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ESTADOS UNIDOS

Ata do Fed revela que muitos dirigentes queriam manter juros inalterados até o fim do ano e alerta para risco nas ações de tecnologia

Dirigentes divergiram na última reunião sobre a necessidade de novos cortes nas taxas de juros, citando inflação elevada

Montagem traz o presidente do Fed, Jerome Powell, em primeiro plano. Ele usa óculos e veste terno cinza escuro com camisa branca. Ao fundo, um cenário com a bolsa de NY e a bandeira dos EUA
Jerome Powell - Imagem: Canvas/ Montagem: Seu Dinheiro

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) revelou uma clara divisão de opiniões entre os membros do comitê sobre o futuro da política monetária no país. O documento, divulgado nesta quarta-feira (19), aponta que muitos dirigentes sugeriram manter as taxas de juros inalteradas pelo resto do ano. 

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Prevaleceu a decisão por um corte de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros dos EUA, apesar dos votos dissidentes. Com isso, a faixa dos fed funds ficou em 3,75% a 1,00% ao ano. 

Em dezembro, entretanto, a discussão deve ser mais acirrada. De um lado, os dirigentes que defendem a manutenção das taxas pelo resto do ano, visto que a inflação segue elevada e distante da meta de 2%; do outro, aqueles que veem um corte em dezembro como adequado, devido aos crescentes riscos no mercado de trabalho. 

A ata do Fed também mencionou a dificuldade em avaliar a força geral da economia devido à falta de dados oficiais durante o shutdown (paralisação do governo). Segundo o documento, os dirigentes observaram que os indicadores disponíveis sugeriam que a economia "tem se expandido a um ritmo moderado". 

Contudo, o consumo tem sido sustentado de forma desigual: principalmente por famílias de renda mais alta, enquanto os consumidores de menor renda demonstram maior "sensibilidade a preços e ajustes de gasto". 

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Há preocupação com a "base relativamente estreita de apoio ao crescimento do consumo".

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Fed alerta para risco no mercado de ações 

Em uma análise pouco comum para as atas do Fed, o documento desta quarta mencionou que “vários participantes destacaram a possibilidade de uma queda desordenada nos preços das ações". 

A atenção está voltada ao forte investimento em tecnologia, como inteligência artificial (IA) e data centers. Os dirigentes temem os riscos de volatilidade ampliada nos mercados.

O documento também cita preocupações com o aumento da alavancagem no setor de fundos de hedge e com vulnerabilidades no mercado de crédito privado, incluindo "práticas de subscrição (avaliação de risco pelas instituições financeiras) fracas". 

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O temor é que essas características do mercado financeiro acabem se transmitindo ao restante da economia. Para alguns dirigentes, a valorização elevada de ativos e a forte demanda por instrumentos mais arriscados aumentam a sensibilidade do sistema financeiro a choques negativos.

Força da economia dos EUA

A equipe do Fed avalia que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA será "modestamente mais forte, no geral, até 2028", em relação ao cenário elaborado para a reunião de setembro. 

A instituição prevê que, à medida que o impacto dos aumentos tarifários diminui e as condições financeiras se tornam um "vento a favor" para o gasto, a atividade econômica ganhará impulso. 

Sobre inflação, o documento afirma que a estimativa revisada permanece similar à de setembro: as tarifas ainda pressionando os preços em 2025 e 2026, antes de um retorno à trajetória desinflacionária. Além disso, a equipe avalia que o desemprego deve cair gradualmente após este ano, estabilizando-se levemente abaixo da estimativa de taxa natural.

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O documento enfatiza que a incerteza segue elevada, com riscos de baixa para emprego e atividade, mas riscos de alta para a inflação, especialmente devido ao histórico recente de leituras acima da meta de 2%.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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