Bolso cheio, gôndola vazia? EUA esperam encher os cofres com tarifas — montante pode chegar a US$ 600 bilhões
Secretário do governo diz que a previsão de arrecadação considera valores anuais, embora exista expectativa de negociação com países — inclusive com a China

A semana do “Dia da Libertação”, enfim, terminou. As tarifas de Donald Trump já estão entre nós e nem os pinguins do arquipélago da Ilha Heard e das Ilhas McDonald passaram ilesos. Com a prancheta a postos, o presidente dos Estados Unidos enumerou os principais países tarifados e como os EUA estão “fazendo justiça”, após “anos de vantagem” contra a terra do Tio Sam.
Os agentes do mercado financeiro não concordaram muito com isso. As bolsas ao redor do mundo sangraram. Na quinta (3), após o comunicado, hoje (4) e possivelmente continuariam assim se os próximos dias não fossem sábado e domingo, quando os mercados permanecem fechados.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 5,50% nesta sexta-feira, o S&P 500 cedeu 5,97% e o Nasdaq recuou 5,82%, entrando em "bear market" (território de contração) após acumular queda de mais de 20% desde seu recorde em dezembro.
- VEJA TAMBÉM: Momento pode ser de menos defensividade ao investir, segundo analista; conheça os ativos mais promissores para comprar em abril
Na Europa, a tela também ficou vermelha. Londres (FTSE 100) recuou 4,95%, o alemão DAX perdeu 4,95%, enquanto o CAC 40, de Paris, caiu 4,26%. Os demais índices de Madri, Lisboa e Milão ficaram na mesma faixa perdas, de -4% a -6%.
Aqui no Brasil, o Ibovespa devolveu os 130 mil pontos e voltou ao nível de 127 mil após perder 3% em um único dia. O real foi pelo mesmo caminho de desvalorização, com o dólar subindo 3,68%.
Na quinta-feira, a percepção dos agentes financeiros já era negativa após o anúncio das tarifas, devido a análise de que os valores vieram mais altos do que o esperado para alguns países.
Leia Também
Nesta sexta-feira, entretanto, os ânimos pioraram após o presidente da China, Xi Jinping, dobrar a aposta e impor o mesmo nível de tarifa para os produtos dos Estados Unidos: 34%.
A aversão ao risco tomou conta do mundo com a possibilidade de uma desaceleração global, com as duas maiores economias globais comprometendo o comércio internacional com essas tarifas.
- LEIA TAMBÉM: As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil
Cofres dos EUA
Apesar do estrago nos mercado, o importante para o governo Trump é sair vitorioso no fim do mandato e encher os cofres.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que o governo espera arrecadar entre US$ 300 bilhões e US$ 600 bilhões por ano com a nova política tarifária.
Bessent saiu em defesa da medida ao questionar a postura de países aliados dos EUA.
"Se as tarifas são tão ruins, por que nossos aliados têm tarifas?", argumentando que os EUA precisam se proteger economicamente.
Um dos principais objetivos da iniciativa, segundo o secretário, é fortalecer a indústria nacional.
- VEJA MAIS: ‘Efeito Trump’ na bolsa pode gerar oportunidades de investimento: conheça as melhores ações internacionais para comprar agora, segundo analista
"Vamos reindustrializar o país. A nossa economia se tornou muito financeira", declarou.
Uma ideia que o mercado financeiro internacional contesta, visto que o aumento de produção de fábricas, ou construção de novas plantas, demanda matéria-prima, investimento de empresas e a percepção de uma economia forte: o oposto do que a política de tarifas de Trump está entregando.
Bessent defendeu o potencial das medidas para estimular a produção interna. "Depois de um tempo com tarifas, fabricantes vão fazer suas fábricas aqui", afirmou.
Com isso, a arrecadação gerada pelas tarifas cairia, mas seria compensada — ou até superada — pelo aumento da produção industrial, o que, segundo ele, elevaria "muito" a receita.
"Mais importante que negociar tarifas com países será negociar com empresas", afirmou Bessent.
- E MAIS: Após tarifas, criptomoeda de Donald Trump cai 16% e atinge seu menor valor desde o lançamento
Vamos dar as mãos
Na véspera, Bessent pediu para que os países não retaliassem as novas tarifas norte-americanas: “Esperem e vejam”, disse o secretário, afirmando que a Casa Branca abriria uma frente de negociação.
Ao contrário da China, o governo do Vietnã se antecipou depois de ser tarifado em 46%, e disse estar disposto a baixar suas tarifas a zero, desde que os EUA fizessem o mesmo — o que Trump sinalizou positivamente.
"Acabei de ter uma ligação muito produtiva com To Lam, Secretário Geral do Partido Comunista do Vietnã, que me disse que o Vietnã quer cortar suas tarifas para zero se eles conseguirem fazer um acordo com os EUA", escreveu Trump no Truth Social. "Agradeci em nome do nosso país e disse que espero uma reunião em um futuro próximo."
As ações da Nike reagiram imediatamente à possibilidade de acordo — cerca de 25% dos calçados da companhia são feitos no país asiático. Os papéis fecharam o dia com alta de 3%.
A maior expectativa, entretanto, é em relação à China. "O cenário ideal seria fazer um acordo entre EUA e China", afirmou Bessent, acrescentando que "a relação entre Trump e Xi Jinping me dá confiança sobre a negociação bilateral".
DESFECHO
Bilionário na cadeia: como o colapso da Evergrande fez o ex-homem mais rico da China ser condenado à prisão perpétua
20 de agosto de 2026 - 8:28SEM GABARITO
Super Quarta com os dias contados? Nova proposta do presidente do Fed pode deixar investidor ainda mais no escuro
19 de agosto de 2026 - 16:38OPORTUNIDADE OU CILADA
Renda fixa nos EUA: vale a pena comprar Treasury com a disparada dos juros?
19 de agosto de 2026 - 15:33TOUROS E URSOS #283
O gringo está de saída do Ibovespa (de novo): confira o que afasta o estrangeiro do Brasil
14 de agosto de 2026 - 14:40BRASÍLIA X TIO SAM
A lei de reciprocidade vai incendiar a bolsa? Spoiler: o risco Brasil dá mais medo
14 de agosto de 2026 - 13:31ENTREVISTA EXCLUSIVA
Só lembra da Europa nas férias? Este economista alemão diz por que o seu patrimônio também deveria viajar para lá
14 de agosto de 2026 - 6:10POLÊMICA
Por dentro do superiate de US$ 300 milhões de Mark Zuckerberg, que teria violado a mais preciosa lei do mar
13 de agosto de 2026 - 18:36UMA CIDADE, DUAS VIDAS
Essa cidade já foi considerada a mais bonita do mundo e hoje cumpre a ‘profecia’ de se tornar uma das maiores metrópoles do planeta
13 de agosto de 2026 - 16:16SEM PREVISÃO
Primeiro a Venezuela, depois a Colômbia: por que não conseguimos saber quando um terremoto vai acontecer?
10 de agosto de 2026 - 17:34ENCRUZILHADA
O freio e o acelerador da IA: como não errar a mão na hora de investir
9 de agosto de 2026 - 17:01NOVO VÍRUS
Modelo de IA cria genoma inédito capaz de eliminar superbactérias
7 de agosto de 2026 - 15:51TEMPLO INCOMUM
Igreja Sem Sombra vira atração turística por arquitetura inusitada
7 de agosto de 2026 - 0:09JETSONS DA VIDA REAL
A fabricante de robôs de US$ 9 bilhões da China que até a DeepSeek quer um pedaço
6 de agosto de 2026 - 19:51PEQUENAS NOTÁVEIS
As ações “esquecidas” de Wall Street que estão dando um banho nas gigantes da tecnologia
6 de agosto de 2026 - 19:21ELE ESTÁ VENDIDO
O tsunami que pode arrastar o S&P 500, segundo Michael Burry
5 de agosto de 2026 - 16:30DANÚBIO EM RISCO
Como a onda de calor e a seca na Europa se transformaram em uma crise energética
5 de agosto de 2026 - 14:28Dia do café
O povo deste país tem o costume de transformar seus jardins em cafeterias abertas ao público durante o verão
5 de agosto de 2026 - 9:32ELES VOLTARAM
R$ 3,3 bilhões na bolsa brasileira: o que o gringo viu e você perdeu?
3 de agosto de 2026 - 19:45DOSE ÚNICA É SUFICIENTE?
Febre no câmbio faz EUA e Japão se unirem para salvar o iene da pior marca em 40 anos — e isso mexe direto com você
3 de agosto de 2026 - 17:47CONTINENTE DE GELO