WEG (WEGE3) tem preço-alvo cortado pelo JP Morgan após queda recente; banco diz se ainda vale comprar a ‘fábrica de bilionários’
Preço-alvo para a ação da companhia no fim do ano caiu de R$ 66 para R$ 61 depois de balanço fraco no primeiro trimestre

A decepção do mercado com um balanço pior do que o esperado no primeiro trimestre levou as ações da WEG (WEGE3) a amargarem uma perda de 12% na última quarta-feira (30), fechando como a maior queda do Ibovespa no último pregão da B3 antes do feriado.
Trata-se de uma posição e um desempenho raros para a ação de uma empresa que, embora geralmente vista como cara, tem ficado nos últimos anos "cada vez mais cara".
Apelidada de "fábrica de bilionários", por ter alçado seus fundadores a essa posição, a WEG acabou se tornando uma das ações queridinhas dos investidores brasileiros, especialmente por sua boa execução e resiliência a praticamente todo tipo de cenário econômico.
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Os resultados fracos da WEG no 1T25, porém, levaram o JP Morgan a revisar suas estimativas para a empresa e cortar o preço-alvo das ações WEGE3 para dezembro de 2025 de R$ 66 para R$ 61, o que ainda representa uma valorização de mais de 35% para os papéis.
Mas isso não significa que o banco norte-americano tenha deixado de gostar da ação. Apesar de admitir a falta de gatilhos de curto prazo, os analistas Marcelo Motta e Jonathan Koutras ainda acreditam nos fundamentos de longo prazo da WEG e mantêm a recomendação overweight (equivalente a compra) dos papéis WEGE3.
Por que o preço-alvo da WEG (WEGE3) foi cortado: a volatilidade no curto prazo
Para os analistas, as prévias operacionais da WEG já haviam mostrado que a maior parte das preocupações macroeconômicas em relação à empresa desapareceram, especialmente aquelas relacionadas ao impacto das tarifas de importação dos Estados Unidos e potencial recessão no país.
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Por outro lado, os fundamentos foram fracos no primeiro trimestre, com queda nas margens e desaceleração no crescimento da receita, na comparação trimestral, embora ambos ainda se mantenham acima de níveis históricos.
Esses números foram incorporados ao modelo do JP, que agora projetam um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2025 e 2026 respectivamente 3% e 1% abaixo do consenso.
O banco admite que os gatilhos de curto prazo para o preço da ação são limitados, na medida em que as margens do segundo trimestre devem vir no mesmo nível daquelas do primeiro trimestre, devido à contribuição da divisão de energia solar ao mix.
Além disso, os analistas preveem que uma melhora no ambiente de juros brasileiro, algo que já vem sendo projetado pelo mercado, e uma possível mudança na presidência do país no ano que vem levariam os investidores a tomarem mais risco, expondo-se mais a empresas cíclicas e voltadas para o mercado interno, reduzindo o interesse em nomes defensivos como a WEG.
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A recomendação de compra: fundamentos se mantêm sólidos
Mesmo assim, para o longo prazo, o JP Morgan ainda vê fundamentos sólidos para a WEG. O banco acredita na capacidade da companhia de continuar crescendo acima de 15% ao ano e destaca como pontos positivos sua exposição a setores de alto crescimento, retorno sobre capital investido (ROIC) elevado e exposição aos mercados internacionais.
Outro ponto levantado é que o valuation da companhia se encontra abaixo dos patamares históricos, com um desconto de 33% no múltiplo EV/Ebitda (valor de firma sobre Ebitda) em relação à média de cinco anos e de 20% em relação à média de 10 anos.
"Além disso, nós ainda acreditamos na capacidade da companhia de ganhar participação de mercado no exterior, dado o seu pequeno tamanho em relação aos seus pares e capacidade de acelerar ganhos de participação de mercado em épocas de disrupção nas cadeias de suprimentos, como mostrado durante o período da Covid 19", dizem os analistas.
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