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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

AGORA VAI?

Um resgate à Oncoclínicas (ONCO3)? Gestora focada em empresas em crise quer liderar a reestruturação da rede de tratamentos contra o câncer

A gestora Starboard Asset revelou interesse em uma “potencial transação para reestruturação financeira” da Oncoclínicas; entenda a proposta

Camille Lima
Camille Lima
11 de setembro de 2025
10:10
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3).
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3) - Imagem: Divulgação

Com finanças no vermelho, queima de caixa e alavancagem nas alturas, a Oncoclínicas (ONCO3) parece finalmente vislumbrar uma boia salva-vidas no horizonte. Na quarta-feira (10), a empresa de tratamentos oncológicos anunciou o interesse da gestora Starboard Asset em uma potencial transação para reestruturação financeira da companhia.

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A Starboard Asset tem como foco a gestão de investimentos em situações especiais — isto é, fornecer crédito para “companhias com fundamentos sólidos de negócio, que estejam passando por crises causadas por eventos não estruturais”, segundo a gestora.

Se avançar, a movimentação poderia trazer algum fôlego e ajudar a reorganizar o balanço da empresa, que há trimestres vivencia forte pressão.

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Os termos da potencial operação ainda dependem de negociações com a administração da Oncoclínicas. Mas, em linhas gerais, a oferta da gestora prevê a conversão de dívidas de credores em ações e um aumento de capital de pelo menos R$ 800 milhões.

Além disso, há a perspectiva de mudanças na governança corporativa da companhia.

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Mais cedo nesta semana, a Oncoclínicas já havia informado que avaliava a realização de um possível aumento de capital privado para fortalecer a estrutura de capital, reduzir a alavancagem e “aprimorar seus indicadores financeiros”. 

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Vale lembrar que a empresa já precisou passar por dois aumentos de capital, em 2023 e 2024, em busca de redução no nível de alavancagem. A última injeção de capital mostrou-se uma faca de dois gumes, com a entrada do Banco Master como um dos maiores acionistas da companhia.

A ação ONCO3 opera atualmente na casa de R$ 3,10, com valorização de 30,80% neste ano, mas tombo de 41,73% em seis meses.

A proposta da Starboard pela Oncoclínicas (ONCO3)

Em carta enviada à Oncoclínicas, a Starboard informou estar pronta para adquirir créditos de terceiros contra a companhia no valor de até R$ 1,7 bilhão, com pagamento de 50% do montante, condicionado à compra mínima de R$ 1,5 bilhão.

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O objetivo é que esses créditos sejam capitalizados em um aumento de capital, oferecendo aos investidores que entrarem na operação um incentivo adicional: dois bônus de subscrição para cada ação emitida.

Paralelamente, a Starboard também propõe que a Oncoclínicas realize um aumento de capital em dinheiro de pelo menos R$ 800 milhões, com emissão de novas ações integralizadas em moeda corrente. 

Nesse cenário, a gestora se comprometeria a adquirir até R$ 200 milhões em ações, enquanto os atuais acionistas deveriam aportar no mínimo R$ 600 milhões. Hoje, os maiores investidores da Oncoclínicas são a Centaurus Capital (Josephina III), o Banco Master, a Latache, o fundador e CEO, Bruno Ferrari, e o Goldman Sachs (Josephina II).

A operação também incluiria a concessão de três bônus de subscrição para cada nova ação subscrita.

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Além dos termos financeiros, a carta da gestora aborda ainda pontos relacionados à governança e à negociação de documentos vinculantes, embora a Oncoclínicas tenha ressaltado que o comunicado não constitui uma proposta definitiva.

O conselho de administração da Oncoclínicas não se manifestou sobre o tema até o momento.

As finanças da Oncoclínicas (ONCO3)

Sob a ótica financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) encerrou o segundo trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 142,3 milhões. Isto é, revertendo o lucro de R$ 19,1 milhões registrado no mesmo período do ano anterior e marcando uma piora de quase 8% em relação ao trimestre passado.

Como nos trimestres anteriores, a companhia atribuiu o desempenho à menor alavancagem operacional, combinada a despesas operacionais mais elevadas no período. Até então, a Oncoclínicas vinha descrevendo esse aumento como “pontual”, mas a repetição do fenômeno nos meses seguintes sugere outra coisa.

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Se desconsiderado o “efeito não caixa da apuração do valor justo do plano de incentivo de longo prazo (PILP)” e impairment referente ao ágio pago em aquisições passadas da Oncoclínicas, a companhia afirma que teria encerrado o trimestre com um prejuízo líquido de R$ 136,8 milhões — ainda expressivo, mas levemente menor que o número sem ajustes.

A queima de caixa continuou como um ponto crítico do balanço. No segundo trimestre, o fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 569,5 milhões, impactado principalmente por atrasos de clientes descontinuados, pagamentos de juros e investimentos (capex). 

Segundo a empresa, esse consumo de dinheiro contribuiu para o aumento da dívida líquida, que alcançou a marca de R$ 3,9 bilhões no trimestre.

O Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, indicador usado para medir o potencial de geração de caixa da empresa, caiu para R$ 900 milhões. 

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A combinação de dívida crescente e Ebitda menor resultou em um aumento significativo da alavancagem: o indicador subiu para 4,4 vezes entre abril e junho, contra um patamar de 2,5 vezes um ano antes.

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