Rota revisada: GOL (GOLL3) apresenta novo plano de cinco anos para reestruturação financeira da dívida; alavancagem cairá para 1,9 vez ao fim de 2029
Estimativa da GOL (GOLL3) é de que o endividamento líquido caia para 2,7 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda em 2027 e 1,9 vez ao fim de 2029

Uma nova rota traçada e revisada foi apresentada pela GOL (GOLL3) nesta quarta (15/1) para que a companhia volte a voar com mais tranquilidade financeira. O plano leva em conta premissas macroeconômicas e os passos que a companhia deve seguir como parte do seu processo de recuperação judicial (Chapter 11) em curso nos Estados Unidos.
Entre as iniciativas previstas está a conversão de uma parte significativa da dívida da empresa em ações e levantar US$ 330 milhões em capital. Também prevê a obtenção de um financiamento de cinco anos no valor de US$ 1,54 bilhão.
Aliada às iniciativas de melhorias de eficiência e competitividade operacional, a estimativa é de que a empresa consiga nos próximos anos uma recuperação do índice de alavancagem líquida para 2,7x até 2027 e 1,9x até 2029, refletindo um forte crescimento no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, taxas e depreciação).
Todo o plano foi traçado levando em conta um cenário macroeconômico com uma taxa de câmbio de R$ 6,04.
Por volta das 15h as ações GOLL3 eram negociadas a R$ 1,68, alta de 3,07%.
GOL (GOLL3): eficiência operacional e aumento de frota
De acordo com o documento, o plano de 5 anos “demonstra o compromisso da GOL em expandir sua operação, tanto nacional quanto internacionalmente”. E ainda projeta o crescimento da frota da companhia para 167 aeronaves até 2029, ao mesmo tempo em que prevê investimentos na frota existente no curto prazo.
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O objetivo é retornar aos níveis de capacidade doméstica pré-pandemia até 2026.
“A expansão da malha internacional da Gol é apoiada por suas entregas de 737 Max e pelo suporte de financiamento de motores”, afirma por meio do documento.
O plano também ressalta a conclusão de acordos com credores, arrendadores e outras partes interessadas, como a Boeing, para aliviar dívidas e financiar manutenções críticas. Segundo o CEO Celso Ferrer, "esse é mais um passo para garantir a sustentabilidade e liderança da GOL no setor aéreo latino-americano".
Com tudo isso, a estimativa é de que o Ebitda recorrente alcance R$ 11,6 bilhões ao fim de 2029, contra estimativa de R$ 4,47 bilhões em 2024, resultado do melhor perfil operacional depois de recuperação judicial.
A aprovação do plano acontece em uma audiência marcada para fevereiro de 2025, com a ideia de que a conclusão do processo de reestruturação chegue ao fim até maio.
Acordo bilionário de dívidas fiscais com o governo
A Gol já conquistou um feito e tanto financeiro na primeira semana deste ano: assim como a Azul (AZUL4), a empresa firmou um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para regularizar dívidas previdenciárias e fiscais no valor de cerca de R$ 7,5 bilhões — sendo cerca de R$ 5 bilhões relativos à Gol.
Isso, por sinal, ligou o alerta do mercado de que uma possível fusão entre a Gol com a Azul estaria mais próxima do que nunca de acontecer.
Na última semana, a companhia aérea divulgou relatório operacional mensal contendo informações financeiras do período de 1 a 30 de novembro de 2024, apresentadas ao Tribunal de Falências dos Estados Unidos, conforme exigido durante seu processo de Chapter 11.
Os dados são preliminares e não foram auditados pela Gol ou revisados.
No período, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 176 milhões, Ebitda de R$ 448 milhões e margem Ebitda de 26%. O Ebit foi de R$ 278 milhões, com margem de 16%. A receita líquida foi de R$ 1,739 bilhão.
Em novembro, a Gol tinha dívida líquida de R$ 31,023 bilhões. O caixa, equivalentes de caixa e aplicações de curto prazo, totalizavam R$ 2,206 bilhões e as contas a receber eram de R$ 3,672 bilhões.
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