diversos estímulos fiscais, através da emissão de títulos públicos

Maria Eduarda Nogueira
Maria Eduarda Nogueira
5 de março de 2025
11:01
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Imagem: iStock.com/claffra

A China não vai pisar no freio. O país resolveu manter a meta de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 5% para 2025, mesmo diante da guerra comercial com os Estados Unidos e dos contínuos desafios para a economia doméstica.

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Durante a reunião anual, o principal órgão legislativo do país também anunciou planos para emitir títulos de prazo “ultra longo” este ano, no valor total de 1,3 trilhão de yuans, 300 bilhões yuans mais do que em 2024. 

Outros 500 bilhões de yuans serão destinados a títulos especiais, focados em apoiar a operação de grandes bancos comerciais estatais

O pacote fiscal também prevê a emissão de até 4,4 bilhões de yuans em títulos voltados para governos locais, que poderão usar esse dinheiro para aliviar as “tensões de financiamento.”

Vale lembrar que, no ano passado, o PIB anual do país foi de 5%, atingindo a meta que era de “aproximadamente 5%”, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas da China. 

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A “salvação” veio da aceleração da atividade econômica no último trimestre do ano, impulsionada pelos estímulos governamentais, que, como se sabe, não foram poucos desde que a crise atingiu o país

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Ao contrário das estimativas para o PIB, que se mantiveram estáveis, o governo de Xi Jinping revisou para baixo a meta anual de inflação ao consumidor para “cerca de 2%”, registrando o menor patamar em mais de duas décadas. 

A redução do número é um reconhecimento das dificuldades de Pequim de estimular a demanda doméstica. 

Segundo Chen Changsheng, um dos membros do governo, é difícil incentivar as empresas a investir e aumentar a renda dos consumidores, se os preços estiverem muito baixos.

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Changsheng enxerga que são necessários quatro passos para tirar a China desse marasmo: expandir o apoio fiscal, impulsionar o consumo, usar a regulamentação para prevenir guerras de preços e intensificar os esforços para estabilizar os preços do setor imobiliário.

O governo chinês também prometeu expandir o programa de “trade-in” com mais 300 bilhões de yuans. Em suma, este programa prevê a troca de produtos velhos por descontos em itens novos, visando encorajar a população chinesa a trocar os bens de consumo, como eletrodomésticos, e estimular a economia. 

Tarifas ‘toma lá, dá cá’

A reunião parlamentar chinesa acontece em um momento de tensões geopolíticas, após a imposição de tarifas definidas por Donald Trump.

Inicialmente definidas em 10%, o presidente norte-americano resolveu implementar uma tributação suplementar de mais de 10%, devido à “falta de uma proposta para conter a oferta de fentanil por parte da China aos EUA.”

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De acordo com fontes, a falta de progresso foi a razão pela qual ainda não houve conversa direta entre Trump e Xi.

“Será 10% + 10%”, disse Trump sobre a tarifa para bens da China durante coletiva na Casa Branca após encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, na quinta-feira passada (27).

Em retaliação, Pequim definiu tarifas adicionais de até 15% para produtos importados dos Estados Unidos, que passarão a valer no dia 10 de março. A nova tributação abrange, em grande parte, produtos agrícolas, incluindo milho e soja.

Somado a isso, o governo chinês também restringiu exportações de 15 empresas americanas e colocou 10 companhias na lista de “não confiáveis”, o que pode limitar os negócios no país asiático. A maioria delas atua nos setores de aviação, defesa e drones.

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Na terça-feira (4), o porta-voz Lou Qinjan disse a repórteres que “espera trabalhar com os EUA para abordar as preocupações, com base no respeito mútuo, igualdade, reciprocidade e benefícios mútuos”.

No entanto, ele também afirmou que a China “nunca aceitará qualquer ato de pressão ou ameaça, e defenderá firmemente a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”. 

É importante lembrar que as exportações são um “respiro” para o Gigante Asiático, em meio à dinâmica fraca da economia doméstica. 

Embora tenha crescido 5% em 2024, a China viu o crescimento das vendas no varejo desacelerar  de 7,1% em 2023 para 3,4% em 2024. O setor imobiliário também continuou enfraquecendo, com queda de 10,6% nos investimentos, na comparação anual.

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* Com informações da CNBC. 

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