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Analistas consideram a empresa de tecnologia ‘resiliente por natureza’ e enxergam valuation razoável, mesmo com alta de 29% nos últimos 12 meses
Quando se fala de resiliência na bolsa de valores, muitos investidores pensam logo no setor de telecomunicações. Um nome não óbvio nesse contexto é o da Totvs (TOTS3), uma empresa de tecnologia voltada para sistemas de gestão empresarial.
Mas o Santander está recomendando justamente essa companhia fora do senso comum como uma opção atraente, defensiva e “resiliente por natureza” para investir em 2025.
Sim, mesmo com um cenário macroeconômico mais deteriorado no Brasil – juros mais altos, alta da inflação e potencial recessão no segundo semestre –, os analistas acreditam que a Totvs vai conseguir apresentar receita recorrente e margens altas para os acionistas.
Apesar de ter acumulado alta de mais de 29% nos últimos 12 meses e ter um dos maiores múltiplos Preço/Lucro do Ibovespa, a ação TOTS3 ainda é vista tendo um “valuation razoável”.
Talvez você já deve ter ouvido a expressão “all-weather portfolio”, que foi popularizada pelo megainvestidor Ray Dalio. Em bom português, trata-se de uma seleção de ações que, “faça chuva ou faça sol”, vai ter um bom desempenho. Ou seja, independentemente dos cenários econômicos.
É assim que o Santander classifica a Totvs, uma “all-weather tech” que conseguiu crescer consistentemente acima do PIB nominal nos últimos 11 anos e que tem bons fundamentos para manter a resiliência nos próximos tempos.
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A base de clientes de alta qualidade e o alto poder de precificação, já que os contratos são indexados à inflação, são pontos que jogam a favor para essa tese de “all-weather”, uma vez que a companhia pode ter bons resultados, mesmo com um macro pior.
Nesse contexto, é importante ressaltar que a Totvs já passou por outros períodos desafiadores, incluindo a pandemia, e conseguiu sobreviver a todos.
Somado a isso, o balanço patrimonial sólido da Totvs é uma boa “armadura” para enfrentar os próximos desafios relacionados à economia brasileira, incluindo a elevação da taxa Selic.
A empresa reportou uma posição de caixa líquida de R$ 500 milhões nos balanços mais recentes e é considerada uma “excelente geradora de caixa” pelo Santander.
Para os analistas, estes cinco fatores explicam a consistência e alta previsibilidade de resultados da empresa:
Não é de hoje que os analistas enfrentam um certo dilema para definir o valuation da Totvs, já que não há outra empresa de tecnologia com os mesmos níveis de qualidade, tamanho e liquidez listada no Ibovespa.
Sendo assim, existem diferentes formas de avaliar a companhia: comparando a Totvs com outros nomes domésticos de alta qualidade de outros setores; com nomes globais de tecnologia; ou com a própria média histórica.
Para o Santander, a Totvs “é um ativo bastante singular no Brasil, tornando a comparação com empresas domésticas de outros setores muitas vezes injustificada.”
Por outro lado, a instituição acredita que a comparação com outras empresas de tecnologia pode fazer mais sentido.
“Especialmente porque a Totvs está ganhando exposição a algumas tendências seculares de crescimento global, como os serviços de computação em nuvem, que já representam aproximadamente 10% da receita da empresa e são um tema que impulsionou a reavaliação de vários players globais de ERP (como Oracle e SAP).”
Indo direto ao ponto: o termo usado pelos analistas do Santander para descrever o valuation de TOTS3 não é “barato”, mas sim “razoável”.
A ação tem um prêmio em relação aos ativos domésticos – que é “justo”, segundo os analistas – e está significativamente mais barata do que os pares internacionais.
Com um dos maiores múltiplos do Ibovespa, a 22 vezes Preço/Lucro para 2025, a ação negocia perto do múltiplo mínimo histórico, de 20x P/L.
“A Totvs está sendo negociada perto de seu múltiplo mínimo histórico, apesar de uma perspectiva muito mais favorável de crescimento da receita e expansão de margem, o que, em nossa visão, não faz sentido”, diz o relatório.
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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